Roma Antiga em alta? Confira o livro que ficou entre os mais emprestados da UnB em novembro

Parceria entre o Café História e a Biblioteca Central da UnB revela mensalmente os títulos mais procurados pelos leitores da área.
10 de dezembro de 2025
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Garrafa de terracota em formato de pato (garrafa com bico e alça) Atribuído ao Grupo Clusium Aproximadamente 350–325 a.C. Foto: The Met.

A lista dos livros de história mais emprestados na Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/UnB) segue revelando tendências, permanências e surpresas nos hábitos de leitura da comunidade acadêmica. A parceria entre a BCE e o Café História permite observar como obras fundamentais do campo convivem com clássicos políticos, títulos recém-popularizados e leituras ligadas à cultura pop, história pública, debates contemporâneos e temas consolidados da pesquisa histórica.

O levantamento de novembro reforça essa dinâmica: alguns títulos seguem firmes no ranking — especialmente referências consolidadas em história do Brasil — enquanto novas entradas chamam atenção, como a obra de Mary Beard, uma das mais importantes historiadoras da Antiguidade atualmente. Autores como Marx, Alencastro e Fanon também aparecem, demonstrando que debates políticos e reflexões sobre colonização, sociedade e poder seguem despertando interesse constante.

1º lugar — 8 empréstimos (13º geral)

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 12. ed. São Paulo: EdUSP, 2007.
Boris Fausto permanece no topo — mais uma vez entre os mais procurados. O desempenho reforça sua estabilidade no ranking e sua relevância no ensino de graduação, sobretudo para disciplinas introdutórias.

2º lugar — 6 empréstimos (15º geral)

DIDI-HUBERMAN, Georges. A imagem sobrevivente: história da arte e tempo dos fantasmas segundo Aby Warburg. São Paulo: Contraponto, 2013.
Uma entrada de grande peso teórico, marcando o interesse crescente por estudos da cultura visual, memória e história da arte. É uma novidade relevante no ranking — sobretudo por ser um título mais especializado.

3º ao 4º lugar — 5 empréstimos cada (16º geral)

LEE, Rita. Rita Lee: uma autobiografia. São Paulo: Globo, 2023.
Já presente na lista anterior, o livro permanece entre os mais procurados — mostrando que autobiografias com recorte cultural seguem despertando interesse, especialmente entre estudantes de história e áreas afins.

GUIMARÃES, Ruth. Dicionário da mitologia grega. São Paulo: Cultrix, 1972.
Outra permanência no ranking, reforçando o interesse contínuo por estudos de mitologia — um tema recorrente entre estudantes de história, letras e artes.

5º ao 8º lugar — 4 empréstimos cada (17º geral)

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista.
Clássico absoluto do pensamento político moderno, segue aparecendo de forma recorrente — sem surpresa aqui.

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
Retorno marcante ao ranking: a obra reafirma seu papel como referência para estudos coloniais e escravidão atlântica.

CANCELLI, Elizabeth. O mundo da violência: a polícia na Era Vargas. Brasília: Editora UnB, 1993.
Presença que reflete o interesse constante por temas ligados ao Estado, repressão e modernização autoritária — assunto que sempre encontra leitores.

BEARD, Mary. SPQR: uma história da Roma antiga. São Paulo: Planeta, 2016.
Eis uma novidade importante: a entrada da historiadora britânica Mary Beard no ranking sinaliza o fortalecimento do interesse por história antiga com linguagem acessível, método renovado e impacto público.

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9º ao 10º lugar — 3 empréstimos cada (18º geral)

FAORO, Raymundo. Os donos do poder. São Paulo: Globo, 2001.
Mais um clássico da historiografia e sociologia política brasileira que volta a figurar, reforçando que debates estruturais sobre Estado e elites seguem atuais.

FANON, Frantz. Os condenados da Terra. São Paulo: Civilização Brasileira, 2005.
Assim como em meses anteriores, Fanon segue aparecendo no ranking — a permanência confirma o crescente interesse por estudos anticoloniais e crítica racial.

E, mais uma vez, o título mais emprestado da Biblioteca Central não está na área de humanidades. O primeiro lugar geral do mês foi:

THOMAS, George Brinton; WEIR, Maurice D.; HASS, Joel. Cálculo. 12. ed. — 36 empréstimos.

Bruno Leal

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas, justiça no pós-guerra e as duas guerras mundiais. Autor de "Quero fazer mestrado em história" (2022) e "O homem dos pedalinhos"(2021).

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