O controle da cultura e da arte na Alemanha Nazista

Cinema, teatro, livros, programas de rádio, museus e galerias de arte foram utilizados pelo Estado Nazista a fim de mitigar a violência cotidiana do regime e para disseminar valores considerados “dignos” dos alemães.  

Por Bruno Leal Pastor de Carvalho

Apesar do anti-intelectualismo e da visão artística autoritária que caracteriza tantos regimes antidemocráticos na história contemporânea, a cultura não costuma ser vista por esses regimes como algo a ser simplesmente destruído. A cultura, ao lado da arte, na verdade, tem sido objeto de grande cobiça de governos autoritários e totalitários.

A fim de conquistar corações e mentes, eles buscam controlar o teatro, o audiovisual, a imprensa, as galerias, os museus, as universidades e onde quer que se produza sentido sobre o país, o povo e a realidade. Como o Estado não produz cultura em si, ele procura controlar homens e mulheres que a produzam. A cultura é vista como “recurso politico”.

A Alemanha Nazista é um dos grandes exemplos de “dirigismo cultural”. Durante o Terceiro Reich, os nazistas se emprenharam profundamente naquilo que eles acreditavam ser uma “guerra cultural”. Este artigo busca explicar de forma objetiva porque essa “guerra cultural” era tão importante, como eles a travaram e contra quem.

As “duas guerras”

Na ótica nazi, o futuro da nação dependia não só das lutas travadas nos campos de batalha propriamente ditos, como, de fato, aconteceu na Segunda Guerra Mundial, mas também em uma arena de batalhas simbólicas, no plano das letras e das imagens. No caso dessa segunda frente de batalhas, os nazistas alertavam que o país estava sendo derrotado de dentro para fora, sendo controlado por judeus ardilosos e por comunistas conspiracionistas. Eles controlariam não só postos-chaves do governo, bancos e empresas, mas também a imprensa, as escolas, as editoras, os teatros, as artes, o cinema e as universidades. Desta forma, arruinariam os valores alemães genuínos, a família, a cultura nacional e a honra, desvirtuariam a juventude, tudo em troca de poder e dinheiro. Essa visão paranóica não foi criada pelos nazistas, mas serviu de base para diversas políticas do Estado alemão após a chegada dos nazistas ao poder, em janeiro de 1933.

Cultura na Alemanha Nazista
Adolf Hitler e cineasta Leni Riefenstahl durante o comício de Nuremberg em 1935 (domínio público)

Parece difícil acreditar que esse tipo de discurso pudesse fazer a cabeça de tanta gente. Mas vale lembrar que a despeito da crise política e econômica, a Alemanha vivia uma verdadeira revolução cultural nos anos que antecedem a chegada dos nazistas no poder: as mulheres ganhavam independência, havia mais estrangeiros no país, livros psicanalíticos escancaravam os problemas da sociedade burguesa, os negros americanos faziam shows de jazz em cabarés e a música popular rivalizava com a música clássica, que até ali era considerada a “alta cultura”. Naturalmente, isso tudo fazia com que a Alemanha fosse culturalmente pulsante, enriquecedora e transformadora. Mas períodos de transformação, cultural ou não, são também períodos de medo, de angústia e de ansiedade – nem todos lidam bem com tantas mudanças e com aquilo que é diferente. E uma das formas de se proteger das mudanças é o apelo ao tradicional e ao conservadorismo.

Para impedir a continuidade dessa “dominação judaica e bolchevista”, o Estado alemão, na visão dos nazistas, deveria depurar esses espaços de produção artística-cultural e controlar todos os equipamentos culturais do país. Recuperar o controle da cultura seria recuperar a Alemanha que teria sido perdida, reatar com o orgulho nacional e, consequentemente, a estabilidade política e o crescimento econômico. Somente desta forma, o povo alemão poderia reconhecer suas “raízes”, a “verdade” sobre o seu passado, sua “pureza”, seus “heróis”, seu folclore e seus valores. Trata-se de uma forma de conceber a cultura a partir da xenofobia e do nacionalismo excludente.

