Regulamentação da profissão de historiador no Brasil: muitas oportunidades e um risco considerável

Aprovado por unanimidade pelo Senado Federal no dia 18 de fevereiro de 2020, o projeto de lei que regulamenta a profissão de historiador no Brasil foi comemorado pela Associação Nacional de História e por historiadores em todo o país. Trata-se de uma luta coletiva, antiga e nobre. Contudo, a despeito dos benefícios profissionais que ela poderá gerar, um dispositivo de seu texto oferece um risco considerável para o qual devemos estar atento.

Por Bruno Leal Pastor de Carvalho

No dia 18 de fevereiro de 2020, o Senado Federal aprovou por unanimidade o projeto de lei que regulamenta a profissão de historiador no Brasil. O texto aprovado foi um substitutivo (SCD 3/2015) da Câmara dos Deputados ao PL 368/2009, de autoria do Senador Paulo Paim (PT-RS). Trata-se de uma dupla aprovação, haja vista que na votação de consulta pública, realizada antes do projeto ser apreciado pelo parlamento, a regulamentação recebeu 2.185 votos a favor e apenas 131 contra. O projeto segue agora para a última etapa de tramitação antes de se tornar lei: a sanção presidencial.

Segundo o texto aprovado, poderá exercer a atividade de historiador quem tem diploma de curso superior, mestrado ou doutorado em História; diploma de mestrado ou doutorado obtido em programa de pós-graduação reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com linha de pesquisa dedicada à História; e profissionais diplomados em outras áreas que comprovarem ter exercido a profissão de historiador por mais de cinco anos a contar da data da promulgação da futura lei.

Luta antiga

A regulamentação da profissão de historiador é uma luta antiga dos historiadores brasileiros e da principal associação da classe no país, a Associação Nacional de História (ANPUH), fundada em 1961. A primeira tentativa de normatização ocorreu em 1968, quando um projeto foi apresentado à Câmara Federal pelo então deputado Ewaldo de Almeida Pinto, que acatou por sua vez um anteprojeto de regulamentação que lhe fora proposto pelo jornalista Heródoto Barbeiro, à época presidente da Federação Brasileira de Centros de Estudos Históricos (FBCEH), ligada a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Regulamentação da profissão de historiador no Brasil: muitas oportunidades e um risco considerável 1
Projeto de lei segue agora para sanção presidencial. Foto: Pixaby.

A relação com o movimento estudantil, que então fazia dura oposição à ditadura militar, custou caro: representantes dos militares no Congresso Nacional fizeram com que o projeto fosse sumariamente arquivado. Depois disso, até a aprovação em 2020, foram feitas oito tentativas visando a regulamentação: em 1983 (PL2647), em 1991 (PL1883), em 1994 (PL4753), em 1995 (PL351), em 1999 (PL2047;PL2260; PL3492) e em 2004 (PL3759). Todos os oito projetos foram arquivados por motivos diferentes – leia aqui um dossiê cronológico completo produzido pela ANPUH.

A presidente da ANPUH, a historiadora Márcia Motta, professora de História na UFF, comemorou a notícia com um vídeo publicado no perfil da entidade no Twitter: “A Associação Nacional de História parabeniza a todos os historiadores e historiadoras pela regulamentação de nossa profissão (…) por essa conquista que demorou muitos anos”.

Divisão dentro da comunidade acadêmica

A aprovação do atual projeto de regulamentação da profissão de historiador não se deu sem que antes se produzisse interpretações divergentes sobre o mesmo no meio acadêmico. Em 2012, em entrevista à Folha de S. Paulo, por exemplo, o historiador e cientista político José Murilo de Carvalho se manifestou contra a regulamentação: “Isso é um corporativismo inadmissível. Reserva de mercado é algo absurdo. Posso listar grandes historiadores brasileiros que não são formados em história”.

