Parto, nascimento e mortalidade infantil são destaques em nova edição de periódico científico de história

Novo dossiê da revista Manguinhos discute medicalização do parto, manuais de obstetrícia e outros objetos e temas.

Bruno Leal | Agência Café História

“Parto, nascimento e mortalidade infantil: saberes, reflexões e perspectivas” é o título da última edição de 2018 da revista História, Ciências e Saúde – Manguinhos, periódico de excelência na área de História da Ciência publicado pela Casa de Oswaldo Cruz, uma unidade da Fundação Oswaldo Cruz dedicada a pesquisa, ensino e divulgação da história das ciências e da saúde e a gestão e preservação do patrimônio cultural das ciências e da saúde e da memória da Fundação. Todos os textos são gratuitos e estão disponível aqui.

“Childbirth”, de Abraham Bosse, 1633. Fonte: The MET, NY. Harris Brisbane Dick Fund, 1926, Accession Number:26.49.40.

“Este dossiê coloca em foco o processo de medicalização do parto e suas consequências. A partir das últimas décadas do século XIX, o parto ingressou no âmbito da medicina e, aos poucos, foi se transformando em um evento completamente medicalizado. Esse processo histórico se ampliou fortemente no decorrer do século XX, em diversas regiões do globo, trazendo consigo importantes vantagens relacionadas, principalmente, à diminuição dos índices de mortalidade materna e neonatal. No entanto, a intensificação da medicalização dos nascimentos também aponta para problemas, à medida que a excessiva tecnologização tem gerado críticas e insatisfações principalmente no que concerne às consequências clínicas, físicas e emocionais do excesso de intervenções”, explicam Luiz Antônio Teixeira, Andreza Rodrigues Nakano e Marina Fisher Nucci, organizadores do dossiê da Manguinhos.

Vida e morte no parto

Um dos destaques desta edição é o artigo “Vida e morte no parto: saúde reprodutiva das mulheres no Rio de Janeiro do início do século XX”, de Cassia Roth, professora do Departamento de História da Universidade de Geórgia, nos Estados Unidos. Segundo Roth, as principais causas de natimortalidade no período eram sífilis e complicações obstétricas, enquanto febre puerperal encabeçava as taxas de morte materna”. O artigo utiliza fontes tradicionais como teses doutorais e fontes como investigações criminais, e aponta que “apesar dos esforços oficiais para medicalizar o parto e aumentar o acesso aos serviços de saúde, nenhuma melhoria real foi feita na saúde reprodutiva das mulheres na primeira metade do século XX”. De acordo com a historiadora, “isso, certamente, não facilitou a gravidez e o parto das mulheres que compunham as estatísticas em suas vidas reprodutivas.


Referências

ROTH, Cassia. Birthing life and death: women’s reproductive health in early twentieth-century Rio de Janeiro. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.25, n.4, out.-dez. 2018, p.921-941. http://dx.doi.org/10.1590/s0104-59702018000500003


Como citar esta notícia

CARVALHO, Bruno Leal Pastor de. Parto, nascimento e mortalidade infantis são destaques em nova edição de periódico científico de história (notícia). In: Café História – história feita com cliques. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/parto-nascimento-morte/. Publicado em: 11 jan. 2019. Acesso: [informar data].

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