Colocando as ideias na prática

Quando os nazistas chegaram ao poder, em 1933, colocaram essas ideias na prática. A interdição dos comunistas foi feita de forma mais rápida e prática. Muitos foram mortos, perseguidos e exilados. Milhares foram presos, não apenas no sistema prisional convencional, mas nos campos de concentração – os primeiros campos de concentração foram feitos basicamente para esse grupo, o grupo dos adversários políticos do regime. Sindicatos foram desbaratados, associações estudantis desmembradas e a imprensa censurada. Pouco a pouco, a oposição foi calada, retirada de todos os postos do regime, incluíndo os postos que eram fundamentais para o fomento da cultura e das artes.

A exclusão dos judeus ocorreu simultaneamente, mas levou mais tempo. Era preciso identificá-los como judeus e precisar a sua localização. Muitos foram excluídos do serviço público por leis criadas ainda no começo do regime. Isso quer dizer que produzir cultura dentro da esfera governamental estava fora de cogitação desde cedo. Como o direito à reunião foi limitado, grupos teatrais independentes foram minguando; músicos judeus, devido a outras restrições previstas em lei, pararam de se apresentar em casas noturnas, haja vista que apenas “arianos” poderiam fazer shows nelas. Algo parecido se deu na imprensa, nas editoras e no cinema: se viver se tornou um desafio para os judeus, fazer musica, filmes e livros na Alemanha Nazista se tornou mais algo ainda mais difícil.

Há muitos exemplos de como os nazistas lidaram com a arte e a cultura. Na década de 1930, por exemplo, o Terceiro Reich organizou várias exposições que buscavam denunciar a arte moderna, chamando-a de “degenerada” e de “anti-patriótica”. Ou seja, era uma arte considerada feia, corruptiva, desengonçada, nefasta e que não estava à altura da Alemanha. Nomes que são considerados grandes expoentes da História da Arte, como Max Ernst, Paul Klee, Wassily Kandinsky Franz Marc e Marc Chagall, dentre outros, foram prescritos na Alemanha. A arte modernista era assim concebida porque ela desafiava o olhar do espectador; ela o provocava, mostrando traços, curvas e cenários que tinham o poder de deslocar o sujeito da sua zona de conforto, ao passo que os nazistas queriam uma arte que desse certezas ao invés de dúvidas, que confortasse ao invés de provocar.

O dia 10 de maio de 1933 ficou marcado na história como um dia de infâmia. Nesta data, ativistas nazistas e membros da União Estudantil nacional-Socialista jogaram livros de obras de autores “não-alemães” em fogueiras espalhadas por todo o país. O cinema, por sua vez, foi completamente dominado pela espetacularização da estética fascista – o nome de maior destaque foi de Leni Riefenstahl, que produziu documentários que eram verdadeiras peças de propaganda política. Ainda no cinema, o regime criou, em junho de 1933, a Câmara de Filmes do Reich. Todos os cineastas e membros da indústria do cinema no país foram obrigados a aderir a ela se quisessem continuar trabalhando. Os filmes se tornaram um meio propagador de mensagens que visavam educar o público nos princípios morais e culturais do Reich. Sub-câmaras com funções semelhantes foram criadas para as belas-artes, para a musica, imprensa e outras tantas áreas culturais.

