Tumba de 5 mil anos encontrada na Espanha revela enterros múltiplos e trocas longínquas

Arqueólogos revelaram uma impressionante estrutura funerária de pedra na região da Andaluzia, no sul da Espanha: um dolmen com cerca de 13 metros de comprimento (aproximadamente 43 pés), datado de cerca de 5.000 anos atrás, usado como local de enterro coletivo.
30 de setembro de 2025
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O dólmen recém-descoberto na Espanha era usado para abrigar diversos sepultamentos e data de cerca de 5.000 anos. (Crédito da imagem: Thalassa (PAI HUM 1127) Livr Science.

Uma impressionante tumba de pedra de cerca de 5 mil anos foi descoberta por arqueólogos na região da Andaluzia, no sul da Espanha. A estrutura — um dolmen com aproximadamente 13 metros de comprimento — foi usada como local de sepultamento coletivo e revela detalhes importantes sobre os rituais mortuários e as redes de troca da Pré-História europeia.

Segundo o jornalista Owen Jarus, autor de reportagem este mês no site Live Science, a tumba está localizada próxima à cidade de Teba e foi escavada ao longo de quatro temporadas de trabalho arqueológico. O dolmen é composto por grandes painéis de pedra colocados verticalmente (orthostatos), com até dois metros de altura, cobertos por lajes horizontais e envoltos por um montículo de terra e pedras — um tipo de sepultura monumental conhecido como tumulus.

Artefatos e ossuários revelam rituais e trocas de longa distância

Dentro da tumba, aponta Jarus, os pesquisadores identificaram ossuários e um conjunto de objetos funerários que inclui pontas de flecha, uma alabarda e até conchas marinhas. Esses achados sugerem que a comunidade local participava de redes de troca que ultrapassavam as regiões costeiras — já que o local está no interior — e também indicam práticas cerimoniais complexas.

Ainda segundo o jornalista, a presença desses objetos, muitos deles produzidos com técnicas avançadas para o período, demonstra não só sofisticação estética, mas também o valor simbólico da morte e da memória coletiva. A hipótese dos pesquisadores é que o dolmen foi utilizado por várias gerações, ou mesmo por diferentes comunidades que o reaproveitaram ao longo do tempo.

Monumento bem preservado

A tumba recém-descoberta está entre as estruturas funerárias megalíticas mais bem preservadas da Andaluzia. De acordo com Jarus, esse tipo de construção servia não apenas como espaço de sepultamento, mas também como marco territorial e elemento de coesão social. Sua imponência e localização estratégica revelam o papel central que essas tumbas exerciam nas paisagens humanas da Idade do Bronze.

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Ao Yahoo News, Juan Jesús Cantillo, professor da Universidade de Cádiz, disse que “a presença de conchas em uma área interiorana reflete a importância do mar como elemento de prestígio e a existência de redes de troca de longa distância”.

A descoberta contribui para o crescente interesse acadêmico e público em torno das culturas megalíticas do sul da Europa, destacando a importância de iniciativas arqueológicas que exploram sepulturas antigas não apenas como repositórios de ossos, mas como arquivos de experiências sociais e simbólicas de longa duração.

Com informações de Live Science e do Yahoo News.

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