A lista dos livros de história mais emprestados na Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/UnB) segue revelando tendências, permanências e surpresas nos hábitos de leitura da comunidade acadêmica. A parceria entre a BCE e o Café História permite observar como obras fundamentais do campo convivem com clássicos políticos, títulos recém-popularizados e leituras ligadas à cultura pop, história pública, debates contemporâneos e temas consolidados da pesquisa histórica.
O levantamento de novembro reforça essa dinâmica: alguns títulos seguem firmes no ranking — especialmente referências consolidadas em história do Brasil — enquanto novas entradas chamam atenção, como a obra de Mary Beard, uma das mais importantes historiadoras da Antiguidade atualmente. Autores como Marx, Alencastro e Fanon também aparecem, demonstrando que debates políticos e reflexões sobre colonização, sociedade e poder seguem despertando interesse constante.
1º lugar — 8 empréstimos (13º geral)
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 12. ed. São Paulo: EdUSP, 2007.
Boris Fausto permanece no topo — mais uma vez entre os mais procurados. O desempenho reforça sua estabilidade no ranking e sua relevância no ensino de graduação, sobretudo para disciplinas introdutórias.
2º lugar — 6 empréstimos (15º geral)
DIDI-HUBERMAN, Georges. A imagem sobrevivente: história da arte e tempo dos fantasmas segundo Aby Warburg. São Paulo: Contraponto, 2013.
Uma entrada de grande peso teórico, marcando o interesse crescente por estudos da cultura visual, memória e história da arte. É uma novidade relevante no ranking — sobretudo por ser um título mais especializado.
3º ao 4º lugar — 5 empréstimos cada (16º geral)
LEE, Rita. Rita Lee: uma autobiografia. São Paulo: Globo, 2023.
Já presente na lista anterior, o livro permanece entre os mais procurados — mostrando que autobiografias com recorte cultural seguem despertando interesse, especialmente entre estudantes de história e áreas afins.
GUIMARÃES, Ruth. Dicionário da mitologia grega. São Paulo: Cultrix, 1972.
Outra permanência no ranking, reforçando o interesse contínuo por estudos de mitologia — um tema recorrente entre estudantes de história, letras e artes.
5º ao 8º lugar — 4 empréstimos cada (17º geral)
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista.
Clássico absoluto do pensamento político moderno, segue aparecendo de forma recorrente — sem surpresa aqui.
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
Retorno marcante ao ranking: a obra reafirma seu papel como referência para estudos coloniais e escravidão atlântica.
CANCELLI, Elizabeth. O mundo da violência: a polícia na Era Vargas. Brasília: Editora UnB, 1993.
Presença que reflete o interesse constante por temas ligados ao Estado, repressão e modernização autoritária — assunto que sempre encontra leitores.
BEARD, Mary. SPQR: uma história da Roma antiga. São Paulo: Planeta, 2016.
Eis uma novidade importante: a entrada da historiadora britânica Mary Beard no ranking sinaliza o fortalecimento do interesse por história antiga com linguagem acessível, método renovado e impacto público.

9º ao 10º lugar — 3 empréstimos cada (18º geral)
FAORO, Raymundo. Os donos do poder. São Paulo: Globo, 2001.
Mais um clássico da historiografia e sociologia política brasileira que volta a figurar, reforçando que debates estruturais sobre Estado e elites seguem atuais.
FANON, Frantz. Os condenados da Terra. São Paulo: Civilização Brasileira, 2005.
Assim como em meses anteriores, Fanon segue aparecendo no ranking — a permanência confirma o crescente interesse por estudos anticoloniais e crítica racial.
E, mais uma vez, o título mais emprestado da Biblioteca Central não está na área de humanidades. O primeiro lugar geral do mês foi:
THOMAS, George Brinton; WEIR, Maurice D.; HASS, Joel. Cálculo. 12. ed. — 36 empréstimos.