Pesquisa mostra como é possível usar o patrimônio cultural de uma cidade nas aulas de História

Pesquisador catarinense desenvolveu um caderno de atividades voltado à utilização do patrimônio cultural nas aulas de História.
24 de fevereiro de 2026
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A Festa do Divino Espírito Santo, celebrada cinquenta dias após a Páscoa, foi oficializada Patrimônio Cultural Material e Imaterial no município de Governador Celso Ramos/SC por meio da Lei Ordinária nº 1.540/2022. FOTO: Prefeitura de Governador Celso Ramos.

A Constituição Federal define patrimônio cultural como bens “de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. O conceito abrange edificações, espaços destinados às manifestações artístico-culturais, conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Foi pensando em explorar as potencialidades do patrimônio cultural de Governador Celso Ramos (SC) nas aulas de História, que o pesquisador Tiago Nilson da Silva elaborou um caderno de atividades direcionado aos professores de História dos Anos Finais da Educação Básica. O material é resultado da dissertação “Ensinar História Com O Patrimônio Cultural: Uma Proposta De Educação Patrimonial Para Governador Celso Ramos/SC”, defendida por Silva, em 2024, no Mestrado Profissional em Ensino de História da Universidade Federal de Santa Catarina. O caderno de atividades e a dissertação podem ser acessados aqui.

A metodologia da pesquisa, de natureza qualitativa, envolveu a análise bibliográfica e documental de narrativas oficiais, memorialísticas, educacionais e publicações acadêmicas sobre o patrimônio cultural local. Também foram estudados os documentos educacionais vigentes na rede municipal de educação do município.

“A intenção deste estudo foi identificar, ainda que sem um aprofundamento analítico, quais bens culturais do município de Governador Celso Ramos/SC passaram por processos de patrimonialização e em quais esferas do Estado brasileiro eles estão inseridos”, explica.

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A pesquisa está dividida em quatro capítulos. A primeira parte apresenta um debate teórico acerca do ensino de História, Patrimônio Cultural e Educação Patrimonial. Na segunda, o autor analisa documentos educacionais vigentes na rede municipal de educação de Governador Celso Ramos/SC acerca dos patrimônios culturais oficiais do município. Na terceira, é feito um estudo sobre os aspectos históricos, culturais e econômicos locais. E, por fim, é apresentada a proposta didática.

“Percebe-se que ainda persiste a ausência do estudo do patrimônio cultural local nos materiais didáticos oferecidos pela rede municipal de educação de Governador Celso Ramos. O tema está presente no currículo dos Anos Iniciais, mas ausente nos materiais didáticos deste segmento e também dos Anos Finais do Ensino Fundamental. Essa constatação reforça a relevância desta investigação, uma vez que apresenta um material didático cujo objetivo é atender ao que está previsto no currículo – o estudo do patrimônio cultural local”, afirma.

Patrimônio cultural e o ensino de História

O patrimônio cultural tem ocupado cada vez mais espaço na formação do professor de História, com disciplinas eletivas e estágios em educação patrimonial ou em espaços não formais de educação. De acordo com Silva, houve um crescimento significativo na pesquisa relacionada ao Patrimônio Cultural nos últimos anos, uma tendência refletida pelo alto volume de trabalhos publicados.

“Embora haja um interesse significativo em explorar e compreender o patrimônio cultural, há uma oportunidade para aumentar o foco em propostas que promovam a interação prática e engajadora entre a comunidade e esses bens culturais. A ênfase no uso do patrimônio como ferramenta de ensino e no incentivo ao pensamento histórico reflete um compromisso dos pesquisadores em contribuir para uma formação educacional mais rica e abrangente, que valorize a diversidade cultural e a identidade dos estudantes”, reflete.

O caderno de atividades desenvolvido por Silva está estruturado em quatro eixos temáticos: Governador Celso Ramos/SC: Um Mosaico de Povos e Culturas; Patrimônios Naturais e Arqueológicos: Manifestações das Culturas Indígenas; Armações e Fortalezas: Perspectivas sobre Colonização e Escravidão; e Práticas Culturais e Festividades em Governador Celso Ramos/SC. Cada eixo temático está organizado com boxes de diálogo com o docente: Apresentação, Em Sala de Aula, Para Saber Mais, Diálogos Metodológicos, Aprofundando o Tema.

As atividades propostas estão focadas na Fortaleza de Santa Cruz na Ilha de Anhatomirim, a Igreja Nossa Senhora da Piedade/SC, a Prática Artesanal do Crivo e a Festa do Divino Espírito Santo. O caderno inclui encaminhamentos pedagógicos, possibilidades metodológicas e sugestões de sites e bibliografia.

“Esta proposta didática visa preencher a lacuna existente e proporcionar uma formação mais abrangente aos professores e estudantes. O material de ensino ajuda no estudo de diferentes períodos da História, podendo ser usado como tema principal ou parte de assuntos específicos. Isso também permite a exploração de várias fontes históricas na sala de aula relacionadas ao patrimônio cultural oficial local”, conclui.

Bruno Lima

Bruno Lima

Graduado em Jornalismo e História. Meste em História pelo Programa de Pós-graduação em História Social na Universidade de Brasília (UnB). Dedica-se a estudos de História do Brasil República, com ênfase na Era Vargas, direitos trabalhistas, História Social do Trabalho, Justiça do Trabalho, comunismo e anticomunismo e PCB nos anos 1930. Escreve regularmente sobre mestrado profissional em História (ProfHistoria) para o Café História.

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