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Livros de história: confira os nossos destaques em abril de 2021

Confira alguns dos livros que recebemos de autores e editoras recentemente. Um dos destaques é o livro "Nem tudo era censura", do historiador João Teófilo, que examina a impresa cearense durante a ditadura militar.

Outro destaque deste mês é o livro “Revolução Conservadora”, de Luis Rosenfield. Seguindo Anderson Vichinkeski, Professor do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), que assina a orelha da obra, “A obra Revolução conservadora: genealogia do constitucionalismo autoritário brasileiro (1930-1945), de Luis Rosenfield, possui o mérito de, antes de tudo, colocar-se no meio editorial brasileiro em diálogo com três grandes áreas do conhecimento: História, Direito e Ciência Política. Ouso dizer que, com singular originalidade, propõe uma tese cujo maior mérito teórico se encontra, precisamente, na sua capacidade de se situar com equilíbrio e equidistância entre as três referidas áreas. O resultado termina por ser um estudo de raro valor a todas as três.”

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“Durante o século XX, ditadores submeteram prosas mortais a audiências (literalmente) cativas em uma escala exorbitante. Eles publicaram obras teóricas, manifestos espirituais, coleções poéticas, memórias e até mesmo livros de ficção. Armado com nada além de um humor sombrio e perspicaz, Daniel Kalder embarca em uma jornada pela literatura para descobrir o que os tomos dos maiores totalitaristas da história contemporânea revelam sobre a alma ditatorial. Começando pelo espantosamente vil Minha luta e passando pelo Livro vermelho escrito pelo ex-bibliotecário Mao Tsé-Tung, ele chega até as surpreendentes façanhas atuais da dinastia Kim.”
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“A partir de meados do século XIX, a exibição de pessoas em museus, circos, zoológicos, feiras e instituições científicas se tornou mais frequente no Ocidente, como forma de entretenimento e objeto de estudo. As correntes de pensamento racial da época estabeleciam hierarquias e colocavam negros, índios e outros povos colonizados no início de escalas da evolução humana. Tais exposições ajudavam a dar crédito à noção de inferioridade racial e ensinavam ao público que o racismo era científico, terminando por incutir novos sentimentos de superioridade no branco e ocidental, justificando e desculpando o crescente imperialismo.
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“De algum modo o projeto historiográfico ocidental parece ter se assentado sobre a utopia de conhecer o passado como ele realmente foi ou reconstruí-lo por meio de modelos teórico-científicos e dados empíricos em narrativas controladas pelos historiadores. Este projeto eivado de valores e interesses fez muito sentido no interior da imaginação histórica modernista, convicta de que a razão e a ciência poderiam conhecer, estabelecer e administrar tudo, inclusive o passado. Este projeto esbarra cada vez mais, após as muitas viradas críticas, em diferentes perspectivas historiográficas que problematizam a objetividade da História e do passado, que deixou de ser monopólio exclusivo dos historiadores, expondo fragilidades das metanarrativas históricas.”
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“Esta obra que aqui se apresenta aos leitores é de grande importância não apenas para os historiadores e demais estudiosos da história do Brasil republicano, mas também para todos aqueles interessados em melhor compreender algumas ideias e projetos político-institucionais que pautaram a construção do Brasil moderno – de um novo modelo de Estado, desenvolvimento econômico e relações sociais cujos traços marcaram a história do Brasil republicano desde os anos 1930. A coletânea traz textos de alguns jovens e outros mais experimentados historiadores que se propõem a avançar de forma competente no diálogo entre as histórias política e intelectual, tendo por referência empírica a história do Brasil republicano.”
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“A ditadura militar instaurada no Brasil a partir do golpe de 1964 contou com expressivo apoio de segmentos da sociedade brasileira, entre os quais, destaque-se a participação da imprensa, tema já estudado há tempos por diversos historiadores. Muito já se sabe sobre a atuação de jornais do Sudeste, notadamente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Contudo, tais experiências, ainda que significativas e de protagonismo inegável, não são suficientes para explicar o papel da imprensa no golpe e na ditadura. O que se tem a dizer, então, sobre outros estados brasileiros? Buscando responder a essa pergunta, este livro analisa duas experiências significativas no Ceará através dos jornais Correio da Semana e O Povo, veículos de destaque naquele período, na capital e no interior.”