Já o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, quando ainda ocupava o cargo de presidente da ANPUH, em 2015, manifestou-se favorável. Em texto, explicou a sua posição: “o que está em jogo, principalmente, é uma iniciativa legislativa que vai retirar obstáculos à contratação de historiadores nos órgãos públicos, com possíveis desdobramentos positivos para a formação profissional, ao tornar a carreira um pouco mais atraente para os jovens”.

Na imprensa, o tema também repercutiu. Em 2012, o jornalista da Folha de S. Paulo Fernando Rodrigues publicou um artigo no jornal paulista chamando o texto do projeto de lei de “estapafúrdio” e de “um maniqueísmo atroz”. Rodrigues entendeu que o projeto impediria que pessoas sem diploma de história lecionassem a disciplina. O projeto, ele afirmou, “ignora que médicos, sociólogos, economistas, engenheiros, juristas, jornalistas ou cidadãos sem diploma possam acumular conhecimentos históricos sobre suas áreas de atuação. Terão todos de guardar para si o que aprenderem”.

Na época, o PL realmente previa que o exercício da profissão de historiador, em todo o território nacional, seria “privativo dos portadores de diploma de curso superior em história, expedido por instituição regular de ensino”. Mas isso não poderia ter qualquer efeito no campo do magistério. Rodrigues ignorou as Leis de Diretrizes e Bases (LDB) e os editais de concursos das universidades, que já permitem há bastante tempo que profissionais de outras áreas lecionem história. O PL não poderia passar por cima de nenhum dos dois – no máximo provocaria um choque com eles.

Dois dias depois da publicação do artigo de Rodrigues, o historiador Benito Bisso Schmidt, então presidente da ANPUH, e o senador Paulo Paim, publicaram na mesma Folha de S. Paulo um artigo dizendo que “algumas controvérsias” derivavam do “desconhecimento do projeto”. Os dois esclareciam que ninguém seria impedido de escrever história caso o projeto de lei fosse aprovado (rumor que surgiu na época) e não mexeria nas exigências já previstas em lei quanto ao magistério. “O projeto não veda a ninguém o direito de escrever sobre história nem pretende impor de uma hora para outra a especialização a todos os docentes. Apenas quer assegurar a presença de historiadores profissionais em espaços dedicados ao ensino e à pesquisa científica em história, para que esses possam, em colaboração com outros estudiosos, contribuir para o avanço da área.”

Os jornalistas não foram os únicos a achar que o magistério estaria sob ameaça. Na época, em entrevista ao Estado de S. Paulo, o sociólogo Simon Schwartzman, então presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), tomou dados do Censo Escolar de 2010 que mostravam o déficit de professores de História do Ensino Básico no Brasil para criticar o projeto de lei da regulamentação, afirmando que esse déficit seria ainda maior caso o mesmo fosse aprovado. “A oferta atual não vai dar conta da necessidade que vai gerar de professores com graduação de história nem de profissionais especializados. Vão criar mais um problema com essa lei, que atende a interesses corporativistas”, afirmou.

A interpretação de que a regulamentação da profissão de historiador impediria outras pessoas de escreverem história e eliminaria a interdisciplinaridade em escolas e universidades era, assim, um falso problema, embora compreensível, já que o texto do PL não fazia menção, por exemplo, a LDB. Porém, outro problema, esse sim real e bastante grave, dizia respeito a interdição de reconhecimento à pesquisadores acadêmicos de outras áreas, mesmo que tais áreas contemplassem a história.

Pesquisadores de “áreas fronteiriças” logo notaram o problema. A Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC)  foi a primeira a expressar os seus medos. A entidade, que reúne pesquisadores em história, mas com formação em programas interdisciplinares, publicou uma carta aberta mostrando que diversos historiadores da ciência perigavam ser desconsiderados por aquela primeira versão do projeto de lei. Reação semelhante teve a Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE), que divulgou manifesto em oposição PL. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), em apoio às diversas sociedades científicas e associações profissionais, foram outras entidades também se movimentaram nesta direção, enviando uma carta ao Congresso Nacional na qual pediam a recusa da medida.

