Napoleão Experience – um relato impensável?

O que dois historiadores acharam da mais nova - e multimídia - exposição sobre a vida de Napoleão Bonaparte.
Napoleão Experience – um relato impensável? 1
A imersão total da Napoleão Experience. Foto: divulgação.

A Napoleão Experience é uma exposição imersiva disposta, no momento de confecção deste artigo, que passou pelos shoppings Diamond Mall (Belo Horizonte -MG) e no Park Shopping (Brasília – DF) em julho e agosto. Segundo a organização do evento, em breve também chegará ao estado de São Paulo. Trata-se de uma adaptação ao Brasil da Napoleón, l’Épopée Immersive, experiência próxima disposta na França, nas cidades de Bordeaux, Lyon e Ajaccio (comuna em que Napoleão nasceu na Córsega, ainda hoje um território francês), assim como em Bruxelas (Bélgica) e em Birmingham (Inglaterra). Em todos os casos, trata-se do mesmo vídeo de realidade virtual, só que dublado em português. Aos interessados, outros idiomas (inglês, francês e espanhol) também estão disponíveis. Aos aficionados por Napoleão, a Napoleão Experience também conta com uma gift shop que vende canecas, garrafinhas d’água, marcadores de página, bottons e ímãs de geladeira personalizados.

Quando fomos prestigiá-la em Belo Horizonte, esperávamos o pior. Estávamos em um grupo composto majoritariamente por historiadores e estudantes de história, e, por isso, desconfiados dos prazeres simples proporcionados pela união entre narrativa histórica e inteligência artificial. Em muitos aspectos, ao contrário do que imaginávamos, a experiência foi surpreendente.

A construção da narrativa histórica

A Experience começa com uma linha do tempo que vai do nascimento à morte de Bonaparte, destacando ações e acontecimentos marcantes de sua vida. De maneira breve, é apresentada sua ascensão ao posto de general, sua campanha no norte da península italiana, o golpe de 18 de Brumário, sua coroação, a expansão militar e a derrota. A campanha do Egito, entretanto, adquire um caráter ambíguo: embora esteja presente nas imagens de divulgação, referenciada pelas pirâmides abaixo da figura de Bonaparte, foi pouco mencionada tanto nos textos que compõem o caminho até a realidade virtual, quanto na própria experiência interativa. Temas mais ásperos ligados a Bonaparte, como a retomada da escravidão, são brevemente citados. Discutiremos tais ambiguidades no decorrer desta resenha.

A linha do tempo, que se mescla a trajes e objetos expostos, guia o público até uma sala própria para o uso dos óculos de realidade virtual. Caso esteja cheia, o público pode se dirigir à sala ao lado, onde uma tela grande com um microfone se encontra próximo à saída. Trata-se da interação com o Napoleão IA.

Quando iniciada a imersão com realidade virtual, somos colocados em grupo em um salão em Santa Helena, no exílio de Napoleão. Enquanto parte da sua companhia restrita na ilha, acompanhamos o prisioneiro em uma sequência de flashbacks que remontam às suas conquistas, rememoradas e narradas pelo próprio protagonista. O uso dos óculos de realidade virtual, com a possibilidade do deslocamento nos cenários, aproxima pessoalmente ainda mais os espectadores de Bonaparte, que narra dramaticamente as suas campanhas em primeira pessoa.

A imersão é um convite à construção própria do mito de Napoleão Bonaparte. De acordo com o historiador Adam Zamoyski em sua biografia do primeiro Imperador dos franceses, Napoleão certificou-se de que os seus escritos no exílio registrassem suas opiniões e memórias sobre assuntos diversos, para que não faltasse material para a posteridade. Logo, a criação do mito napoleônico não é apenas um artifício narrativo da Experience, mas algo também presente na literatura sobre o período.

Napoleão Experience – um relato impensável? 2
Sala onde os participantes ficam. Foto: autores.

Desde os primeiros instantes, o público tem acesso a uma construção histórica que privilegia alguns fatos em detrimento de outros, narrada de modo a apontar a singularidade de Napoleão frente aos acontecimentos. É notável o uso do termo “epopeia” para descrever a vida de Bonaparte. A epopeia parece aqui uma forma de organizar os eventos em um todo coerente, em torno de um herói central e uma visão grandiosa do passado. A grandiosidade de Napoleão é anunciada, na Experience, já quando de seu nascimento: um cometa teria cruzado o céu naquela noite, como presságio do que estaria por vir.

