A difícil conquista da Itália na Segunda Guerra Mundial

Organizada no contexto da derrota do Eixo no norte da África, a luta na frente italiana foi controversa entre os líderes aliados e cobrou um preço alto das suas tropas. No Brasil, a Campanha da Itália está associada à Força Expedicionária Brasileira (FEB).
25 de maio de 2026
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US 13th Armored Regiment entra em Roma, 4 Junho de 1944. Imagem: Wikimedia

A Campanha da Itália ocorreu entre os anos de 1943 e 1945, no teatro de operações do Mediterrâneo. Suas origens estão situadas no ocaso da Campanha do Norte da África, com a aproximação de uma vitória dos aliados sobre as forças militares alemães e italianas. Era necessário, portanto, decidir o que fazer após a derrota do Eixo. Nessas circunstâncias, optou-se pela invasão da Sicília, histórica ilha localizada ao sul da península Itálica, sendo dela separada pelo estreito de Messina.

Uma decisão controversa

A Operação Husky, nome dado ao plano de invasão da Sicília, foi concebida e colocada em ação entre duas concepções distintas sobre a abertura de uma nova frente de combate na Europa. As lideranças militares dos Estados Unidos defendiam a invasão do continente europeu de forma mais direta, por meio de um ataque à França pelo Canal da Mancha, sendo a Operação Overlord sua expressão no planejamento militar. Já os britânicos defendiam uma ofensiva indireta pela Itália, que, para Winston Churchill, era o ponto fraco do Eixo na Europa.

Segundo anotou o historiador Simon Rigge, a invasão da Itália seria um meio eficaz de manter a ameaça aliada aos Bálcãs e forçar Hitler a dispersar suas forças armadas. Não havia, portanto, consenso entre americanos e britânicos, sendo a invasão da Sicília considerada, inicialmente, um arremate estratégico da campanha do norte da África, com o objetivo de reabrir a rota marítima do mar Mediterrâneo.

A invasão da Sicília

Em 10 de julho de 1943, a invasão da Sicília foi iniciada por meio da Operação Husky, considerada o maior ataque anfíbio aliado no conflito. Foram mobilizadas 3 mil embarcações, que partiram de diversos locais da África setentrional, como Argel, Suez e Túnis, ou mesmo, da Escócia, no Reino Unido. O Quartel-General (QG) de operações foi instalado na ilha de Malta, cujos aeródromos operaram em capacidade máxima. O VII Exército dos Estados Unidos e o VIII Exército do Reino Unido foram engajados na invasão, que foi concluída em 38 dias.

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Esta patrulha de combate afro-americana avançou cinco quilômetros ao norte de Lucca (o ponto mais distante ocupado por tropas americanas) para entrar em contato com um ninho de metralhadoras inimigo. Aqui, um homem armado com um bazuca dispara contra o alvo a cerca de 274 metros de distância. Foto: Wikimedia.
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Tropas da 51ª Divisão das Terras Altas descarregando suprimentos de embarcações de desembarque de tanques no primeiro dia da invasão aliada da Sicília, 10 de julho de 1943. Foto: Wikimedia.
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Tropas brasileiras chegam à cidade de Massarosa, Itália, em setembro de 1944.

Durante a invasão da Sicília, as tropas do Eixo, impotentes, se renderam em massa, às vezes, contingentes inteiros. Em particular, as rendições de tropas italianas, foram registradas e divulgadas na forma de material fotojornalístico, que chegou à imprensa brasileira por meio do Serviço Britânico de Notícias, sendo os italianos retratados de forma patética: um exército brancaleônico incapaz de resistir ao avanço aliado e que preferia a rendição.

No dia 11 de agosto, os alemães se retiraram para a península Itálica, por meio do estreito de Messina, sendo perseguidos pelos aliados, que iniciaram a invasão da Itália em 8 de setembro. Na ocasião, o Grande Conselho Fascista já depusera Benito Mussolini, que, com o sucesso da Operação Husky, motivou uma campanha italiana. Foi na Conferência de Quebec, em agosto de 1943, que os americanos concordaram com uma invasão do território peninsular, mediante a prioridade da Operação Overlord e de um desembarque britânico no sul da França.

A difícil conquista da Itália

O objetivo da Campanha da Itália seria conter o maior número possível de divisões da força terrestre da Alemanha no país. Contudo, a luta aliada na frente italiana foi difícil, sendo intensa a resistência alemã, especialmente, por meio das suas linhas de defesa, que iam de leste a oeste da Itália: as Linhas Gustav e Gótica, sendo essa última bem conhecida pela Força Expedicionária Brasileira. As defesas alemãs foram favorecidas pela geografia acidentada da Itália, que forçou o V e VII Exércitos, respectivamente, dos Estados Unidos e do Reino Unido a flanquearem a Linha Gustav por meio de operações anfíbias, em dois movimentos: os ataques contra Anzio (V Exército) e Monte Cassino (VII Exército), em 1944. As vitórias aliadas nesses locais cobraram “preços” altos: em Monte Cassino, por exemplo, foram contabilizadas 50 mil baixas, entre feridos e mortos.

