Dicas de livros: março de 2015

Introdução aos Estudos Literários | Erich Auerbach | Cosac Naify | 2015 | 448 pp.

Outro lançamento bem interessante da Cosac Naify é o clássico “Introdução aos Estudos Literários”, de Erich Auerbach, literatura obrigatória para estudantes de letras, filosofia e também de história. Introdução aos estudos literários foi escrito em 1943 para alunos da universidade de Istambul, durante o exílio forçado do autor. Auerbach, que era judeu, deixou a Alemanha Nazista antes que a crescente da violência resultasse antes da “Solução Final”. Foi acolhido em 1936 na Universidade de Istanbul na Turquia. Nele, de forma ao mesmo tempo erudita e clara, Auerbach explica as bases de sua abordagem da literatura. Chamada de Filologia Românica, ela dá unidade à literatura europeia ao longo da história, partindo do Cristianismo e do latim. O livro descreve a evolução das línguas modernas derivadas do latim e traça um panorama dos períodos literários da Idade Média ao século XIX. O livro é dividido em três partes: “A Filologia e suas diferentes formas”, “As Origens das línguas Românticas “ e “Doutrina geral das épocas literárias”, além de um posfácio de Marcus Mazzari, professor livre-docente, do departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo. Mazzari, por sinal, sabendo reconhecer a conexão de história e literatura na vida do autor, não deixou de observar: “(…) Se Dante, como de certo modo se esboça na sequencia do diálogo com Cacciaguida, saberia converter as adversidades no maior presente jamais ofertado ao povo italiano, aos leitores de Auerbach fica a convicção de que seu convívio com os grandes textos da literatura mundial, e em especial da tradição romântica, possibilitou-lhe amenizar em muito a amargura do exílio. Para saber mais sobre esse lançamento da Cosac Naify e ler um trecho do livro clique aqui.

O Caminho Poético de Santiago  | Yara Frateschi Vieira, Maria Isabel Morán Cabanas, José António Souto Cabo | Cosac Naify | 2015 | 244 pp.

Poucas editoras no Brasil produzem livros tão bem cuidados com a CosacNaify. “O Caminho Poético de Santiago – Lírica Galego-Portuguesa”, de Yara Frateschi Vieira, Maria Iabel Morán Cabanas e José António Souto Cabo é o mais novo exemplo dessa devoção que a editora possui pelos livros. A obra, lançada em 2015, traz 55 poemas originais em língua galego-portuguesa, com glossário explicativo e comentário critico. A poesia lírico galego-portuguesa, a mais antiga manifestação literária em língua portuguesa e patrimônio comum das literaturas nacionais que se exprimem nessa língua, surgiu no noroeste da Península Ibérica no fim do século XII e se manteve ativa até meados do XIV. Ela veio dos lados dos Pirineus, mas encontrou em Santiago de Compostela as condições propícias à sua implementação e difusão para mais reinos peninsulares. O livro publicado pela Cosac Naify não só traz uma seleção incrível desses textos – editados a partir dos testemunhos manuscritos – como os seus autores são apresentados por especialistas. Além disso, a edição em si é uma atração. Possui uma capa com ilustrações belíssimas,com cada folha do livro trazendo uma margem preta (culminando num visual totalmente diferente) e inclui mapas, lista de topônimos, imagens dos cancioneiros e bibliografia sobre o tema. Um lançamento que não pode deixar de ser conferidos por todos aqueles que se interessam pela história da língua portuguesa, história medieval e moderna. Clique aqui para ler mais e ler as primeiras páginas de “O Caminho Poético de Santiago”.

Crônicas da Guerra na Itália | Rubem Braga | Record | 2014 | 405 pp.