Cultura na Alemanha Nazista
Simpatizantes nazistas queimam livros em praça pública na Alemanha. Foto: domínio público

O Estado Nazista pensava a cultura e a arte como uma forma de “esclarecimento popular”, imaginando que o povo era inculto e vazio, devendo ser iluminado e preenchido por obras civilizatórias patrocinadas pelo Estado. Segundo destaca o Museu do Holocausto de Washington, “a partir de setembro de 1933, uma nova Câmara de Cultura do Reich (Reichskulturkammer) – uma organização abrangente composta pelas Câmaras do Reich de Filmes, Música, Teatro, Imprensa, Literatura, Belas Artes e Rádio – começou a supervisionar e controlar todas as facetas da cultura alemã”. A instituição museológica norte-americana, que é uma das maiores referências em Estudos do Holocausto, diz ainda:

“A nova estética nazista adotou o modelo do realismo clássico. As artes visuais e outras formas da “alta” cultura empregaram aquele ideal para glorificar a vida no campo, a família, a comunidade e o heroísmo no campo de batalha, além de tentarem exemplificar as “virtudes alemãs”, como o trabalho, o auto-sacrifício e a pureza racial “ariana”. Na Alemanha nazista, o objetivo final da arte não era a arte em si mesma, mas sim uma forma de transmitir uma mensagem de propaganda subliminar calculada: ela contrastava nitidamente com as tendências da arte moderna das décadas de 1920 e 1930, a qual empregava conceitos abstratos, expressionistas ou surrealistas. Em julho de 1937, foi inaugurada a “Grande Exibição da Arte Alemã”, apresentando a nova tendência cultural sob a perspectiva artística Nacional-Socialista, a qual havia tido sua primeira apresentação na Casa de Arte Alemã, em Munique”.

O regime favorecia financeiramente grupos e indivíduos que estavam alinhados com as ideias políticas do governo – daí, a expressão “dirigismo cultural”. Houve uma grande cooptação de artistas anticomunistas, antissemitas e até mesmo antiliberais para enaltecer o regime nazista. Eles recebiam grandes quantias do Estado para produzir e divulgar seus trabalhos. Depois de começada a guerra, esse tipo de política foi reproduzida nos países ocupados. A Alemanha deixou rapidamente de ter uma arte e uma cultura livres, dado que esta produção era não só subvencionada pelo Estado, como elas também tinham que seguir a política cultural deste Estado.

O historiador Richard Evans resume bem o dirigismo cultural nazista:

“A meta mais imediata da política cultural nazista era pôr fim ao “bolchevismo cultural” que vários órgãos e representantes do Partido Nazista haviam declarado que infestava o mundo artístico, musical e literário da República de Weimar. A maneira como as autoridades nazistas fizeram isso proporcionou ainda mais exemplos, se é que eram necessários, da amplitude e profundidade do processo de coordenação que ocorreu na Alemanha como base fundamental da conformidade social, intelectual e cultural sobre a qual o Terceiro Reich seria criado. Assim como em outras esferas da vida, o processo de coordenação da esfera cultural envolveu um expurgo geral de judeus das instituições culturais e uma rápida escalada ofensiva contra comunistas, social-democratas, esquerdistas, liberais e qualquer um de mente independente. A remoção dos judeus da vida cultural era uma prioridade específica, visto que os nazistas afirmavam que eles tinham sido os responsáveis pelo solapamento dos valores culturais alemães por meio de invenções modernistas como a música atonal e a pintura abstrata. Na prática, é claro que essas equações não correspondiam sequer remotamente à verdade. A cultura

modernista alemã não era sustentada por judeus, muitos dos quais na prática eram culturalmente tão conservadores quanto outros alemães de classe média. Mas, na brutal política de poder da primeira metade de 1933, isso pouco importava. Para o novo governo nazista, respaldado pelos nacionalistas, o “bolchevismo cultural” era uma das mais perigosas criações da Alemanha de Weimar, e uma das mais proeminentes. Conforme Hitler havia escrito em Minha luta, o “bolchevismo artístico é a única forma cultural possível de expressão espiritual do bolchevismo como um todo”. Entre essas expressões culturais, o cubismo e o dadaísmo eram as principais, que Hitler equiparava entre outras coisas com a abstração. Quanto antes esses horrores fossem substituídos por uma cultura verdadeiramente alemã, melhor. A revolução nazista, portanto, não se referia apenas a eliminar a oposição; também se referia a transformar a cultura alemã”.

