Inscrições abertas para curso online gratuito sobre musicalidades dos povos indígenas no Brasil

Ailton Krenak é um dos docentes do curso, que aborda musicalidades originárias com perspectiva contemporânea, cruzando saberes indígenas e não indígenas.
6 de junho de 2025
Rap indígena
Brô Mc's Adicionar línguas Adicionar tópico 1 ⁄ 1 Mais detalhes Grupo de rap indígena Brô Mc's - Foto por Luan Iturve, 2022.

A Escola da Fundação Itaú está oferecendo gratuitamente o curso online Constelação das artes – musicalidades indígenas no Brasil, que oferece a oportunidade de conhecer as expressões musicais dos povos indígenas no Brasil sob uma perspectiva crítica, sensível e atualizada. O curso procura apresentar noções e referências para familiarizar os participantes com a diversidade das musicalidades originárias e sua presença marcante na contemporaneidade. Inscrições aqui.

Totalmente gratuito e autoformativo – ou seja, pode ser feito no ritmo do estudante -, o curso oferece certificado de conclusão ao final das 20 horas de carga horária. Dividido em 12 módulos, o conteúdo foi estruturado em três grandes eixos temáticos: sociodiversidade e sonoridades indígenas, cosmopercepções e musicalidades indígenas e musicalidades indígenas em trânsito.

O primeiro eixo, voltado à sociodiversidade e sonoridades, reúne nomes como Julie Dorrico, Ailton Krenak, Rosângela Tugny e Pedro Paulo Salles. Já o segundo, dedicado às cosmopercepções, conta com professores como Anuiá Amarü, Magda Pucci, Idjahure Kadiwel, Justino Sarmento Rezende, Andeson Cleomar dos Santos e Vherá Poty Benites da Silva. O terceiro eixo, que discute as musicalidades em trânsito, é conduzido por Brisa de la Cordillera, Renata Tupinambá, Fernanda Jófej Kaingáng, entre outros.

Além de textos e vídeos, o curso oferece materiais de leitura e conta com recursos de acessibilidade: as aulas têm legendas e interpretação em Libras, o que amplia seu alcance para públicos diversos. A proposta é construir um espaço de aprendizagem interdisciplinar, cruzando os campos da antropologia, da musicologia e dos saberes tradicionais indígenas, com contribuições de intelectuais indígenas e não indígenas.

Aprendizagem sensível e decolonial

Constelação das artes parte da premissa de que as expressões musicais dos povos originários foram historicamente marginalizadas nos discursos oficiais, mesmo tendo papel central na construção de suas cosmologias, formas de resistência e modos de viver. Durante séculos, essas práticas permaneceram invisibilizadas, ganhando atenção apenas de forma mais sistemática a partir do século XX, com os primeiros registros sonoros e pesquisas etnomusicológicas.

O curso trata, por exemplo, da emergência de um movimento indígena mais estruturado nas décadas de 1970 e 1980 – momento que coincide com o início de investigações acadêmicas voltadas às sonoridades indígenas. A partir desse marco, o programa discute também o crescimento da audiência para essas expressões e as transformações ocorridas com a apropriação de gêneros musicais considerados não tradicionais, como o rap, o pop e a música eletrônica.

Como se inscrever

O curso Constelação das artes – musicalidades indígenas no Brasil já está com inscrições abertas e pode ser acessado por qualquer pessoa interessada, sem necessidade de pré-requisitos. Por ser autoformativo, o participante pode iniciar e concluir os módulos conforme sua disponibilidade. Ao final, é possível emitir gratuitamente um certificado de participação, de acordo com o regulamento da Fundação. Se quiser saber mais antes de se inscrever, consulte o programa completo do curso aqui.

Inscrições abertas para curso online gratuito sobre musicalidades dos povos indígenas no Brasil 1

A iniciativa representa um importante passo no reconhecimento e valorização das culturas originárias, sobretudo em tempos em que a preservação da diversidade cultural e o combate à invisibilidade indígena se tornam cada vez mais urgentes. Trata-se de uma oportunidade única de aprender com quem protagoniza essas histórias e sonoridades.

Um dos docentes é Ailton Krenak, escritor, pensador, narrador, jornalista e ativista indígena dos direitos humanos. Sua múltipla atuação exprime uma das mais brilhantes vozes na luta pelos direitos dos povos indígenas, assim como nas artes e no pensamento indígena. Entre diversos reconhecimentos públicos nacionais e internacionais, recebeu o título de Doutor Honoris Causada Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em 2016, e da Universidade de Brasília (UnB), em 2021.

Itaú Cultural

Com uma oferta diversificada de cursos, materiais pedagógicos gratuitos e uma comunidade de aprendizado vibrante, a Escola Fundação Itaú busca disponibilizar um ambiente virtual propício para a descoberta, criatividade e para o desenvolvimento integral, criando condições para que todo brasileiro seja um cidadão capaz de transformar a sociedade.

Café História

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