Diante de tantos questionamentos, o projeto passou alguns anos estacionado, e os próprios historiadores envolvidos no debate, além da própria ANPUH, começaram a revisar o seu texto, propondo aos parlamentares alterações que julgavam necessárias a fim de mostrar que regulamentação não era uma questão de reserva de mercado e impedir qualquer tipo de injustiça contra profissionais formados em outras áreas, desde que oriundos de programas com linhas de concentração em história. Foi assim que surgiu, em 2015, depois de muito debate e algum consenso, o texto substitutivo aprovado em 2020 no Senado.

Oportunidades e riscos do projeto aprovado

Uma das principais mudanças do novo texto é muito positiva: os profissionais das “áreas fronteiriças”, por exemplo, os historiadores da educação ou da ciência, são plenamente reconhecidos como historiadores. Ou seja, ficava definitivamente afastada qualquer leitura de “reserva de mercado”. A intenção da ANPUH e dos diversos historiadores que apoiam o projeto, na verdade, sempre foi de uma forma geral muito nobre: acredita-se que a regulamentação da profissão pode gerar mais empregos, estimular o interesse dos jovens pela área, evitar casos de assédio moral em ambientes de trabalho, promover o reconhecimento social da profissão, combater a precarização neoliberal, conferir segurança jurídica aos profissionais e contribuir para a qualificação da historiografia produzida no país – e é possível que muitos desses benefícios se concretizem se o projeto virar lei, o que explica o fato de tantos historiadores formados (eu me incluo nesse grupo) serem a favor da regulamentação.

Por outro lado, existe um risco significativo no projeto de lei que agora espera a assinatura do presidente Jair Bolsonaro: o item “V” do Art. 3º. Esse item estabelece que o exercício da profissão de Historiador, em todo o território nacional, é assegurado aos “profissionais diplomados em outras áreas que tenham exercido, comprovadamente, há mais de 5 (cinco) anos, a profissão de Historiador, a contar da data da promulgação desta Lei”.

Não consegui identificar qual parlamentar propôs a alteração, mas a novidade apareceu durante os debates sobre a questão realizados na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP), no âmbito da Câmara dos Deputados. O Senador Edison Lobão, Presidente daquele grupo de trabalho, e a Senadora Gleisi Hoffimann, Relatora “ad hoc” do mesmo, explicam do seguinte modo a mudança:

“Trata-se de uma correção justa, frequente nas regulamentações de profissões, no sentido de preservar direitos adquiridos e valorizar profissionais que já se encontram no mercado de trabalho, em exercício da profissão que se pretende regulamentar. É o caso, bem lembrado na CTASP da Câmara, dos professores de história do ensino fundamental: muitos são formados em outros cursos da área de ciências humanas”. (veja aqui o quadro comparativo entre o projeto original, de 2009, e o substitutivo, de 2015).

Paulo Paim
Paulo Paim é Senador pelo Partido dos Trabalhadores, Rio Grande do Sul.

Inicialmente, este item contempla não só os mencionados docentes, como bem apontado acima, mas também profissionais de áreas vizinhas da “História”, tais como sociólogos, internacionalistas, comunicadores, filósofos, bibliotecários, museólogos e arquivistas e professores com diferentes formações – profissionais qualificados que, de fato, podem desenvolver algumas atividades descritas pelo projeto de lei como atribuições do historiador, a saber: organização de informações para publicações; exposições e eventos sobre temas de História; planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica; assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica; assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos para fins de preservação; elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.

Porém, existe uma ranhura nesse item do projeto de lei que requer cautela, uma espécie “efeito colateral” que pode surgir caso a regulamentação seja aprovada por Bolsonaro: ele facilita a obtenção do registro profissional por pessoas comprometidas apenas com agendas políticas, bastando demonstrar que nos últimos cinco anos atuaram como historiadoras. Nenhuma formação específica em história é demandada neste caso. O registro seria uma forma de obterem autoridade e legitimidade.