A juventude de Napoleão, assim como os seus familiares, foi ignorada. Os vínculos da família Buonaparte com outras figuras importantes da Córsega não foram mencionados (é importante ressaltar que o nome só se transformou em Bonaparte, sem o “u” que indica as origens corsas, quando do golpe de 18 de Brumário). Desse modo, a narrativa histórica ignora a importância da figura de Pasquale Paoli para o jovem Napoleão, assim como todo o contexto das Revoluções Atlânticas. A instabilidade da coroa francesa também não foi mencionada, o que desencadeou outras omissões significativas. A importância econômica e política da colônia de São Domingos (atual Haiti) foi ignorada. Até mesmo as movimentações políticas de Napoleão foram vítimas dessas omissões. O golpe de 18 de Brumário – parte de uma sucessão de golpes ocorridos nos últimos anos da Revolução Francesa – obteve sucesso não pela astúcia de Bonaparte e de outros conspiradores, mas pela intervenção de Luciano Bonaparte, irmão mais jovem de Napoleão e então senador, que prometera tornar-se Brutus caso seu irmão se revelasse um César.

O que, então, não foi ignorado? Determinados aspectos de sua carreira militar. Ao focalizar nas questões militares, o tom personalista na figura do Imperador é notável durante todo o percurso. Mesmo que a experiência trate superficialmente das questões pessoais e íntimas, praticamente todas as ações são apresentadas a partir da própria figura do Napoleão. Em geral, são de cunho estratégico-militar, aquelas em que o líder comandou pessoalmente as campanhas. Tais campanhas são experienciadas em momentos específicos: canhões sendo posicionados, os diferentes estágios da batalha e a superioridade da estratégia francesa (ou, no final, de sua insuficiência).

Construções famosas encomendadas por Napoleão em diferentes estágios de sua vida pública não são apenas mencionadas, mas, na seção com os óculos de realidade virtual, torna-se integral da experiência e da narrativa. Assim como os edifícios que ergueu, Napoleão também consolidou as bases que marcam a sociedade francesa (e mundial) até hoje, como exemplo do, também citado na experiência, seu Código Civil.

Mencionamos no começo dessa resenha que a Napoleão Experience é uma adaptação ao português de outra experiência interativa realizada na França. A narrativa não foi concebida por simples aficionados em Napoleão ou por equipes de ghost writers: ela contou com a leitura e a intervenção de membros da Fondation Napoleón, prestigiosa sociedade acadêmica francesa que se dedica a pesquisar, preservar e divulgar a história dos dois impérios franceses e da família Bonaparte. Thierry Lentz, diretor-geral da fundação desde o ano 2000, Pierre Branda e François Houdecek são alguns dos historiadores diretamente envolvidos no projeto, cada um tendo gasto volumes impressionantes de tinta para tratar da história de Bonaparte, de suas realizações e de seus fracassos.

Napoleão Experience – um relato impensável? 3
Caneca à venda no local. Foto: autores

Ao explicar e criticar alguns motivos do porquê da maioria dos estudos que se debruçam sobre a era napoleônica não tratar da escravidão nas colônias, Branda e Lentz, em um livro prévio (2006) dedicado ao tema, acabam por demonstrar possíveis recortes que nos são muito reveladores. Dentre os recortes, dois nos interessam em especial. O primeiro está na complexidade suficientemente grande dos eventos europeus, sendo comum a escolha de tratar essas guerras somente pelos locais em que Bonaparte pisou e atuou diretamente.

Nesse sentido, a Napoleão Experience faz jus e se retira da Europa apenas para (I) pisar na ilha de Santa Helena e (II) mencionar o Egito. O segundo motivo é demonstrado pelos autores ao argumentar que a opinião de Napoleão sobre a escravidão (assim como outros temas) era pouco baseada em princípios, mas sim, acima de tudo, motivada por questões pragmáticas. Essa mesma brevidade prática se faz presente na Experience: a retomada da escravidão é mencionada de maneira breve, compondo o seu oculto “legado sombrio” e, insinua Napoleão em sua narrativa, mais um stunt publicitário de seus inimigos do que algo cuja responsabilidade também cabe a ele.

