Este projeto digitalizou milhões de ilustrações que contam a história da biodiversidade

Até o momento, o Biodiversity Heritage Library (BHL) digitalizou e disponibilizou, gratuitamente, na internet, milhões de obras antigas sobre vegetais, animais e minerais. Material está em domínio público e pode impulsionar a chamada “História Ambiental”.

Icones plantarum. Parece um feitiço do universo bruxo de Harry Potter, mas é o nome de um livro de botânica publicado em latim e alemão em 1804. Ele foi escrito pelo botânico Ferdinand Bernhard Vietz e outros quatro pesquisadores. O livro mapeia e descreve centenas de espécies de plantas, e traz centenas de ilustrações coloridas.

Até bem recentemente, essa obra só poderia ser vista na Peter H. Raven Library, a biblioteca do Missouri Botanical Garden, nos Estados Unidos. Mas isso mudou. Ela e outras milhares de obras que cobrem a fauna e a flora de diferentes países estão agora disponíveis, gratuitamente, na internet, graças a Biodiversity Heritage Library (BHL), administrada por uma secretaria sediada nas bibliotecas Smithsonian, em Washington.

 A Biblioteca do Patrimônio da Biodiversidade é um consórcio de bibliotecas de história natural e botânica criado em 2005 e que desde então tem cooperado a fim de tornar acessível a literatura sobre biodiversidade em suas coleções.

Besouros da Rússia e Europa. Fonte: Biodiversity Heritage Library.

Em parceria com o Internet Archive e, por meio de iniciativas locais de digitalização, o BHL digitalizou milhões de páginas de literatura taxonômica, representando dezenas de milhares de títulos e mais de 100.000 volumes. Hoje, a BHL tem um acervo maior do que outras iniciativas marcantes na área, como a Gallica e do AnimalBase.

Muitas das obras digitalizadas pelo projeto são dos séculos XVII, XVIII e XIX, quando pesquisadores amadores e profissionais, no apogeu do Iluminismo, viajavam o mundo descobrindo, catalogando e representando em desenhos e pinturas ricas em detalhes novas espécies de plantas, minerais e animais. Eram os chamados naturalistas. Suas expedições geraram grandes coleções, que abasteceram museus, jardins botânicos e institutos de pesquisa de vários países. Muito do avanço científico registrado naqueles séculos se deve ao esforço desses primeiros cientistas da modernidade.

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra.

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