Eventos acadêmicos examinam a Reforma Protestante

Acontecimento que dividiu a cristandade há 500 anos é tema de eventos em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

Bruno Leal | Agência Café História

A Reforma Protestante é tema de dois importantes eventos acadêmicos neste final de ano. No dia 31 de outubro, dia em que Lutero afixou suas 95 teses na porta da Igreja de Todos os Santos em Wittenberg, o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) recebe a jornada “500 anos da Reforma Protestante: história, cultura e política”. O evento conta com duas mesas: “antecedentes, contexto e consequências imediatas da reforma” e “implicações sócio-políticas e culturais”. Leandro Karnal faz a conferência de encerramento. A programação completa pode ser vista aqui.

Reforma-Protestante
Eventos sobre a reforma protestante são destaque no meio acadêmico em outubro e novembro.

Já o segundo evento envolvendo a efeméride acontece entre os dias 6 e 8 de novembro na PUC-RS. “Reforma e período moderno: história e presente” é uma produção do Centro de Estudos Europeus e Alemães de Porto Alegre, com apoio da Embaixada da Alemanha no Brasil e da Fundação Alexander von Humboldt. Diversos pesquisadores estrangeiros estão presentes na programação, entre eles Nikolaus Schneider (Ex-Presidente do EKD – Evangelische Kirche in Deutschland) e Bernd Hilberath (Teologia, Tübingen). Embora seja público, participam do evento basicamente ex-bolsistas da Fundação Alexander von Humboldt e alguns convidados externos eventuais. Se você deseja participar do mesmo, entre em contato com a universidade para conferir essa possibilidade.

O Café História conversou com o professor Sérgio da Mata, do Departamento de História da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que destacou a importância desses dois eventos brasileiros que problematizam os 500 anos da Reforma Protestante

– Aquilo que entendemos como “modernidade” ou “mundo moderno” é, em boa parte, fruto da Reforma Protestante. O fato de autores clássicos como Friederich Engels e Max Weber terem escrito livros sobre as consequências políticas e econômicas do movimento iniciado por Lutero já diz o bastante. Mas as implicações são profundas e de largo escopo, e vão além: a Reforma está na base da concepção contemporânea de indivíduo e de “interioridade”; o impacto sobre as artes (muitas vezes em sentido negativo) e sobre o desenvolvimento intelectual (sem Lutero não seria possível o aparecimento da filosofia de Kant) e inclusive historiográfico: afinal, a hermenêutica moderna é essencialmente um método desenvolvido no âmbito da teologia protestante. De resto, há a realidade evidente ante os nossos olhos: vivemos num continente em que a preeminência católica há muito deixou de ser uma obviedade.

O historiador também falou sobre as modalidades recentes do protestantismo:

– As modalidades mais recentes de protestantismo, evangélico e pentecostal, se difundem principalmente nas camadas mais pobres da população, afetam profundamente sua relação com a moral, com a política, suas concepções estéticas, e, claro, com o trabalho e com os frutos do trabalho. Na Universidade e sobretudo nos cursos de História todas estas transformações são ainda hoje pouco compreendidas. Há desinformação, há inclusive preconceito e a repetição de lugares comuns ad nauseam. Neste sentido, os eventos de Porto Alegre e Mariana visam lançar luz sobre a Reforma numa perspectiva ampla, rigorosa e crítica; somente assim os historiadores brasileiros poderão se reconectar com realidades que estão à sua volta – e cada vez mais. Mas para as quais eles insistem em se manter cegos.

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