Napoleão, a Revolução Francesa e o seu império

Tanto na realidade virtual quanto na interação com o Napoleão IA, as ações do cônsul (e depois Imperador) são mostradas como a consolidação dos princípios de liberdade da Revolução Francesa, acompanhadas pela centralização do poder na figura de Bonaparte. O passado revolucionário, mesmo que não especificado, é apresentado como “tempos tumultuosos”. Sendo assim, a sua narrativa é condizente com a propaganda napoleônica após o golpe de 1799, o 18 de Brumário, que reduziu o Diretório (1795-1799) a uma época de “corrupção e caos”. No colo de Napoleão, com o abraço popular, caiu a responsabilidade pela perpetuação dos ideais revolucionários.

Novamente confundindo o espectador entre o íntimo e a carreira do líder, a linha do tempo de sua vida reafirma o seu pragmatismo. A dimensão hereditária do Império por ele declarado é apresentada como condição necessária para “consolidar os avanços da Revolução”. No mesmo caminho, ao perguntar ao Napoleão IA a sua opinião sobre os jacobinos, ele foi categórico em responder que só se aproximou deles por interesses, já que possuíam o apelo popular, o que carece de fundamentação histórica, até mesmo porque o líder corso chegou a ser perseguido por sua posição. A própria ascensão militar de Napoleão, possibilitada pela quebra de privilégios das forças armadas na França revolucionária, não é mencionada no decorrer da Experience, como se as possibilidades de carreira que Bonaparte teve fossem comuns aos franceses mesmo antes de 1789.

Essa construção de um Napoleão apolítico – afinal, a Experience nunca se debruça sobre as suas empreitadas políticas – mas que, ao mesmo tempo, é político, pois sempre consciente das utilidades de cada um ao seu redor, oculta o próprio cenário em que o Bonaparte histórico esteve inserido. Em muitos casos, Napoleão mais foi peça nas maquinações alheias do que o enxadrista que a posteridade tanto se esforçou para cunhar. O seu primeiro casamento, por exemplo, foi fruto das vontades de seu então protetor, Paul Barras, que o apresentou a sua amante, Marie-Josèphe-Rose Tascher de la Pagerie, em 1793. Cinco anos mais velha, Marie era viúva e tinha dois filhos, além de outros amantes. A própria família de Bonaparte, inclusive, se opôs ao matrimônio e, quando da coroação imperial, que Josephine – nome que Napoleão deu à esposa após o casamento, em referência ao irmão, Joseph (Jerônimo, em português) – fosse coroada imperatriz.

A Napoleão Experience mantém distância considerável desse imbróglio familiar, e se limita a explicar que Bonaparte e Josephine se divorciaram pela incapacidade da imperatriz em produzir um herdeiro. A realidade mais complexa, que propiciou uma aliança com a Áustria e um frágil herdeiro, foi relegada à história especializada.

Em um determinado momento, durante a narrativa com os óculos de realidade virtual, Napoleão afirma ao público que o seu império ruiu porque outros povos desejaram os mesmos princípios que os franceses ambicionaram anteriormente. Esse trecho estabelece a chave trágica de interpretação para a queda de Bonaparte, afinal ele não só foi vítima do monstro que jurou destruir, como nele se transformou.

Napoleão Experience – um relato impensável? 4
A campanha de Napoleão em mapa. Foto: autores

Esse é um ponto de dubiedade narrativa que tensiona as próprias fundações da narrativa da Experience, mas que não é reconhecido. Esse herói, que se colocou contra o “tumulto” que foi a Revolução Francesa, tornou-se um tirano que liderou os seus seguidores à derrota. Entretanto, foi o fracasso do imperador, e não a sua tirania para com o resto da Europa, o tema do longo lamento de um soldado moribundo na Rússia, que questionou a capacidade de Napoleão de liderar em seus momentos finais. Até a tensão da ficcionalidade torna-se ferramenta para a construção da figura desse Napoleão específico da Napoleão Experience. Mas isso é com base no que foi apresentado. E o que as ausências nos revelam sobre as escolhas editoriais?

Apagamentos e menções superficiais – Egito e São Domingos

A expedição francesa ao Egito, liderada pelo então general Napoleão Bonaparte, é um elemento interessante da Napoleão Experience, pois, ao mesmo tempo em que é citada e sutilmente representada em certos momentos (o mapa das grandes campanhas de Bonaparte conta com uma menção ao Egito no canto inferior direito), sua importância não é devidamente destacada.