Com ou sem formação em história, sempre é possível que um profissional atue sem ética, tendo em vista apenas projetos políticos. Mas observando o contexto em que vivemos, este item do projeto facilita muito a vida de um grupo bastante antiético que vem ganhando terreno no país e no mundo.

Usos políticos da história

Nos últimos cinco anos, o Brasil, seguindo uma tendência global, testemunhou o avanço de movimentos e grupos ultraconservadores e autoritários que utilizam a história como forma de legitimação de suas práticas políticas. Esses grupos são os principais formuladores de diferentes tipo de negacionismos históricos – produzem narrativas históricas que negam ou relativizam o racismo, a escravidão, a homofobia, os direitos humanos, o Holocausto, a ditadura militar, o desmatamento e a desigualdade social, dentro outras questões sociais importantes para o campo historiográfico.

Negam, mentem ou distorcem o passado com a finalidade de proteger privilégios simbólicos e materiais que reconhecem estar perdendo diante da consolidação, nos últimos anos, de narrativas históricas mais inclusivas, emancipatórias e marcadas pela diversidade. No Brasil, a exemplo de outros países, esse reativo grupo chegou ao poder e já ocupa cargos de relevo em todo o Estado.

Uma vez que a história produzida por esses indivíduos e grupos é uma história falsificada e, portanto, carente de idoneidade acadêmica, a obtenção do registro profissional poderá funcionar como um atalho para lograr a tão perseguida chancela profissional, agora reconhecida pelo Estado – por mais que se viva hoje uma era de anti-intelectualismo e anti-cientificismo, tais indivíduos têm consciência de que a chancela intelectual e científica são fundamentais para dotar seus projetos de autoridade.

Enquanto as universidades públicas enfrentam cortes expressivos de receitas, contingenciamento, tetos de gastos, diminuição de bolsas de estudos, interrupções de concurso públicos e outros desinvestimentos, empresas privadas especializadas na produção narrativas históricas negacionistas têm avançado em diversas frentes. Podem assumir muitas formas: produtoras de vídeos, sites, revistas, perfis de redes sociais, editoras, periódicos, agências de consultorias e assessorias.

“O item “V” do Art. 3º do aprovado projeto de lei que regulamenta a profissão de historiador no Brasil abre uma brecha para que profissionais desvinculados da ética e das regras do ofício possam receber muito facilmente a chancela de historiadores profissionais, haja vista que a lei, caso sancionada, observaria, de acordo o referido item, apenas o desempenho de funções descritivas, dispensando a obrigatoriedade, neste caso, de formação profissional em História ou área equivalente. O item “V” do Art. 3º faz, assim, com que a força da lei sobreponha-se a força do campo.

A possibilidade da criação de um Conselho Federal ou de conselhos regionais de história, algo que até o início da década passada assustava até mesmo os que defendiam a regulamentação da profissão, pode surgir nesse momento como um mecanismo de contenção de práticas desonestas de escrita da história. Contudo, mesmo que tais conselhos existam, que poder eles realmente teriam e o que impediria concretamente que esses conselhos, tomados então como impedimentos de arbitrariedades, não caiam nas mãos dos negacionistas, tornando-se mais um instrumento para a legitimação de suas práticas políticas?

Sanção presidencial: o que esperar?

O presidente Jair Bolsonaro sancionará o projeto de lei aprovado pelo Senado Federal? Muitos de meus colegas historiadores acreditam que não. E com razão, afinal de contas, a Associação Nacional de Historia, uma das grandes interessadas na aprovação do projeto, têm promovido uma aberta oposição ao atual governo. Além disso, a prática de regulamentação de profissões vai contra o neoliberalismo que orienta a gestão Bolsonaro.

