Brasileiros apoiam diversidade e investimento público em cultura, aponta pesquisa

Metade dos brasileiros defende a liberdade criativa nas manifestações culturais. 48% dos entrevistados acreditam que é papel do Estado investir em cultura. 53% dizem que quem recebe recurso público deve exaltar as qualidades do país. Cultura está em penúltimo lugar entre prioridades, à frente apenas da ciência.

Agência Bori

Uma pesquisa encomendada pelo Brazil Forum UK, conferência promovida por estudantes brasileiros no Reino Unido, apontou que metade da população brasileira é contra o controle governamental da produção cultural nacional, mas 53% defende que, caso receba recursos públicos, a obra deve exaltar as belezas e as qualidades do Brasil.

Os dados serão apresentados no dia 1º de julho, durante a 5ª edição do evento, que é realizado na Escola de Economia e Ciência Política de Londres e na Universidade de Oxford desde 2016 e, neste ano, acontece por meio de teleconferências. O levantamento foi feito pelo Ideia Big Data e coletou respostas de 1.523 brasileiros de todas as regiões do país sobre a produção cultural nacional, entre a última semana de março e a primeira semana de abril. A amostra, estratificada por gênero, faixa etária (a partir dos 18 anos), escolaridade, classe social e região, é representativa do Brasil e foi acessada por meio de um aplicativo de pesquisa.

A pesquisa apontou que 50% dos entrevistados são contrários à ideia de que o governo controle as produções culturais, financiando apenas obras de seu interesse, enquanto 20% concordam com o controle por parte do estado. Metade dos entrevistados defende a liberdade criativa das manifestações culturais, mesmo que não se sintam representados por algumas delas, enquanto apenas 18% discordam da defesa de incentivo à diversidade das produções culturais. Outros 25% concordaram com a afirmação de que não é papel do Estado investir em cultura, e sim das empresas, enquanto 48% discordam, ou seja, apoiam o investimento público em produções culturais. Cerca de 53% dos respondentes concordam que produtos culturais que recebem recursos públicos devem exaltar as belezas e qualidades nacionais, contra 16% de discordantes.

Os participantes da pesquisa também foram perguntados sobre quais áreas deveriam ser priorizadas em 2020. Em primeiro lugar ficou a saúde, seguida da educação, do meio ambiente e da segurança pública. A cultura foi citada em penúltimo lugar entre as prioridades, seguida da ciência.

De acordo com Eduardo Carvalho, do comitê organizador do Brazil Forum UK e bolsista do Programa Chevening Clore Leadership, financiado pelo governo do Reino Unido, os resultados denunciam a desvalorização da cultura por parte da população e dos governantes. “A população parece não compreender que o investimento na cultura, especialmente público, pode se reverter em desenvolvimento econômico e social, a exemplo do que ocorre a diversos países, como a Inglaterra e a Austrália”, avalia.

Fonte: Agência Bori

Agência Bori

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