O Egito representou um momento fundamental da vida de Napoleão por razões políticas e pessoais. Ávido leitor de História Antiga, assim como muitos de seus conterrâneos, Napoleão admirava a figura de Alexandre, o Grande, e tinha um fascínio pelo Oriente. Mesmo após o retorno à França e o fracasso da ocupação francesa, ele manteve uma guarda de janissários consigo. A expedição foi de grande importância política e cultural. Politicamente, a expedição marcou uma virada no imperialismo francês pós-revolucionário, pois durante os anos de Revolução, e até as vésperas do fim do Diretório, a França intervia em outros países apenas se estes possuíssem grupos que compartilhassem dos ideais revolucionários.

Com a expedição, a França passou a interferir e a agir sobre outras reuniões com base em interesses que não fossem limitados às circunstâncias políticas do local de interesse. Em perspectiva cultural, a expedição marcou o nascimento da egiptologia do século XIX, com a descoberta da pedra de Rosetta. Esse último fato foi mencionado brevemente em um dos monólogos de Napoleão, na imersão com os óculos virtuais, quando ele narra as consequências positivas de seu governo e de suas ações.

Outro acontecimento da expedição que toca diretamente a trajetória política de Bonaparte, e que não foi mencionado na Napoleão Experience, é o fato de seu retorno à França ter sido um crime: após o seu objetivo frustrado de conquistar a Síria e as embarcações francesas, em Alexandria, terem sido destruídas pela frota inglesa, Napoleão abandonou o seu posto para retornar à França apenas um ano após sua chegada, em 1799. Ele deixou o comando da ocupação francesa do Egito nas mãos do general Jean Baptiste Kléber, que foi assassinado no Cairo em junho de 1800. A sua recepção calorosa na França se deveu ao desconhecimento, por parte da população do Hexágono, dos reveses enfrentados pela expedição. Foi essa recepção calorosa, somada à popularidade cuidadosamente construída por Bonaparte por meio de anos de esforços midiáticos, que consolidaram o seu nome como a melhor opção para o golpe de 18 de Brumário.

Mesmo frente a todas essas omissões, a Expedição é presença marcante do marketing da Napoleão Experience, com uma das pirâmides destacadas em todas as peças de divulgação, junto de outras construções famosas e mencionadas diretamente na Experience, nomeadamente o domo dourado da Igreja do Domo dos Inválidos e o Arco do Triunfo.

Se a expedição sofre dessa ambiguidade, o mesmo não pode ser dito a respeito da perda de São Domingos, uma das ausências mais gritantes durante toda a exposição. Apenas se menciona muito brevemente a volta da escravidão nas colônias, pensada como um “desvio”, algo secundário. Repetindo o tão criticado caráter impensável da Revolução Haitiana na historiografia, como apontou tão intensamente Michel-Rolph Trouillot, a Napoleão Experience não surpreende nesse aspecto. O que surpreende é que a ausência contrasta com a centralidade da questão da escravidão e das colônias para os autores que são parte da curadoria da Fondation Napoléon, com o exemplo do livro já citado de Pierre Branda e Thierry Lentz, Napoléon, l’esclavage et les colonies [Napoleão, a escravidão e as colônias].

Em um capítulo dedicado à São Domingos do livro de Branda e Lentz, os autores afirmam que, pelo tamanho da operação francesa dedicada às Américas a partir da paz preliminar com os britânicos (em outubro de 1801, oficializada com a Paz de Amiens, entre março de 1802 e maio de 1803), ela só pode ser comparada à expedição ao Egito. A manutenção colonial de São Domingos era mais do que uma campanha qualquer, e sim uma questão de afirmação da autoridade e da credibilidade napoleônica. Sendo assim, como também pontuou Zamoyski, a escolha do comandante para as tropas no “tesouro das Antilhas” não foi aleatória, mas de um homem de muita confiança: o General Charles Leclerc, cunhado de Napoleão. Como apontam Branda e Lentz, a escolha desse “Bonaparte loiro” (referindo-se comicamente a Leclerc) mostra a grande proximidade desejada por Napoleão da campanha militar em São Domingos, escolhendo a dedo um general de confiança como intermediário entre ele e Toussaint. Portanto, mesmo que o “primeiro dos brancos” – como Toussaint referiu-se a ele em carta – não tenha pisado na colônia, é impossível não notar que ele fez questão de colocar as suas próprias mãos nas decisões da ilha de maneira íntima.