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Emblemas de unidades aliadas que lutaram na Itália, entre as quais a FEB. As tropas aliadas que serviram na Campanha da Itália formaram uma força militar multinacional. Coleção do autor.

Para tornar a situação ainda mais dramática, as forças alemãs remanescentes de Monte Cassino não foram interceptadas pelo V Exército, na época, liderado pelo General Mark Wayne Clark, que preferiu entrar na cidade de Roma, que se declarou como “cidade aberta”, em 4 de junho de 1944. A escolha feita pelo General Mark Clark permitiu ao exército alemão se retirar para o norte e organizar uma nova linha de defesa que ficou conhecida como Linha Gótica, que foi considerada como o mais poderoso e impressionante sistema defensivo do Eixo arranjado na Itália, cuja conquista engajou os efetivos da FEB em ações de combate violentíssimas, a exemplo da região do Monte Castello.

A ofensiva aliada contra a Linha Gótica foi iniciada no final do mês de agosto de 1944, com a Operação Olive, que engajou na luta tanto o V quanto o VIII Exércitos. O governo britânico tinha grandes expectativas, com destaque para Churchill, uma vez que a operação, caso fosse bem-sucedida, permitiria a contenção do avanço do Exército Vermelho pelo Leste Europeu. O primeiro-ministro britânico considerava a Áustria e os Bálcãs os objetivos finais da Campanha da Itália, algo que torna plausível tal expectativa. A Operação Olive ocorreu entre agosto e setembro de 1944.

A Defensiva de Inverno

O período situado entre o final de 1944 e o começo de 1945 foi caracterizado por um inverno bastante rigoroso na Itália, cujo frio marcou as memórias dos ex-combatentes brasileiros da FEB. O mau tempo decorrente do inverno, as baixas e perdas materiais nas ofensivas anteriores, assim como a transferência de tropas para outros teatros operacionais, fizeram com que os aliados entrassem em um impasse com as forças do Eixo, que ficou conhecido como Defensiva de Inverno.

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Soldado Felisbino dos Santos, da FEB. O inverno italiano, de 1944 a 1945 foi severo e marcou as memórias dos expedicionários brasileiros. Coleção do autor.

Por ordem do Comando Aliado, foram cessadas todas as operações ofensivas na linha de frente, exceto aquelas rotineiras, das quais decorre a vida nas posições ocupadas pelas tropas. Na literatura sobre a FEB, por exemplo, foram realizadas patrulhas e os citados “golpes de mão” – ações de combate violentas, empreendidas por pequenas frações de uma tropa, que surpreendem o inimigo com o objetivo de exterminá-lo, fustigá-lo ou perturbá-lo, além de também poder ser um meio de captura de prisioneiros e obtenção de recursos para alimentar a inteligência para ações futuras. Na região onde os expedicionários brasileiros combateram, a defensiva foi de 13 de dezembro de 1944 a 18 de fevereiro de 1945.

A partir de fevereiro de 1945, as forças aliadas na Itália, por meio dos seus Exércitos e Divisões, iniciaram uma série de ofensivas, como, por exemplo, a Operação Encore, da qual a FEB fez parte, que, com a resistência italiana, resultaram na vitória na península.

Em 28 de abril de 1945, Mussolini foi executado. No dia seguinte, 29, as forças alemãs na Itália assinaram um instrumento de rendição incondicional em Caserta, uma comuna localizada na região da Campania e próxima de Nápoles. Finalmente, em 2 de maio de 1945, as lutas foram cessadas. Era o fim da Campanha da Itália.

Referências

FERRAZ, Francisco Cesar. Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Contexto, 2022 (História na Universidade e Temas Fundamentais).

JOWETT, Philip. The Italian Campaign 1941-1945: rare photographs from wartime archives. Barnsley: Pen & Sword Military, 2023 (Images of War).

LAMB, Richard. War in Italy: 1943-1945. A brutal stoty. Londres: Endeavour Press Ltd., 2017.

RIGGE, Simon. A Campanha da Itália. In.: ABRIL CULTURAL. História do século 20. São Paulo: Editora Abril, 1968.

Como citar este artigo

NETO, Wilson de Olibeira. A difícil conquista da Itália na Segunda Guerra Mundial (artigo)  In: Café História. Publicado em 25 de maio de 2026. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/conquista-da-italia-segunda-guerra-mundial/. ISSN: 2674-5917.

Wilson de Oliveira Neto

Wilson de Oliveira Neto

Doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ. Possui Estágio Pós-Doutoral em História pelo PPGHS/UeL. Professor Adjunto da Univille Universidade, onde leciona, pesquisa e orienta estudos sobre fontes visuais, impressos e história militar com ênfases no fascismo histórico e na Segunda Guerra Mundial. Autor de artigos e livros, com destaque para o verbete “Segunda Guerra Mundial. Participação Brasileira (historiografia)” publicado no volume II do Dicionário de História Militar Brasileira.

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