Historiadores discutem o fenômeno de caça às bruxas em seminário virtual internacional

Seminário Virtual Internacional de História Moderna acontece nos dias 10 e 11 de maio de 2021 e reunirá centenas de historiadores especializados em bruxaria e outros temas de História Moderna. Acadêmicos e não acadêmicos poderão acompanhar o evento.

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"Bruxas em um palheiro", (1807-1813), gravura feita à mão por Thomas Rowlandson. Na imgem, um homem enfia a cabeça por um alçapão à esquerda, segurando uma lanterna e um forcado. Ele fica boquiaberto de horror com a visão diante dele de duas bruxas sentadas ao lado de uma fogueira. Ambos olham severamente para os monstros e goblins que convocaram. Fonte: The MET.

A bruxa está solta. Pelo menos na quarta edição do Seminário Virtual Internacional de História Moderna, que este ano será dedicado ao fenômeno de caças às bruxas. O evento acontece nos dias 10 e 11 de maio de 2021 e reunirá centenas de historiadores especializados em bruxaria e outros temas de História Moderna.

As bruxas e a bruxaria são temas mais do que presentes na cultura popular e pop. Estamos acostumados com eles com filmes, programas de televisão, lendas e contos de terror que moldam um certo imaginário sobre o assunto. Entre os historiadores, o interesse pelas bruxas e pela bruxaria também é enorme. Mas no campo da pesquisa histórica, a questão é diferente: o que os historiadores mais querem é compreender elementos como perseguição social, misoginia, gênero, religiosidade, violência e tantos outros problemas históricos que fazem parte deste passado.

Há uma infinidade de interpretações e abordagens referentes ao que teria representado a figura da bruxa ao longo da História. Pode-se dizer que, desde o século XIX, no campo historiográfico, tem sido recorrente tanto o interesse dos pesquisadores em compreender essa figura, como a multiplicidade de olhares para com as mulheres acusadas de pactuarem com o Diabo. Muitos trabalhos destacaram, assim, o peso que os mecanismos de perseguição adquiriram para o que, posteriormente, foi denominado de “fenômeno de caça às bruxas” no Ocidente europeu.

Entretanto, somente nas últimas duas décadas que as pesquisas, cuja influência das teorias feministas tem sido relevante, começaram a problematizar esse fenômeno a partir do que se sabe sobre essas mulheres que foram perseguidas por acessarem o sobrenatural de forma ilícita, principalmente no campo das relações com o Diabo.

A emergência do gênero como campo de conhecimento para a História influenciou decisivamente na reorientação dessas pesquisas, que passaram a defender a agência das mulheres no desenvolvimento desse fenômeno, bem como a relevância das relações de poder, dos discursos normativos e da subversão do patriarcado.

De acordo com o historiador Daniel Carvalho, professor de História Moderna da Universidade de Brasília (UnB) e colaborador do Café História, a Bruxaria é mesmo um grande tema da historiografia, desde pelo menos o aparecimento da importante obra do historiador francês Jules Michelet (17981874), “A Feiticeira”, de 1862.

“E, no século XX, o assunto não deixou de ser objeto grandes historiadores, recebendo estudos de nomes como Keith Thomas, Le Roy Ladurie Carlo Ginzburg e Stuart Clark, apenas para ficarmos entre os mais conhecidos. Os historiadores brasileiros, por sua vez, produziram estudos importantíssimos sobre o tema, a começar pela obra de Laura de Mello e Souza. O tema da bruxaria toca em questões caras para o presente, como as relações de gênero, a intolerância religiosa e a diversidade. Por isso, é muito importante que continuemos a debater o tema e produzir interpretações renovadas”, disse Carvalho ao Café História.

Serviço

O evento é aberto para acadêmicos e não acadêmicos, e será realizado entre os dias 10 e 11 de maio, contando com a organização dos professores Angelo Assis (UFV), Marcus Reis (UNIFESSPA) e Yllan de Mattos (UFRRJ). As mesas de discussão serão gravadas e postadas na página do evento no Facebook, nas datas citadas, bem como no canal do YouTube do projeto. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia 9 de maio através do seguinte endereço: https://tinyurl.com/439h4srf. Para quem precisar, haverá emissão de certificado após o evento. A organização, feita pela UFV, UNIFESSPA e UFRRJ, anunciou que divulgará em breve a programação completa. Com informações da organização do evento.

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra.

6 Comments

  1. Por favor,não consegui ver se esta inscrição é gratuita,alguem pode responder, adoro história mas,não posso aumentar meus gastos,obrigada.

  2. Bruno, perdão, mas não consigo visualizar o horário. Já fiz a inscrição, paguei o valor do certificado, mas me perdi quando da consulta ao horário.

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