 “Veracidade histórica”

Logo na entrada da Napoleão Experience, consta no primeiro cartaz que “a experiência explora a linha tênue entre o mito e a realidade histórica”, pensando Napoleão enquanto responsável pela “construção da sua própria lenda”. Ao mesmo tempo em que a imersão entretém o público com a saga épica e contraditória daquele “herói”, é impossível que não convide os historiadores e interessados no tema à reflexão sobre o que significa a “veracidade histórica”.

Ao entrar na exposição, a apresentação assume um discurso de oposição entre os “mitos” e as “realidades” da História, “revelando” os verdadeiros acontecimentos. No entanto, logo em seguida já apresenta as diversas réplicas de itens militares e condiciona o visitante à mais esperada imersão em realidade virtual. O enfoque militar, somado à representação apolítica de Napoleão, demonstra o posicionamento da Experience em evitar os assuntos vistos como polêmicos. Somos guiados a acompanhar as campanhas militares jogados diretamente no campo de batalha, mas não questionando as questões políticas das operações. A Napoleão Experience não está sozinha em reforçar a apresentação apolítica de Bonaparte. Essa característica também está presente em muitas das representações midiáticas recentes, como no filme dirigido por Ridley Scott, lançado no ano de 2023, como apontado em uma crítica ao filme publicada neste mesmo site.

O público acostumado com video games certamente se lembrará de Call of Duty, uma franquia de jogos shooter em primeira pessoa na qual pouco se detém nos porquês de apertar um gatilho. Por exemplo, não assistimos ao golpe de 18 de Brumário, algo que poderia ter um impacto muito diferente em países da América Latina ao remeter à memória dos “recentes” golpes militares do século XX. Do mesmo modo, respondendo à pergunta posta anteriormente, evitar tratar da escravidão também é evitar entrar em um tema especialmente caro para países como o Brasil.

Por fim, concluímos que as omissões e escolhas narrativas podem propiciar reflexões embasadas sobre a maneira como a nossa sociedade, cada vez mais tecnológica, consome e se relaciona com narrativas históricas. Desse modo, um público mais amplo e leigo, a Napoleão Experience fornece um entretenimento de qualidade sem a exposição de fake news ou narrativas preponderantes em canais de extrema-direita interessados na criação e divulgação de “interpretações históricas”. É uma imersão repleta de ausências, mas também de possibilidades.

Referências

BRANDA, Pierre ; LENTZ, Thierry. Napoléon, l’esclavage et les colonies. Paris: Fayard, 2006.

CARVALHO, Daniel Gomes de. Revolução Francesa. São Paulo: Contexto, 2022.

______. Napoleão Bonaparte e a Escravidão (Artigo). In: Café História. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/napoleao-e-a-escravidao/. Publicado em: 4 dez. 2023. ISSN: 2674-5917.

______. Um Napoleão que não faz política? Sobre o filme de Ridley Scott. In: Café História.  Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/um-napoleao-que-nao-faz-politica-sobre-o-filme-de-riddley-scott/.  Publicado em: 25 nov. 2023. ISSN: 2674-5917.

COLLER, Ian. Egypt in the French Revolution. In: DESAN, Suzanne; HUNT, Lynn; NELSON, William Max (eds.). The French Revolution in Global Perspective. Ithaca/London, Cornell University Press, 2013.

PINORI, Gino. A invasão napoleônica do Egito: 1798-1801 (Artigo). In: Café História. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/a-invasao-napoleonica-do-egito/. Publicado em 25 set. de 2023. ISSN: 2674-5917.

TROUILLOT, Michel-Rolph. Silenciando o passado: poder e produção da história Trad. Sebastião Nascimento. Curitiba: Huya, 2016.

WHITE, Hayden V. Metahistory: the historical imagination in nineteenth-century Europe. Baltimore, Maryland; The John Hopkins University Press, 1973.

ZAMOYSKI, Adam. Napoleão: O homem por trás do mito. Trad. Rogério Galindo. São Paulo, 2021.

Como citar este artigo

BERGONSO, Felipe Oliverio; PINORI, Gino de Castro. Napoleão Experience – um relato impensável?  (artigo). In: Café História. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/napoleao-experience/. ISSN: 2674-5917. Publicado em: 20 de agosto de 2025.

Leia também