Mas o que tem acontecido, na verdade, é o contrário. Em novembro de 2019, o governo federal revogou além de artigos da Consolidação das Leis Trabalhistas, uma série de leis específicas que determinavam a obrigatoriedade de registro profissional para diversas carreiras. No total 11 categorias profissionais foram afetadas: jornalista, artista, corretor de seguros, publicitário, atuário, arquivista e técnico de arquivo, radialista, estatístico, sociólogo, secretário, guardador e lavador autônomo de veículos. O registro junto às Superintendências Regionais de Trabalho não será mais exigido para nenhuma delas, o que gerou diversas denúncias de precarização profissional por parte de associações que representam esses profissionais. Para neoliberais, conselhos, marcos regulatórios e registros profissionais emperram a economia e oneram o Estado.

Porém, existe uma possibilidade significativa de que Bolsonaro sancione a regulamentação da profissão de historiador, contrariando a lógica que até agora tem regido a sua administração: muitos dos grupos negacionistas que citei anteriormente apoiam o seu governo. São eles que produzem insumos que energizam o atual governo. Se Bolsonaro sancionar o projeto de lei aprovado este ano, temos um indicador talvez de que esses indivíduos e grupos, sobretudo os que operam dentro da chave negacionista, podem estar mais próximos do poder em Brasília do que se imaginava. A conferir.

Bruno Leal Pastor de Carvalho é fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social (UFRJ, 2015). Mestre em Memória Social (UNIRIO, 2009), Especialista em História Contemporânea (PUCRS, 2010), Graduado em História (UERJ, 2006) e Comunicação Social (UFRJ, 2006). Foi professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra, com especial ênfase no destino dos criminosos nazistas. Foi cocoordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos e Árabes da UFRJ, o NIEJ entre 2011 e 2018. É membro da Rede Brasileira de História Pública e da Associação das Humanidades Digitais.

Como citar este artigo

CARVALHO, Bruno Leal Pastor de. Regulamentação da profissão de historiador no Brasil: muitas oportunidades e um risco considerável (Artigo). In: Café História – história feita com cliques. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/regulamentacao-da-profissao-de-historiador-riscos-oportunidades/. Publicado em: 24 fev. 2020. ISSN: 2674-5917. Acesso: [informar a data].

28 Comentário

  1. È um bom princìpio para que a populaçao seja incentivada a respeitar mais a Histöria,neste caso na forma dos museus portugueses,para que nao sejam mais incendiados.
    Que nao sejam um alvo a abater,que os visitem e aprendam o que a Historia ensina.
    O passado e o presente sao o futuro.

  2. Desculpe, Schieder, mas não entendi o seu ponto. Qual seria a relação entre “museus portugueses” (??) e o debate sobre a regulamentação da profissão de historiador no Brasil? Museus são alvos de ataques?

    • Bruno Leal, acredito que ele se refere à imagem da História do Brasil, como um “refugo” mostrado nos museus portugueses.
      Acredito que a partir da regulamentação, a história e historiografia brasileiras serão levadas a sério, como se deve.
      É interessante, para nós historiadores, sermos profissionalmente amparados para que nossa voz ecoe por direitos vigentes em lei, e que se conheça melhor a real importância do historiador na sociedade.

      • Obrigado pelo comentário, Marcel. Tomara que isso aconteça mesmo, Marcel.
        O problema é a brecha que eu aponto: isso pode fazer com que a profissão seja precarizada.

        • Boa noite Café História, sim, é um risco. Embora eu acredite que a ANPUH tem essa função, ou seja, de proteger nosso exercício profissional, uma vez que serviria como um órgão regulamentador. Nossa profissão se encontra precarizada porque, especificamente no âmbito da pesquisa, tem sido praticada por profissionais que não tem o “olhar histórico ” treinado como os que são graduados em História. Nada contra pessoas darem testemunhos de eventos. Minha ressalva é no sentido de, nós, enquanto historiadores, exploramos mais esse “nicho”.

