De Pelé no Flamengo aos timaços de Palmeiras e Fluminense na Copa Rio: o futebol através das fotos

Imagens raras mostram times e títulos históricos de clubes do futebol brasileiro, craques lendários, curiosidades e registros incríveis da torcida.
30 de junho de 2025
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Palmeiras perfilado antes de mais um jogo pela Copa Rio de 1951, no estádio do Maracanã. Foto: Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã.

Palmeiras e Fluminense, afinal, conquistaram ou não títulos mundiais? Os craques do passado eram melhores que os do presente? A torcida nos estádios antigos vibrava mais do que nas atuais arenas? Esses debates dão o que falar nas redes sociais e na mesa do bar. E, em tempos de fake news e de inteligência artificial, você pode consultar registros confiáveis para mostrar para amigos e alimentar ainda mais essas sadias discussões, consultando o acervo do Arquivo Nacional.

No site Que República é essa? você acessa diversos artigos relacionados ao tema, escritos por professores e pesquisadores, que trazem fotografias que deixam qualquer amante do futebol maravilhado. Além disso, o Arquivo Nacional tem duas exposições virtuais que também podem ser consultadas e que tratam do assunto: a “Drama e Euforia”, que conta a derrota de 1950 e a vitória de 1970, e a “Histórias do Maracanã Antigo”, que tem módulos específicos mostrando a torcida (com destaque para o antigo setor da Geral), os craques e os grandes times dos clubes brasileiros, além de imagens super raras e vibrantes da seleção brasileira quando o estádio ainda era o “maior do mundo”.

Uma terceira forma de acessar as imagens é ir diretamente ao banco de dados online da instituição, acessando o Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN) e seguindo as orientações do passo-a-passo dos tutoriais.

O cachorro que “solucionou” o roubo da Taça Jules

Os artigos do Que República é essa?, além de trazerem documentos históricos, tratam também sobre curiosidades que chamam a atenção dos amantes do esporte bretão. Você sabia, por exemplo, que a palavra “volante” tem esse nome devido a um jogador que atuou no Flamengo? Neste artigo, é contada a história do argentino Carlos Martín Volante, que atuou no gigante brasileiro entre 1938 e 1943, conquistando por quatro vezes o Campeonato Carioca. Jogador raçudo, de bom toque de bola e marcador dedicado, passou a dar nome aos jogadores de meio de campo com essas características. Curiosamente, Volante chegou a integrar, como massagista, a seleção brasileira de 1938, durante a Copa do Mundo ocorrida na França.

Aliás, por falar na Copa do Mundo de 1938, foi nela que a nossa seleção começou a mostrar para o mundo a qualidade do futebol praticado aqui em terras tupiniquins, conquistando um até então inédito terceiro lugar. No Arquivo Nacional há registros históricos daquele time, inclusive do grande craque brasileiro daquela Copa, a lenda Leônidas da Silva, apelidado de “Diamante Negro”, o inventor da bicicleta.

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Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, inventor da bicicleta, com a camisa (até então) branca da seleção brasileira, em 1949, talvez seu último registro com a camisa do Brasil. Foto: Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã.

Outra curiosidade peculiar é trazida pelo artigo “Os dois roubos da Taça Jules Rimet”, que conta uma história pouco conhecida: a “taça do mundo” foi roubada na Inglaterra pouco antes do início da Copa de 1966, e acabou sendo encontrada pelo cachorro Pickles, dias após a Scotland Yard – polícia inglesa – ter praticamente desistido de encontrar seu paradeiro. O cão foi celebrado como um herói, chegando a participar de diversos comerciais.

A mesma taça, após conquistada definitivamente pelo Brasil na Copa de 1970, acabou novamente sendo roubada, mas dessa vez foi derretida e consequentemente perdida em definitivo, em 1983, após assalto em pleno centro da cidade do Rio de Janeiro – onde ficava a antiga sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A Copa de 1970, em que conquistamos a Taça Jules Rimet em definitivo após o tricampeonato, também tem registros fantásticos no Arquivo Nacional, não só das façanhas em campo, mas também do cotidiano de nossos craques nas ruas do México. A imagem abaixo traz Rivellino e Pelé passeando de bicicleta na cidade de Leon, em 20 de maio, 13 dias antes da estreia contra a Tchecoslováquia. A dupla foi acompanhada pelos jornalistas do jornal Correio da Manhã, que doou seu riquíssimo acervo fotográfico para o AN.

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Rivellino e Pelé passeando de bicicleta na cidade de Leon, em 20 de maio, 13 dias antes da estreia contra a Checoslovaquia. Foto: Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã.

A exposição virtual “Drama e euforia” traz fotos daquela Copa inesquecível, mostrando o caminho de 1950 a 1970, passando por seis copas, inclusive com um módulo especial apenas com fotos de Pelé e Garrinha dentro e fora das quatro linhas.

Garrincha, alegria do Futebol.
Garrincha atende a fãs mirins em um intervalo de treinamento da seleção brasileira, em abril de 1966. Foto: Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã.

