Projeto “História Transviada” mapeia pesquisas sobre dissidências sexuais e de gênero no Brasil

Resultado de uma pesquisa de doutorado no CPDOC/FGV, iniciativa inova ao combinar historiografia, humanidades digitais e ativismo acadêmico. A plataforma já está no ar com acesso público e gratuito.
16 de maio de 2025
História Transviada.
Site traz banco de dados inédito. Foto: reprodução.

Nos últimos 30 anos, o interesse pelas dissidências sexuais e pelas desobediências de gênero cresceu de forma expressiva na historiografia brasileira. Mas como esse movimento se consolidou dentro da academia? Quantas pesquisas de fato foram produzidas? Quais temas e períodos históricos receberam mais atenção? Com essas e outras perguntas em mente, o historiador Ronald Canabarro desenvolveu o projeto História Transviada, fruto de sua tese de doutorado defendida no CPDOC/FGV, no Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais.

O trabalho resultou em um amplo mapeamento de 240 teses e dissertações sobre sexualidades dissidentes e gêneros desobedientes, defendidas entre 1994 e 2022 em programas de pós-graduação em História no Brasil. Esses trabalhos foram localizados no Catálogo da Capes e em páginas dos próprios programas, compondo um corpus robusto e inédito que oferece pistas importantes sobre a evolução dos estudos de gênero e sexualidade no país. Clique aqui para conferir o site, que já tem 281 teses e seguirá aumentando.

Uma historiografia digital e pública

Mais do que reunir dados, o projeto História Transviada propõe uma nova maneira de ver a historiografia: de forma pública, digital e crítica. A pesquisa de Ronald utiliza ferramentas contemporâneas como análise de redes e mineração de textos, permitindo compreender as conexões acadêmicas, os temas recorrentes e os focos de atenção ao longo do tempo. Esses métodos, ainda pouco usuais na historiografia brasileira, ampliam as possibilidades interpretativas e dialogam com o campo das humanidades digitais.

Todo esse esforço culmina na plataforma historiatransviada.com, que oferece acesso gratuito ao mapeamento completo das pesquisas e também traz análises, vídeos e conteúdo educativo voltado para o público acadêmico e geral. Além do site, o projeto está presente nas redes sociais, como Instagram e YouTube, com o nome de usuário @historiatransviada, ampliando o alcance da discussão e promovendo o diálogo com diferentes públicos.

Gênero, inclusão e memória

O História Transviada também contribui para a discussão sobre inclusão acadêmica, memória histórica e representação de sujeitos marginalizados. Ao mapear e dar visibilidade a essas produções, Ronald Canabarro evidencia a importância de pensar o papel da historiografia na construção de narrativas que escapam das normativas tradicionais — e que muitas vezes foram silenciadas ou marginalizadas.

Projeto "História Transviada" mapeia pesquisas sobre dissidências sexuais e de gênero no Brasil 1

“Acredito que essa pesquisa traz contribuições relevantes para pesquisadoras e pesquisadores da área de História, especialmente para quem se dedica ao campo de gênero e sexualidades, mas também para as humanidades em geral”, afirma o historiador.

Serviço

Plataforma digital: www.historiatransviada.com

Instagram e YouTube: @historiatransviada

Título da tese: historiatransviada.com – dar a ver uma historiografia pública digital. Pesquisa de doutorado defendida no CPDOC/FGV – Fundação Getúlio Vargas.

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Bruno Leal

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas, justiça no pós-guerra e as duas guerras mundiais. Autor de "Quero fazer mestrado em história" (2022) e "O homem dos pedalinhos"(2021).

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