Procurador-chefe de um dos julgamentos de Nuremberg é vacinado contra a Covid-19

Prestes a completar 101 anos, Benjamin Ferencz tomou hoje a segunda e última dose da vacina. Advogado nasceu na Hungria em 1920, mas imigrou para os Estados Unidos quando tinha dez meses de idade.

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Foto publicada neste sábado no Twitter do ex-procurador-chefe em Nuremberg.

A imagem de Ferencz recebendo a vacina foi publicada neste sábado no perfil que o centenário advogado mantém no Twitter. Quem fez o post foi o cientista político Daniel Skinner. “Estou emocionado em compartilhar com os fãs de Ben Ferencz por toda parte que hoje ele recebeu sua segunda vacina COVID-19”. O post traz ainda a hashtag #usemáscara. Em sua própria conta, Skinner disse que Ferencz é um de seus heróis.

Ferencz se formou em Harvard em 1943. Após concluir os estudos, ele se juntou ao Exército dos EUA, servindo no 115º Batalhão de Armas AAA, uma unidade de artilharia antiaérea. Uma vez terminada a Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945, ele foi transferido para o quartel-general do Terceiro Exército do General Patton, onde foi designado para uma equipe encarregada de criar uma seção de crimes de guerra e coletar evidências desses crimes. Visitou campos de concentração libertados pelas tropas americanas e ficou horrorizado com as cenas que encontrou.

Em 1947, aos 27 anos, Ferencz foi escolhido para ser procurador-chefe do Exército dos Estados Unidos no Julgamento de Einsatzgruppen. Os Einsatzgruppen foram grupos paramilitares móveis comandados pelas SS. Durante a guerra, essas unidades foram responsáveis por milhares de mortes, sobretudo em território soviético.

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Ferencz tinha 27 anos em Nuremberg.

O julgamento dos Einsatzgruppen foi um dos 12 julgamentos realizados pelas autoridades dos EUA em Nuremberg, na Alemanha. Esses julgamentos ficaram conhecidos como “Julgamentos Subsequentes de Nuremberg”, pois aconteceram entre dezembro de 1946 a abril de 1949, portanto, logo após o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg, conduzido por Estados Unidos, Inglaterra, China e França.

Depois de atuar na Alemanha, Ferencz se tornou um conhecido defensor dos direitos humanos e do estabelecimento de um Tribunal Penal Internacional. Entre 1985 e 1996, ele foi professor adjunto de direito internacional na Pace University. Atualmente, Ferencz, que completa 101 em março, continua bastante ativo. Ele faz palestras em escolas, universidades e costuma publicar vários posts nas suas redes sociais.

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra.

1 Comment

  1. Esses grupos de intervençao=Einsatzgruppen atuaram especialmente contra os oficiais russos.
    Podem ver por “Schiessanlage Herbertshausen” foi aqui que cerca de cinco mil oficiais russos foram fuzilados e depois transportados em carros de bois para os fornos do Campo de Concentraçao em Dachau,que fica a cerca de um km de distancia.
    Este campo de fuzilamento foi construido de proposito para os oficiais russos,o Adolfo queria fragilizar a liderança russa.
    O problema foi a arrogancia alema ter substimado a Russia e nao se preparou devidamente para os invernos russos e foram para lä a pensar que seria uma vitoria facil,aimda hoje os alemaes sao assim,todos sao inferiores ao alemao!

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