Além do acervo iconográfico, o Arquivo Nacional também possui imagens em movimento relacionadas ao futebol. Aqui vemos a loucura que foi a chegada ao Brasil – em Recife, depois no Rio de Janeiro – dos primeiros campeões mundiais da nossa história. Em 1958, Pelé, Didi, Garrincha e companhia foram recebidos como heróis em uma recepção na sede da antiga revista O Cruzeiro. A filmagem mostra também o presidente Juscelino Kubitschek ouvindo em um rádio, ao lado de jornalistas, um dos jogos do Brasil na competição. JK estava em visita às obras de construção de Brasília, mas como todo amante de futebol, parou para acompanhar nossa seleção.

A torcida brasileira, com personagens fantásticos nas arquibancadas e no antigo setor da geral, também é alvo privilegiado das lentes fotográficas. A imagem abaixo mostra uma das várias fotos do módulo “O Maraca é do povo” da exposição virtual “Histórias do Maracanã Antigo”.  

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Povo na geral do Maracanã comemorando a vitória de 2 a 0 do Brasil contra a Iugoslávia, em 1º de julho de 1950, pela primeira fase da Copa do Mundo. Foto: Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã.

Esta mesma exposição traz também conquistas importantes de nossos clubes, incluindo os títulos mundiais e da Taça Libertadores da América conquistados pelo Santos no estádio do Maracanã e partidas lendárias como a do Flamengo de Evaristo de Macedo contra o Honved do craque húngaro Puskas, em 1957, que terminou em 6 a 4 para o rubro-negro.

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Puskas, ídolo histórico do Real Madrid e melhor jorgador da história da Hungria, ao lado de Evaristo de Macedo, ídolo de Flamengo, Real Madrid e Barcelona, antes do jogo entre Flamengo e Honvéd (HUN) que terminou em 6 a 4 para o rubro-negro, em 19/01/1957, no Maracanã. Foto: Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã.

Zizinho, Waldo, Manga, Zico, Tostão, Roberto Dinamite, Paulo Valentim, Dida, Vavá e tantos outros gênios da bola também estão retratados na exposição.

Registros de Flu e Palmeiras na Copa Rio…

Há ainda os registros da famosa e muito comentada Copa Rio, conquistada por Palmeiras e Fluminense, respectivamente nos anos de 1951 e 1952. Hoje as diretorias dos dois clubes cobram que a FIFA, órgão máximo do futebol internacional, reconheça os torneios como títulos mundiais. Nas imagens abaixo, vemos o Palmeiras perfilado antes de uma partida pela competição, em 1951. Em seguida, no ano seguinte, um fragrante do craque Didi, na época jogando pelo tricolor carioca, observando o goleiro e o zagueiro do Sporting (Portugal) afastarem a bola da área.

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Didi observa o goleiro e o defensor do Sporting tirando a bola da área, em lance perigoso do Fluminense, durante o confronto entre os dois times, pela Copa Rio de 1952. Jogo em 13 de julho de 1952 que terminou em 0 a 0. Foto: Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã.

Essas imagens podem ser vistas no módulo “Rivalidades em Campo” da exposição. Módulo onde também constam imagens de jogos de outros clubes europeus contra times brasileiros, o que em 2025 voltou a se repetir em razão da primeira Copa do Mundo de Clubes realizada pela FIFA e que era mais comum de se ver nas décadas de 1950, 1960 e 1970, inclusive em solo brasileiro.

Por fim, o módulo traz também uma filmagem de 1979, de Pelé jogando ao lado de Zico, com a camisa 10 do Flamengo, em amistoso contra o Atlético Mineiro – com renda para as vítimas da chuva que havia castigado Minas Gerais – que terminou com o placar de 5 a 1 para os cariocas, para deleite de um público de quase 140 mil pessoas.

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Caso queira navegar pela documentação do Arquivo Nacional, há milhões de documentos digitalizados acessíveis na base de dados do Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN). Basta fazer um rápido cadastro e seguir as orientações do tutorial. As demais imagens citadas aqui – e outras tantas – você encontra nos artigos do site “Que República é essa?” e no site de Exposições Virtuais da mesma instituição, em especial nas mostras “Drama e Euforia” e “Histórias do Maracanã Antigo”. O acesso a todo esse acervo é gratuito!

Como citar este artigo

MOURELLE, Thiago. De Pelé no Flamengo aos títulos chamados de mundiais por Palmeiras e Fluminense: o futebol através das fotos (artigo). In: Café História. Publicado em 30 de junho de 2025. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/futebol-atraves-das-fotos/. ISSN: 2674-5917.

Este artigo é fruto da parceria entre o setor de pesquisa do Arquivo Nacional e o Café História. Para saber mais histórias como essas, conheça o projeto de divulgação histórica do Arquivo Nacional, Que República é Essa, coordenado por Viviane Gouvêa.

Thiago Cavaliere Mourelle

Thiago Cavaliere Mourelle

Doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Trabalha como Historiador no Arquivo Nacional desde 2006, tendo trabalhado na mesma instituição, como estagiário, desde 2002. Professor da organização não governamental Educafro, na qual faz trabalho voluntário desde 2003, coordenando a equipe de História do Pré-vestibular Comunitário João Cândido. Foi Professor Substituto na área de Brasil Republicano no Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2015-2016. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil Republicano.

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