          • Complicado mesmo, Marcel. A ANPUH, porém, pode se tornar um órgão regulamentador.
            Ela é uma associação. É diferente de uma OAB, por exemplo, Abraço!

      • Podes falar diretamente contigo.
        Historia nao è refugo e nao vais concerteza reescrever a Historia do Brasil,pois estä escrita ä muito tempo è nao hä incendiärio que a destrua,nem um falso historiador.
        Entendi muito bem o conteüdo do teu artigo e por esse artigo posso deduzir que a queima da Historia brasileira vai continuar a arder e a ficar em cinzas.
        Vös sois os unicos perdedores.
        Nao podemos ir contra a vossa vontade de destruir o patrimonio de mais de 500 anos,algo de muito valioso que nao pode ser mais recuperado.
        Se ès um verdadeiro historiador vais entender,senao foi uma perda de tempo estar aqui a escrever.

    • Boa tarde,Bruno

      Värios museus portugueses foram incendiados.
      Acho muito estranho que isso nao seja conhecido no vosso meio.
      Nao foi o primeiro a arder e ninguèm fez nada para que isso nao acontecesse,bem os bombeiros
      Parece que è para queimar porque è portugues.
      È assunto de discussao no CH,
      Porque querem destruira a historia colonial?
      O assunto è muito grave

      • Perguntei pois a sua fala anterior estava um pouco truncada. Não vivo em Portugal. Então, não sei a quais casos você exatamente está se referindo.
        Nos últimos anos, no Brasil, dois grandes museus brasileiros foram queimados em circunstâncias diferentes: o Museu da Língua Portuguesa (SP) e o Museu Nacional (RJ).
        Mas não acho que a regulamentação da profissão de historiador guarde relação direta com a questão dos museus, embora ambos falem sobre o passado.
        Mas sim, trata-se de algo gravíssimo mesmo.

        • Boa noite,Bruno
          Eu compreendo o teu problemas.
          Achas que eu me ia queixar se os museus incendiados fossem em Portugal?
          Se a queima dos museus continuar nao vao ser precisos mais historiadores?que pena!
          Para que haja historiadores è preciso que haja museus,nao sei quantos mais museus restam no Brasil ,espero que muitos porque o apetite para os destruiram è grande.
          O daesh tambem tentou destruir todos os vestìgios de outras religioes,nao conseguiram,
          Vös tambem nao ides conseguir.

        • Boa noite,Bruno,nunca disse que vivo em Portugal
          Comecei no Ch em 2008 e nesse tempo jä estava a viver em Munique ä algums anos.
          Sou um tipo muito paciente,è uma qualidade que se ganha com a idade,tudo em prol da Histöria,mesmo que para isso tenha que ter algums dialogos disfuncionais com alguns que se dizem historiadores,mas pouco vejo neles algo que indique que defendem a Historia Universal,pois è disso que estamos a falar e aqui nao hä fronteiras,paixoes de se gostar ou nao dos antigos colonizadores,è algo que è lido ppr todos que teem interesse em Historia e que nao vao gostar de saber que os brasileiros andam a por em cinzas um espolio insubstituivel sö porque acham que mereciam melhores colonizadores.

  3. EXCELENTE ARTIGO QUE ABORDA A REGULAMENTAÇÃO COMO POSSIBILIDADE DE MANIPULAÇÃO DE GRUPOS QUE BUSCAM LEGITIMAR-SE PARA UMA PRÁTICA NEGACIONISTA E NÃO CIENTÍFICA.

    • Bom, a regulamentação ocorreu, se for criado um Conselho Federal de História, poderá ocorrer o risco dele ser ideológico também? Como ocorre com a OAB? É um risco sério da história deixar de ser história e virar crônica do passado com a cabeça ideológica de cada um nos dias atuais.

