A influenza na Bahia é política, diz jornal em 1918
Artigo

Quando o flagelo bate à porta: a epidemia de “gripe espanhola” na Bahia

“A epidemia de gripe espanhola na Bahia obedece ao padrão desenvolvido por Rosenberg, ainda que guarde as especificidades próprias do lugar e da época. Não se sabe ao certo quando a gripe chegou a Salvador, cidade portuária com conexões transcontinentais. Os primeiros registros surgiram depois o paquete inglês Demerara atracou na cidade, no dia 11 de setembro de 1918. Dias depois, passageiros que desembarcaram em Salvador, morreram com diagnóstico de gripe. Extremamente contagiosa, a doença se espalhou rapidamente. O número significativo de adoecimentos chamou a atenção dos jornais, que já repercutiam as notícias sobre a epidemia em curso no cenário da guerra. Pressionados pela imprensa, médicos, autoridades públicas e sanitárias apressaram-se a negar o fato ou a minimizar os seus efeitos. A gripe figurava nas estatísticas da Diretoria Geral da Saúde Pública da Bahia (DGSPB), mas os óbitos decorrentes dessa doença eram considerados insignificantes se comparados com as taxas de mortalidade provocadas por males como a disenteria, a malária, a peste, a varíola, a febre amarela e, sobretudo, a tuberculose. Contribuía, também, para que as autoridades ignorassem a existência de uma epidemia, o fato de a gripe não ser doença de notificação compulsória, o que dispensava a obrigatoriedade de os casos serem reportados às autoridades sanitárias, invisibilizando-os.”