Fundo prevo e mulher em primeiro plano com máscara para se proteger da pandemia do novo coronavírus
Artigo

A medicina não é suficiente: por que precisamos das ciências sociais para acabar com essa pandemia

Ao lado de epidemiologistas, matemáticos e cientistas da computação que analisam incansavelmente o movimento do novo coronavírus, especialistas das ciências humanas também estão trabalhando duro para impedir que a doença se espalhe. São antropólogos, psicólogos ou sociólogos, cujo trabalho não chega às manchetes, mas que no passado foi fundamental para deter devastadoras epidemias.

Liberdade acadêmica tem sido tema de debates globais. Foto: Fred Kearney.
História Importada

O ataque global à academia

“Morte cívica” foi o conceito que os apresentadores Seçkin Sertdemir e Esra Özyürek propuseram a fim de explicar a condição dos acadêmicos demitidos por decreto de emergência na Turquia. Após a tentativa de golpe de 15 de julho de 2016, o regime do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), liderado por Tayyip Erdoğan, promulgou vários decretos com os quais funcionários públicos considerados de oposição ou pertencentes a uma seita religiosa, os chamados Gülenists, foram sumariamente demitidos. Sertdemir e Özyürek explicam que diferente de morte civil, a morte cívica implica retirar dos acadêmicos os seus direitos civis e políticos. Isso inclui proibi-los de terem emprego no setor público, colocá-los em uma lista que os impede de trabalhar no setor privado, confiscar seus passaportes e envergonhá-los publicamente, publicando seus nomes em jornais locais, vinculando-os a histórias e manchetes escandalosas. Foi doloroso ouvir que, para escapar dessa desumanização e evitar “se tornar descartável”, alguns acadêmicos se juntaram a outras pessoas que também tentavam escapar Turquia em barcos, tornando-se, assim, refugiados. Como sabemos muito bem, esta tem sido uma linha tênue entre a vida e a morte.”