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“O livro de Luis Rosenfield descreve com detalhes o desenvolvimento brasileiro no século XX, com ênfase no papel que o pensamento constitucional desempenhou nessa transição. É uma fonte particularmente rica para estudar as primeiras transformações do regime, longe do constitucionalismo democrático liberal em direção ao regime autoritário. Ajuda a entender melhor essas tendências e possibilita estudos comparativos que prometem colocar o desenvolvimento contemporâneo em muitas partes do mundo em uma perspectiva mais ampla”. Prof. Dr. Dr. Hc. Mult. Dieter Grimm
Professor de Direito Público (Universidade Humboldt de Berlim)
Ex-Juiz do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha (1987-1999)
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“Esta obra conta uma história de mensageiros. Mensageiros, carteiros e estafetas povoam a literatura, o imaginário coletivo e as páginas escritas pelos historiadores, e permeiam desde a Bíblia, até os romances do século XIX, o cotidiano da Belle Époque e a história econômica de Braudel. Há, contudo, uma história muito particular que aguardou séculos para ser contada, sobre as estratégias por trás da aceitação de dispor ou não de um correio na América Portuguesa, essas terras que hoje são o Brasil. Essas peripécias foram analisadas pelo autor tomando diferentes escolhas de agentes sociais desde o século XVI até o século XVIII.”
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“A vida cinematográfica da maior espiã da Segunda Guerra Mundial Em 1942, a Gestapo, polícia secreta nazista, enviou uma mensagem urgente: “Ela é a mais perigosa de todos os espiões aliados. Devemos encontrá-la e destruí-la.” O alvo era Virginia Hall, uma socialite americana que se transformou em espiã do Ministério da Guerra britânico e, posteriormente, dos Estados Unidos. Chamada pelos alemães de “a dama que manca”, Virginia, que possuía uma prótese de madeira na perna esquerda, nunca foi capturada por eles. Para enganá-los, usava maquiagem, peruca e outros subterfúgios tipicamente femininos. Uma mulher sem importância conta a história dessa que foi a mulher civil mais condecorada no final da Segunda Guerra Mundial. E com a razão: ela treinou células de resistência que realizaram sabotagem de guerrilha como explodir pontes e até mesmo descarrilar um trem de carga. Hall também ajudou a preparar o terreno para que as forças aliadas invadissem a Normandia e a Provença.”
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“Este livro, baseado na série documental Guerras do Brasil.doc, veiculadas na Netflix, é um convite para conhecer como de fato se deram os primeiros contatos entre europeus e nativos e como, ainda hoje, a resistência dos povos indígenas se faz necessária contra a dizimação de suas terras, de suas comunidades. Inclui a íntegra da entrevista de Ailton Krenak para a série Guerras do Brasil.doc. Guerras da conquista traz novos olhares sobre aquilo que aprendemos na escola como “descobrimento do Brasil”: uma invasão genocida e etnocida cujos desdobramentos ainda hoje ameaçam a vida dos primeiros povos a habitar o país”.
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“Um grupo de jornalistas, atuando em diversos jornais suburbanos e em colunas sobre os subúrbios da grande imprensa, escrevia para os suburbanos e os leitores em geral sobre os subúrbios e pelos subúrbios. Tais homens de letras, que lidavam com a palavra nas folhas dos jornais, nas batalhas travadas na cidade, ajudavam a constituir os subúrbios em locais mais bem conhecidos pelos citadinos. Os subúrbios que surgem dos periódicos são pulsantes na forma de associações diversas e, ao mesmo tempo, repletos de reivindicações por direitos, que passam, dentre outras coisas, pela expansão dos serviços públicos como iluminação, calçamento e abastecimento de água. A militância dos jornalistas em prol dos subúrbios diz muito acerca da luta por direitos de quem vive na cidade. Este livro conta uma outra história da imprensa carioca, dos espaços da cidade e de quem os habita. É um convite para conhecer, sob outro prisma, a cidade do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX. (fragmento do texto da orelha por Marcelo de Souza Magalhães, Historiador UNIRIO).”.

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra.

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