Estudantes desenvolvem jogos online que permitem aprender história brincando

Grupo da Residência Pedagógica em História da Unioeste, no Paraná, criou jogos online gratuitos. É possível que duas ou mais pessoas brinquem ao mesmo tempo.

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Já pensou na possibilidade de aprender História brincando? Um grupo de estudantes do curso de graduação em História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) não apenas pensou nessa ideia, como está desenvolvendo jogos interativos em plataformas do Google. Coordenados pela professora Cláudia Monteiro, os estudantes são vinculados ao Programa de Residência Pedagógica do curso de História. Durante o período de distanciamento social, essas ferramentas têm auxiliado professores e estudantes em suas práticas pedagógicas. Clique aqui para conhecer.

A criatividade do grupo levou jogos de quebra-cabeça, tabuleiro e cartas para computadores e celulares, todos com conteúdos de História. É possível que duas ou mais pessoas joguem simultaneamente, por meio das ferramentas Google Meet e Google Jamboard. Com imagens coloridas e didáticas, além da possibilidade de interação, esses recursos favorecem que os processos de ensino e aprendizagem sejam uma experiência coletiva e divertida, como afirma a coordenadora do grupo:

“O caráter lúdico e divertido do jogo é algo que tem muito potencial como metodologia de ensino. E na História há temas maravilhosos para serem trabalhados que por si só inspiram a imaginação e a narrativa. Então, por que não juntar essas duas coisas: o jogo e a História? Com a pandemia e a realidade difícil do ensino remoto, tivemos que pensar em alternativas que pudessem contribuir com as atividades de ensino nas escolas.”

Interação e distanciamento social  

Foram desenvolvidos, por exemplo, quebra-cabeças, cuja finalização resulta em uma imagem que pode iniciar o debate ou sintetizar conteúdos abordados. Há também os jogos de carta e tabuleiro, organizados com perguntas e respostas que favorecem a revisão dos assuntos estudados. Conforme os jogadores acertam ou erram as questões, podem avançar ou retroceder no tabuleiro. Ao Café História, a coordenadora da Residência Pedagógica explicou:

“O Jamboard é um quadro-branco interativo em que todos podem mexer ao mesmo tempo, promovendo essa interação tão difícil no ensino-remoto. Funciona como um quebra-cabeça de papel normal, onde todos podem montar ao mesmo tempo. Foram aplicados nas escolas e como funcionaram ‒ os professores e os alunos gostaram ‒ resolvemos fazer mais. Os jogos de tabuleiro e cartas estão em um formato que permite ao professor trabalhar o conteúdo de uma maneira mais aprofundada, já que as cartas vão narrando cada tema. Elaboramos, por exemplo, o jogo Terra à Vista, sobre as navegações portuguesas e as condições de vida da tripulação. Já o Rotas do Deserto narra um pouco do cotidiano das viagens das caravanas de camelos no Saara e a importância dessas rotas para a expansão do Islã na África e para o desenvolvimento dos grandes reinos do Sahel.”

Facilidade no acesso

Acha que vai ser difícil manusear essas ferramentas? Para utilizá-las basta possuir uma conta de e-mail do Google. Com o objetivo de facilitar o acesso, o grupo elaborou um vídeo tutorial em que explicam o passo a passo de como se guiar na plataforma Google Jamboard. Todos os jogos estão disponíveis para download no site da Residência Pedagógica em História da Unioeste e são acompanhados de instruções. Há também a possibilidade de baixar suas versões impressas.    

Os jogos abrangem conteúdos do sexto ao nono ano do ensino fundamental. Apesar de o objetivo de seus desenvolvedores estar voltado às aulas-remotas, podem ser utilizados por todas as pessoas interessadas nas temáticas abordadas. Basta convidar a turma e dar início às descobertas. Que tal experimentar aprender e brincar ao mesmo tempo? 

Thaís Pio Marques

Faz parte da equipe do Café História, onde realiza estágio voluntário. Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Durante a graduação fez parte do Grupo PET Conexões de Saberes – Licenciaturas, voltado para a elaboração e desenvolvimento de Projetos pedagógicos interdisciplinares. Atualmente, organiza o perfil de Instagram “Poesia e oralidade”, onde compartilha textos breves sobre competições de poesia (slams) e seus participantes. O trabalho na rede social é
articulado aos estudos sobre História Oral e História Pública.

19 Comments

  1. Olá! Em nome do projeto Residência Pedagógica de História da Unioeste (campus de Marechal Cândido Rondon-PR) , gostaria de agradecer essa matéria sobre os nossos jogos, isso contribui muito com a divulgação do nosso trabalho. Todos nós, professores e alunos, temos passado nesse último ano imensas dificuldades para continuar as nossas atividades de trabalho e nossos projetos. Desejamos com afinco que possamos voltar ao presencial, à Universidade e ao chão das escolas, poder ver a reação de nossos acadêmicos descobrindo a profissão de professor e ver no rosto de cada criança na escola o interesse e a curiosidade em aprender a História. Fazer ferramentas para o trabalho remoto é um paliativo, pois essa é uma situação que ninguém queria estar, mas é uma maneira de manter vivo o vínculo com nossos alunos, continuar pensando, desenvolvendo e criando formas de ensinar história e também manter a esperança por dias melhores e continuar acreditando na importância da nossa profissão para formar cidadãos conscientes.

    • Obrigada pelas palavras, professora Cláudia! Que a vacina e dias melhores cheguem, para que esse trabalho tão bacana possa chegar ao chão da escola!

  2. Nossa sempre quis trabalhar dessa maneira. Brincando com a História os alunos interagem e compreendem melhor e adoraram a História. Trabalho fazendo eu mesma: caça palavras, labirinto, jogo da velha, gincana de perguntas e outros com os alunos. Eles amam, se divertem e sempre querem conhecer um pouquinho mais!!!!
    Parabéns pela iniciativa e pelo lindo trabalho!!!!

  3. Parabéns, Thaís e Café História, pela divulgação desse excelente trabalho desenvolvido pela UNIOESTE. Estamos atravessando um período muito difícil para a educação, e a custa de muitos esforços, professores/as e alunos/as, têm se desdobrado para a elaboração de projetos criativos, interativos e dinâmicos para a produção de conhecimento histórico. O momento é para mim de reinvenção nas atividades de ensino/aprendizagem. Sou graduando de História da UNIFAL-MG, campus sede, Alfenas; e também desenvolvemos projetos interativos de História para um público mais amplo, fora do ambiente acadêmico. Nosso projeto pode ser acessado pelo link: https://l.instagram.com/?u=https%3A%2F%2Fhistoria-presente-unifal.carrd.co%2F&e=ATNGi2FU8BvBArg_JXesLHpldGRhSS2bN15FJWvYPPEPQMMOuTKJEwhRE5htlm68NCunvhq_T5VACDzq8Y_Xow&s=1 Abraços!

  4. Parabéns prof. Claudia, isso nos leva a cre que vale a pena investir na educação dos nossos meninos.VOU REPASSAR PRA MEUS AMIGOS E POR TUDO INCENTIVÁ-LOS NA BUSCA DO CONHECIMENTO INTERATIVO. MEU ABRAÇO COM MUITO AXE…..

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