Mídias Digitais: uma nova forma de se fazer livros

Mesa no XXIX Simp√≥sio Nacional de Hist√≥ria apresentou a experi√™ncia da Hist√≥[email protected] Illustrada, cole√ß√£o que explora as possibilidades multim√≠dia dos livros digitais.

Por Ana Paula Tavares | Agência Café História

Desenvolvida pelo Centro de Pesquisa em Hist√≥ria Social da Cultura da Universidade Estadual de Campinas (Cecult/Unicamp) e publicada pela editora da Unicamp, a cole√ß√£o ‚ÄúHist√≥[email protected] Illustrada‚ÄĚ re√ļne livros que desde o in√≠cio de sua elabora√ß√£o s√£o pensados para explorar as potencialidades que a o suporte digital oferece. Mais do que incluir ‚Äď de forma abundante ‚Äď imagens, sons e v√≠deos, o desafio √© repensar a narrativa do texto de forma a integrar as fontes n√£o textuais √† leitura, disponibilizadas em acesso livre.

Silvia-Lara-Livro-Digital
Silvia Lara durante sua apresentação na UnB. Foto: Ana Paula Tavares.

Na apresenta√ß√£o ‚ÄúM√≠dias Digitais: ‚ÄėHist√≥ria para ler, ver e ouvir‚Äô ‚Äď Os desafios da difus√£o do conhecimento no mundo contempor√Ęneo‚ÄĚ, Silvia Lara, coordenadora do projeto, compartilhou a experi√™ncia dessa nova produ√ß√£o. Ela conta que foram dois anos de trabalho, da ideia inicial at√© os primeiros lan√ßamentos.

‚Äď √Č um desafio convencer as editoras de que isso √© vi√°vel. Quando pensam em livro digital, pensam em pdf, onde n√£o cabe som e nem imagem. As editoras, as distribuidoras, os leitores [reader], todas as etapas da cadeia de produ√ß√£o de um livro n√£o est√£o preparadas para estes novos tipos de livro descolado do papel, essa nova linguagem.

Aprendizagens e dicas

Lara relatou que o projeto tem sido de muitas aprendizagens, erros e acertos: ‚Äúuma imensa quantidade de pequenos desafios‚ÄĚ. A primeira vers√£o do livro de estreia, por exemplo, havia sido feito com layout fixo, o que impossibilitava a inclus√£o simult√Ęnea da prote√ß√£o contra c√≥pia e do material multim√≠dia junto ‚Äď e o produto teve de ser refeito.

Respondendo ao p√ļblico, a coordenadora explicou que o respeito √†s leis de direitos autorais √© muito importante e se d√° de forma an√°loga √† din√Ęmica de uso de textos de terceiros nos livros impressos. A situa√ß√£o varia conforme o caso, podendo haver compra de material, negocia√ß√£o de licenciamento ou uso de trechos como cita√ß√£o.

Os desafios de escrever e-books

A cole√ß√£o j√° conta com dois livros lan√ßados ‚Äď ‚ÄúN√£o t√° sopa: sambas e sambistas no Rio de Janeiro‚ÄĚ, de Maria Clementina Pereira Cunha, que tamb√©m colabora na produ√ß√£o da cole√ß√£o, e ‚ÄúEstilo moderno: humor, literatura e publicidade em Bastos Tigre‚ÄĚ, de Marcelo Balaban ‚Äď al√©m de um prestes a ser lan√ßado, ‚ÄúDa senzala ao palco: can√ß√Ķes escravas e racismo nas Am√©ricas (1870-1930)‚ÄĚ, de Martha Abreu.

Balaban sublinhou que, ao ser convidado para escrever para a cole√ß√£o, a proposta era resgatar uma pesquisa que ele havia realizado e n√£o tinha publicado. Mas que foram necess√°rias muitas altera√ß√Ķes na transforma√ß√£o de sua pesquisa para a cria√ß√£o deste tipo de livro:

‚Äď Transformei os meus tr√™s cap√≠tulos em dez. O centro do texto n√£o √© necessariamente a narrativa historiogr√°fica, ent√£o essa escrita muda. A ideia √© de colocar num grau de import√Ęncia semelhante fontes mais completas e n√£o s√≥ os fragmentos que destacamos na nossa an√°lise como autores. E isso muda a forma que o texto vai ser lido.

Abreu chamou a aten√ß√£o para as orienta√ß√Ķes e regras que o autor precisa conhecer e se apropriar nessa produ√ß√£o.

‚Äď Quando voc√™ √© contatado por uma editora, ela s√≥ orienta sobre como devem ser as notas de rodap√© e a bibliografia. Agora, para esta cole√ß√£o, a Silvia me mandou um ‚Äúcatatau‚ÄĚ de regras. Foram muitas conversas, muitos ‚Äúskypes‚ÄĚ e negocia√ß√Ķes, sobre a qualidade imagem, por exemplo. E a possibilidade ‚Äď quase ilimitada ‚Äď de usar imagens, me fez ir atr√°s de mais material, de mais capas de partitura [das can√ß√Ķes de senzala]. A gente tinha conseguido muitas dos EUA, mas poucas daqui do Brasil. E com a motiva√ß√£o do livro, eu fui atr√°s.

Os livros e seus vídeos

Para cada livro foi realizado um v√≠deo, que n√£o faz exatamente um resumo do livro, mas algo pr√≥ximo de uma sinopse e de uma introdu√ß√£o √†s suas principais discuss√Ķes.

‚Äď N√£o quer√≠amos pensar s√≥ no debate acad√™mico, mas permitir que a gente pudesse ter um di√°logo direto na sala de aula. Ent√£o pensamos em produzir para cada livro um v√≠deo que pudesse ser usado na sala de aula, relata Silvia.

Os vídeos dos dois livros lançados estão disponíveis gratuitamente no Youtube e possuem legendas (ver abaixo). O vídeo do terceiro livro, inédito, foi exibido em primeira mão na ANPUH.

Os livros custam cerca de 14 reais e podem ser comprados nas livrarias online e s√£o feitos em vers√Ķes diferentes para cada dispositivo de leitura (reader). Na Amazon, √© preciso fazer download gratuito do Kindle (o programa de leitura roda em qualquer dispositivo, n√£o precisa do aparelho). Clique aqui e aqui. Outros tr√™s livros tamb√©m est√£o planejados ‚Äď todas as obras s√£o sobre pesquisas para as quais os suportes de √°udio e de imagem s√£o essenciais.


Como citar essa notícia

TAVARES, Ana Paula. M√≠dias Digitais: uma nova forma de se fazer livros. (Not√≠cia). In: Caf√© Hist√≥ria ‚Äď hist√≥ria feita com cliques. Dispon√≠vel em: https://www.cafehistoria.com.br/livros-digitais. Publicado em: 28 Jul. 2017. Acesso: [informar data].

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