Quem tem medo das aulas online? Três ideias sobre o ensino a distância 1
Artigo

Quem tem medo das aulas online? Três ideias sobre o ensino a distância

“Se a era digital veio exigir novas habilidades e competências para a competitividade econômica com vistas ao mercado de trabalho, foi a escola que passou a ser a responsável por ensiná-las, com o apoio de programas federais e estaduais associados a empresas privadas de tecnologia. Conforme apresentado por Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva, o Plano Nacional de Educação (2001) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica (2002) previram a preparação dos professores nos cursos de formação para o uso de novas tecnologias de informação e comunicação, e a integração delas em suas práticas docentes. Essa formação envolvia não só pensar a técnica, mas também as abordagens pedagógicas que dessem conta da nova linguagem. Se a era digital veio exigir novas habilidades e competências para a competitividade econômica com vistas ao mercado de trabalho, foi a escola que passou a ser a responsável por ensiná-las, com o apoio de programas federais e estaduais associados a empresas privadas de tecnologia. Conforme apresentado por Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva, o Plano Nacional de Educação (2001) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica (2002) previram a preparação dos professores nos cursos de formação para o uso de novas tecnologias de informação e comunicação, e a integração delas em suas práticas docentes. Essa formação envolvia não só pensar a técnica, mas também as abordagens pedagógicas que dessem conta da nova linguagem.”

A invisibilidade dos arquivos femininos: entrevista com Luciana Heymann 2
Entrevista

A invisibilidade dos arquivos femininos: entrevista com Luciana Heymann

“O menor número de arquivos de mulheres nas instituições de memória reflete a desigualdade de oportunidades que tem marcado a sociedade brasileira, responsável por reservar mais e melhores lugares para os homens (e aqui não estou me detendo na enorme desigualdade que atinge negros e negras, fazendo com que a representatividade das mulheres negras seja infinitamente menor do que a das mulheres brancas). Embora haja sinais de que essa situação está mudando, o número de mulheres em cargos políticos ou na liderança de grupos de pesquisa, ao menos nas ciências biomédicas, segue sendo bem menor, o que explica que homens sejam franca maioria como titulares de arquivos em instituições o Arquivo Nacional e a Casa de Oswaldo Cruz. Até as instituições voltadas para o campo literário, onde poderíamos imaginar uma situação mais paritária, a presença masculina é bem mais expressiva (basta consultar o Guia de Acervo do Arquivo Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa). Essa baixa representatividade também espelha as políticas de aquisição de acervo nas instituições, que naturalmente priorizam titulares que tiveram atuação destacada nos seus respectivos campos de atuação. A desatenção com relação a essa situação, porém, colabora para a reprodução da invisibilidade das mulheres. Se pensarmos que tais espaços estão inseridos nas dinâmicas de poder, produzindo hierarquias e definido condições de acesso às fontes históricas, fica claro que é preciso assumir uma postura crítica com relação à disparidade entre homens e mulheres nos acervos institucionais. ”

Liberdade acadêmica tem sido tema de debates globais. Foto: Fred Kearney.
História Importada

O ataque global à academia

“Morte cívica” foi o conceito que os apresentadores Seçkin Sertdemir e Esra Özyürek propuseram a fim de explicar a condição dos acadêmicos demitidos por decreto de emergência na Turquia. Após a tentativa de golpe de 15 de julho de 2016, o regime do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), liderado por Tayyip Erdoğan, promulgou vários decretos com os quais funcionários públicos considerados de oposição ou pertencentes a uma seita religiosa, os chamados Gülenists, foram sumariamente demitidos. Sertdemir e Özyürek explicam que diferente de morte civil, a morte cívica implica retirar dos acadêmicos os seus direitos civis e políticos. Isso inclui proibi-los de terem emprego no setor público, colocá-los em uma lista que os impede de trabalhar no setor privado, confiscar seus passaportes e envergonhá-los publicamente, publicando seus nomes em jornais locais, vinculando-os a histórias e manchetes escandalosas. Foi doloroso ouvir que, para escapar dessa desumanização e evitar “se tornar descartável”, alguns acadêmicos se juntaram a outras pessoas que também tentavam escapar Turquia em barcos, tornando-se, assim, refugiados. Como sabemos muito bem, esta tem sido uma linha tênue entre a vida e a morte.”

Estudante apresenta trabalho em sala de aula
Artigo

Por uma aula não narcísica: como representar “o outro” no ensino da História

“Selecionamos uma cena que foi muito corriqueira em salas de aula. Em torno dos anos 1980, um certo entusiasmo promovia, de maneira mais ou menos contagiante e eficaz, a conexão entre o sentido das aulas de História e um alto compromisso político e ético. Sem dúvida, nós professores de História pensávamos que a aula de História não era apenas um espaço de construção de cidadania, mas um locus de um espírito revolucionário. Não se pense, ingenuamente ou maldosamente, que esse espírito consistia em uma irresponsabilidade teórica ou pedagógica – ao contrário, era profundamente conceitual e didaticamente responsável, mas jamais neutro ou imparcial. Logo, não se poderá atribuir ao que fazíamos a marca de uma suposta “doutrinação”, acusação muito comum a professores de História nos tempos atuais. Tratava-se, isso sim, de avivar uma narrativa, conectar o tecido fragmentário dos fatos a partir da força de um elemento aglutinador, não para criar um séquito de seguidores, mas para incentivar as pessoas a pensar, criticar e construir a liberdade de seu próprio aprendizado.

No entanto, o entusiasmo revolucionário talvez tenha deixado escapar, ainda, uma fagulha do nosso narcisismo. Vamos então à cena: ao ensinar a história dos povos indígenas, nos preocupávamos em mostrar o caráter genocida da colonização europeia e pretendíamos apresentar os povos indígenas de um modo generoso, positivo e afirmativo. Ora, nos parece que tais objetivos ainda hoje são altamente importantes. Entretanto, o que fazíamos, uma vez que nosso conhecimento das individualidades dos povos indígenas era muito escasso, era transitar pelo fácil caminho da generalização. Eis o primeiro traço da nossa narrativa narcísica.”