Egito Antigo

Pesquisadora do Museu Nacional da UFRJ dá dicas para iniciantes no campo

Por Thais Rocha da Silva

O Egito antigo é possivelmente uma das civilizações antigas que possui mais apelo popular. Ao mesmo tempo, possui uma produção científica imensa que por vezes nos deixa perdidos nos perguntando “por onde começar?”. Não é raro canais da TV paga exibirem documentários e o cinema nos presentear com alguma história fantástica. Recentemente, o Egito tem aparecido nas notícias com novas descobertas de múmias, templos e faraós. Por isso, vale conferir alguns livros básicos para você se inteirar dessa civilização antiga.

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Lista de livros preparada pela especialista possui títulos em inglês e português.

1. Bard, Kathryn A. Introduction to the archaeology of Ancient Egypt. UK, USA: Blackwell publishing, 2007.

O livro de Bard é um excelente ponto de partida para você se situar em aspectos básicos da civilização egípcia. Mais do que apresentar a história egípcia, a autora apresenta uma introdução atualizada sobre outros aspectos relevantes no estudo do Egito antigo, tais como a escrita, a cronologia, a arqueologia e a paisagem. A obra inclui mapas e uma grande quantidade de imagens, complementando as informações do texto. Mais do que um manual de arqueologia ou história do Egito, o livro de Bard traz ainda uma visão crítica da produção científica e convida o leitor a pensar sobre como o conhecimento das civilizações antigas é produzido.

2. Shaw, Ian. The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2000.

Esse é considerado o livro de cabeceira dos egiptólogos e de estudantes de Egiptologia. A obra é organizada por Ian Shaw, com textos de diferentes especialistas e é a referência sobre a história do Egito antigo mais completa da atualidade. Apesar de seguir uma estrutura cronológica dos períodos tradicionais da história egípcia, ele oferece mais do que uma lista de fatos e descobertas arqueológicas. Ao final, há sugestões para o aprofundamento do estudo, organizadas cronologicamente e com indicação das principais fontes utilizadas para o estudo de cada um dos períodos. Se você achar que o livro ainda é muito pesado, ou prefere começar com algo menor, vale conferir a sua versão mais compacta escrita por Shaw, “Ancient Egypt. A very short introduction”, também pela Oxford University Press.

3. Malek, Jaromir. Egyptian Art. London: Phaidon Press Limited, 1999.

É um bom livro para dar uma espiada antes de uma visita a um museu ou de se fazer uma viagem ao Egito. Bem ilustrado e com uma linguagem acessível, a obra é excelente para treinar os nossos olhos a observar a sociedade egípcia através das imagens. Partindo da ideia de uma “história da arte” egípcia, o autor explica as principais características do modo egípcio de representar o mundo, nos permitindo ver essa sociedade para além do seu aspecto funerário. As informações estão organizadas também de forma cronológica e permitem compreender o contexto histórico da produção dos objetos egípcios.

4. Baines, John; Malek, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.

O atlas cumpre sua função de manual de consulta com um texto curto e objetivo que pode ser uma leitura boa para quem nunca leu nada sobre o Egito antigo e não quer cair em narrativas fantasiosas e equivocadas. Os autores dividiram o texto em três grandes blocos: aspectos culturais (história, geografia, arte), uma apresentação breve das diversas regiões do Egito e os principais aspectos da sociedade egípcia. O material é bem ilustrado com mapas de boa qualidade e nos permite visualizar a complexidade e a riqueza da paisagem e da arqueologia egípcia.

5. Shafer, B.; Baines, J.; Lesko, L.; Silverman, D.; Religion in Ancient Egypt. Gods, myths and personal practice. Ithaca &London: Cornell University Press, 1991.

Esse livro é ótimo se você já tem algum conhecimento sobre os antigos egípcios e quer aprofundar alguns conhecimentos sobre os estudos da religiosidade egípcia. O conteúdo permite que o leitor veja outros aspectos para além da religião funerária, como os mitos de criação, as divindades e principalmente, como os egípcios se relacionavam com esse mundo divino. Se puder, evite a edição traduzida para o português “As Religiões no Antigo Egito” (São Paulo: Nova Alexandria, 2002); há erros graves que comprometem o entendimento do conteúdo.


Thais Rocha da Silva – historiadora formada pela Universidade de São Paulo, onde também realizou seu Mestrado no Departamento de Letras Orientais sobre as relações de gênero no Egito helenístico. Durante o desenvolvimento da sua pesquisa, foi aluna visitante no Oriental Institute de Chicago/EUA, Museu Britânico, na University College London e na University of Oxford na Inglaterra. Atualmente é pesquisadora do Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional da UFRJ.

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