    • Sim, Bárbara com toda certeza foi muito positivo ver o historiador ser agredido em sala de aula, pelos alunos que ser formaram nas aulas do professor Olavo de Carvalho e nem se quer termos nossa profissão regulamentada e nem ao menos um Conselho para defender a classe e apurar a questão. Também foi muito positivo ver a história envolvida em um polêmica quanto na verdade a classe deveria estar refletindo em como amenizar a questão, já que por sermos cientistas deveríamos ser os primeiros a tentar solucionar os conflitos e não aumentá-los e uma classe regulamentada e unida é muito mais forte.

  4. È bom que haja interesse em regulamentar profissoes e em especial a que respeita a Histöria,mas por outro lado destroiem os museus,isso nao faz sentido,aceitam a lei por um lado e pelo outro destroiem o patrimönio cultural.
    Povo sem museus è um povo sem cultura.

  5. Infelizmente, o veto por parte desse tal presidente vem corroborar com as idéias daqueles que nunca defenderam que a história é uma ciência que leva o povo a refletir e agir dentro da defesa democrática de direito. Somente através de historiadores dedicados se acentua a credibilidade dos acontecimentos e a mantenedora cultural básica de um povo. Vamos continuar lutando para que seja aprovado esse reconhecimento.

  6. Tenho pena dos estudantes do curso História, sobretudo os de graduação, pois aspiram/ sonham com uma profissão promissora e que lhe garantam conforto para si e sua família. O curso de História continuará sendo motivo de vergonha, não pela qualidade, erudição e importância do curso, mas tão somente pela falta perspectiva financeira e social da profissão, onde TODOS podem exercer a profissão minguada de historiador, diferente da profissão de economista, medicina, direito, nutrição, museologia e etc….. Por que um jovem no Brasil fará um curso RICO em conteúdo e POBRE em oportunidades profissionais?

  7. Revivo aqui este debate, pois de fato o presidente vetou o projeto. No entanto, esta semana o Senado derrubou o veto presidencial, então a lei deverá entrar em vigor em breve. No entanto eu fico aqui com um questionamento:

    Com a regulamentação, não teremos mais historiadores como José Murilo de Carvalho, Sérgio Buarque de Holanda, Laurentino Gomes e Paulo Rezzutti (entre tantos outros), visto que nenhum destes possui diploma em curso de História?

  8. Bom, gostaria de compreender uma vez que não ficou muito claro, qual é exatamente o risco considerável de ter uma profissão “legalizada” e com um conselho ativo para a regulamentação do exercício da profissão? Uma vez que países como Espanha e Portugal o historiador tem um “conselho” atuante, e de acordo com a historiografia as classes mais organizadas são as que possuem a sua profissão regulamentada. Gostaria de compreender também, qual é o objetivo de estudo da história no brasil? Estudar um acontecimento no tempo e servir a humanidade bem como a sociedade em que vivemos ou fazer “versões da história”? Desde quando é mais importante fazer a “história das migalhas” do que formar pessoas para que elas compreendam que a história não estuda o passado? Talvez, se nos preocupássemos menos em trazer para o presente os erros do passado com um “sentimento de desfavorecimento” hoje teríamos um povo menos preconceituoso, mais interessado pela história, mais politizado e muito provavelmente não teríamos mais um presidente incompetente, uma vez que a nossa população não compreende o cientificismo em ciências humanas e isso é uma perda para nossa sociedade. O que é mais importante? formar pessoas capazes de pensar por elas mesmas ou continuarmos sendo os ” Senhores dos Annales” ? definitivamente não sei mais o que é preciso acontecer para a comunidade acadêmica brasileira perceber que também temos responsabilidade por esse cenário político que nos encontramos e parar de se fazer de vítima, parar de colocar a culpa no povo brasileiro descendente da política do “toma lá da cá”, do populismo e de um sistema público de ensino funcional tendo em conta que boa parte do eleitorado do atual presidente é formado pelo MENOS FAVORECIDO.

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