Depois de quase vinte anos fora de catálogo, “Crônicas da Guerra na Itália”, do escritor e jornalista Rubem Braga (1913-1990), volta finalmente ao catálogo corrente da Editora Record. E isso acontece em um momento bastante propício. Em 2015, comemora-se os setenta anos do fim da Segunda Guerra Mundial. O livro – que foi pela primeira vez em 1945 – reúne mais de cinquenta crônicas que Rubem Braga escreveu para o jornal Diário Carioca. Braga passou os meses finais da guerra acompanhando os soldados brasileiros no Teatro de Guerra Europeu. No total, o Brasil enviou vinte e cinco mil soldados para a Europa, a maior parte combateu na Itália. No livro, considerado um clássico para quem pesquisa o tema, não apenas pela narrativa envolvente, mas também por ser uma verdadeira fonte histórica, o autor registra o horror dos campos de batalha, o desespero dos soldados e o nazi-fascismo, mas também abre espaço para falar da beleza dos lugares que encontrou, da primavera na Itália, das pessoas que conheceu, do sofrimento com a neve e o frio. “Observador sentimental”, como ele próprio se definiu, Rubem Braga nos apresenta relatos extremamente marcantes e belos sobre uma das mais terríveis épocas da humanidade. Esta nova edição chega ao mercado brasileiro muito bem cuidada. Com um bonito projeto gráfico na capa, o livro traz o conteúdo de sua terceira edição, publicada pela primeira vez em 1985. Além das crônicas, o leitor vai encontrar textos publicados no pós-guerra, no qual o jornalista reflete sua experiência como correspondente de guerra. Saiba mais sobre este lançamento clicando aqui.

Em Costas Negras | Manolo Florentino | UNESP | 2014 | 307 pp.

A Editora Unesp acaba de republicar um clássico da historiografia sobre escravidão: “Em Costas Negras – Uma história do tráfico de escravos entre a África e o Rio de Janeiro (Séculos XVIII e XIX)”, do historiador Manolo Florentino, atual professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A palavra “clássico” se justifica. O estudo, lançado no início dos anos 1990, contribuiu de forma decisiva para a revisão pela qual passou o tema tráfico de escravos a partir dos anos 1980. Segundo o próprio autor, o livro surgiu de uma intuição que há tempos o acompanhava: “a de que não eram suficientes as explicações disponíveis sobre a enorme migração compulsória que, por mais de três séculos, uniu a África e o Brasil”. Recusando uma certa teoria marxista, que explicava o tráfico negreiro basicamente pelo “projeto colonizador calcado na hegemonia do capital mercantil europeu”, Florentino foi em busca de uma visão mais ampla, mais orgânica, que permitisse compreender o fenômeno através das conexões dos agentes propulsores da lógica empresarial do tráfico de escravos (os traficantes), a sociedade, a economia e o Estado. O trabalho do historiador tem um corte temporal que vai do século XVIII até 1830 e oferece um outro olhar para se pensar as relações Brasil-África. E quanto às fontes, Florentino trabalhou com listas de entradas de negreiros no porto do Rio de Janeiro, inventários post-mortem, escrituras de compra e venda e registros de saídas de tropas com escravos do mercado carioca para diversas regiões interioranas do Brasil. Para saber mais sobre este interessante “ Em Costas Negras”, clique aqui.

Galileu Galilei | Atle Naess | Zahar | 2015 | 247 pp.

Poucas pessoas provocaram impacto no destino da humanidade. Uma dessas pessoas foi sem dúvida nenhuma Galileu Galilei, matemático, físico, astrônomo e filósofo que viveu na Florença entre os séculos XVI e XVII. Nascido em 1564, Galileu tinha habilidades intelectuais acima da média e, encorajado pelo pai, desenvolveu essas habilidades a ponto de ser considerado o pai da revolução científica da época do Renascimento. Devemos a ele, por exemplo, o método cientifico, empregado até hoje como forma de se chegar ao conhecimento. Para quem quer conhecer um pouco mais sobre essa história, vale a pena dar uma olhada em “Galileu Galilei – um revolucionário e seu tempo”, do escritor norueguês e ex-professor da Universidade de Oslo, Atle Naess, publicado pela Editora Zahar. Naess, autor de outras elogiadas biografias (como dos pintores Edvard Munch e Caravaggio), utilizou para escrever sua obra o julgamento de Galileu pela Inquisição – Galileu foi julgado pela Inquisição, sendo obrigado a negar suas pesquisas e ideias – como polo de convergência da narrativa para retratar a vida e a época do fundador da ciência moderna. Trata-se de um livro de leitura fácil e rápida, dividido em sete partes. O livro venceu uma das mais importantes premiações literárias da Noruega, o prêmio Brage na categoria de melhor livro de não-ficção. Clique aqui para ler mais sobre ele. Você pode ler, inclusive, o sumário e um trecho do livro.

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