Oswaldo Cruz examina microscópio em laboratório de Manguinhos, observado por seu filho Bento Oswaldo Cruz e por Burle de Figueiredo
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Oswaldo Cruz contra as epidemias: saúde pública e questão social no início da República

“Grande parte das demolições ocorridas na cidade foi uma exigência da Prefeitura do Rio de Janeiro, outra importante força de transformação sanitária da cidade. Na época, estava em curso um grande processo de urbanização da capital conduzido pelo então prefeito Pereira Passos. As “picaretas regeneradoras” de Passos, expressão cunhada pelo escritor Olavo Bilac, deveriam expurgar, principalmente das áreas centrais, o que restava das construções coloniais. Centenas de famílias foram afetadas por esse projeto de remodelação urbana. Foi neste momento, por exemplo, que vários candomblés estabelecidos no centro da cidade foram obrigados a se transferir para os subúrbios.Mais de duas mil habitações e prédios comerciais vieram abaixo, sendo os seus habitantes mais pobres despejados sem destino e endereço pré-estabelecidos. O propósito não foi apenas estético e nem simplesmente em prol das condições de higiene; foi também econômico, pois era preciso facilitar o tráfego de mercadorias no entorno do porto, na Praça Mauá. De acordo com o historiador Nicolau Sevcenko,’“O antigo cais não permitia que atracassem os navios de maior calado que predominavam então, obrigando a um sistema lento e dispendioso de transbordo. As ruelas estreitas, recurvas e em declive, típicas de uma cidade colonial, dificultavam a conexão entre o terminal portuário, os troncos ferroviários e a rede de armazéns e estabelecimentos do comércio de atacado e varejo da cidade. As áreas pantanosas faziam da febre tifoide, impaludismo, varíola e febre amarela, endemias inextirpáveis'”.

Fundo prevo e mulher em primeiro plano com máscara para se proteger da pandemia do novo coronavírus
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A medicina não é suficiente: por que precisamos das ciências sociais para acabar com essa pandemia

“Para enfrentar a crise atual, os cientistas recomendam analisar o que foi feito em epidemias passadas. Um documento publicado pela plataforma Ciências Sociais em Ação Humanitária – promovido pelo UNICEF e pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento – sintetizou 15 lições aprendidas das epidemias passadas de gripe e da SARS (uma doença respiratória causada por outro coronavírus em 2003). Muitos dessas lições podem ser aplicadas no contexto atual, como, por exemplo, a transparência da informação. A retenção de informações do público, segundo este documento, pode ser muito prejudicial, pois se as pessoas não obtiverem esses dados de fontes oficiais, elas dependerão de meios não confiáveis. Na pandemia de Influenza A de 2009 (H1N1), a neutralidade da Organização Mundial da Saúde (OMS) foi questionada porque o público pensava que o risco havia sido exagerado em benefício das empresas farmacêuticas, que se beneficiariam do acúmulo de vacinas. Para evitar que isso se repetia, os especialistas que prepararam o documento recomendam que as autoridades sejam transparentes sobre o que se sabe sobre a epidemia e também sobre as limitações dos dados. “Instituições, governos nacionais ou a OMS devem ser transparentes quanto ao seu compromisso com especialistas e a indústria farmacêutica para explicar como eles lidam com conflitos de interesse”, afirmam.”

A influenza na Bahia é política, diz jornal em 1918
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Quando o flagelo bate à porta: a epidemia de “gripe espanhola” na Bahia

“A epidemia de gripe espanhola na Bahia obedece ao padrão desenvolvido por Rosenberg, ainda que guarde as especificidades próprias do lugar e da época. Não se sabe ao certo quando a gripe chegou a Salvador, cidade portuária com conexões transcontinentais. Os primeiros registros surgiram depois o paquete inglês Demerara atracou na cidade, no dia 11 de setembro de 1918. Dias depois, passageiros que desembarcaram em Salvador, morreram com diagnóstico de gripe. Extremamente contagiosa, a doença se espalhou rapidamente. O número significativo de adoecimentos chamou a atenção dos jornais, que já repercutiam as notícias sobre a epidemia em curso no cenário da guerra. Pressionados pela imprensa, médicos, autoridades públicas e sanitárias apressaram-se a negar o fato ou a minimizar os seus efeitos. A gripe figurava nas estatísticas da Diretoria Geral da Saúde Pública da Bahia (DGSPB), mas os óbitos decorrentes dessa doença eram considerados insignificantes se comparados com as taxas de mortalidade provocadas por males como a disenteria, a malária, a peste, a varíola, a febre amarela e, sobretudo, a tuberculose. Contribuía, também, para que as autoridades ignorassem a existência de uma epidemia, o fato de a gripe não ser doença de notificação compulsória, o que dispensava a obrigatoriedade de os casos serem reportados às autoridades sanitárias, invisibilizando-os.”

Quem tem medo das aulas online? Três ideias sobre o ensino a distância 1
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Quem tem medo das aulas online? Três ideias sobre o ensino a distância

“Se a era digital veio exigir novas habilidades e competências para a competitividade econômica com vistas ao mercado de trabalho, foi a escola que passou a ser a responsável por ensiná-las, com o apoio de programas federais e estaduais associados a empresas privadas de tecnologia. Conforme apresentado por Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva, o Plano Nacional de Educação (2001) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica (2002) previram a preparação dos professores nos cursos de formação para o uso de novas tecnologias de informação e comunicação, e a integração delas em suas práticas docentes. Essa formação envolvia não só pensar a técnica, mas também as abordagens pedagógicas que dessem conta da nova linguagem. Se a era digital veio exigir novas habilidades e competências para a competitividade econômica com vistas ao mercado de trabalho, foi a escola que passou a ser a responsável por ensiná-las, com o apoio de programas federais e estaduais associados a empresas privadas de tecnologia. Conforme apresentado por Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva, o Plano Nacional de Educação (2001) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica (2002) previram a preparação dos professores nos cursos de formação para o uso de novas tecnologias de informação e comunicação, e a integração delas em suas práticas docentes. Essa formação envolvia não só pensar a técnica, mas também as abordagens pedagógicas que dessem conta da nova linguagem.”