Propaganda política, cultura e arte

A historiadora Maria Helena Capelato, especializada em estudos de imprensa, elenca algumas “características particulares” da propaganda política tão utilizada em regimes como o nazista: uso de insinuações indiretas, veladas e ameaçadoras; simplificação das idéias para atingir as massas incultas; apelo emocional; repetições; promessas de benefícios materiais ao povo (emprego, aumento de salários, barateamento dos gêneros de primeira necessidade); promessas de unificação e fortalecimento nacional.

Esse tipo de propaganda não é uma especificidade dos regimes ditatoriais, podendo ser encontrada também em diversas democracias, principalmente nas populistas e até mesmo ao longo da História dos Estados Unidos, sobretudo nos anos 1950. Contudo, é no contexto das ditaduras que ela mais se torna insidiosa, e o motivo é claro: a oposição e as instituições democráticas não estão lá para denunciar os abusos, os crimes e as manipulações do Estado. Isso faz com que o governo tenha um total controle da comunicação social no país, senhor absoluto dos números, das imagens dos textos. A cultura e a arte estão nesses regimes sempre à serviço da propaganda política. 

Cultura na Alemanha Nazista
Fila para conferir a exposição chamada de “Arte Degenerada”. As obras eram penduradas incorretamente e com iluminação distorcida. Fonte: domínio público.
Cultura na Alemanha Nazista
Hitler confere a exposição “Arte Degenerada”. Fonte: domínio público.

Os nazistas souberam unir propaganda política e cultura em um momento muito importante dos meios de comunicação. Nos anos 1930, com a popularização da fotografia, do rádio e do cinema, a comunicação se tornou uma comunicação de massa. O fascismo entendeu a potencialidade das novas tecnologias de forma muito rápida. Era muito mais fácil falar diretamente com o público através dessas novas mídias. Suas mensagens eram repletas de otimismo, orgulho nacional e simples porque precisavam emocionar as massas, colocá-las como parte da mudança que tentavam implementar.

Em seu conhecido livro, o “Mein Kampf” (Minha Luta), escrito ainda nos anos 1920, quando estava preso, Hitler já deixava antever suas ideias na área da cultura e da propaganda: “a arte da propaganda consiste em ser capaz de despertar a imaginação pública fazendo apelo aos sentimentos, encontrando fórmulas psicologicamente apropriadas que chamam a atenção das massas e tocam os corações”. Joseph Goebbels, que logo se tornari o seu Ministro da Propagada, também expôs o que se deveria esperar da propaganda: “(…) é boa a propaganda que leva ao sucesso (…). Esta não deve ser correta, doce, prudente ou honorável (…) porque o que importa não é que uma propaganda impressione bem, mas que ela dê os resultados esperados”.

A ideologia como cultura

Para compreender o que a arte e a cultura significavam para os nazistas é preciso ainda sublinhar a maneira como a ideologia pode naturalizar a violência. A violência, a repressão e a censura não são valores de fácil assimilação, mesmo entre os setores mais conservadores e retrógrados. Sua aceitação social depende fundamentalmente da maneira como a ideologia é colocada em ação, especialmente no plano da cultura, que é onde aprendemos a construir a nossa visão do mundo, os limites de nossa tolerância e a nossa leitura dos fenômenos políticos cotidianos. Por isso, o Ministério da Propaganda, controlado de 1933 a 1945 por Joseph Goebbels, era tão importante: ele foi fundamental para tornar o inaceitável em aceitável, o reprovável em desejado, o macabro em orgulho. Ele normalizou o abominável, fosse encontrando justificativa no discurso nacionalista, fosse recorrente à paranoia comunista ou ao discurso anticorrupção. O antissemitismo, o anticomunismo, a censura e outros tipos de truculência nazista não seriam possíveis sem que houvesse um pesado investimento em propaganda e no controle dos meios culturais. A propaganda, em primeira e última instância, justificou os excessos do totalitarismo nazista e fez os aparelhos do Estado serem completamente instrumentalizados.

É importante ressaltar, contudo, que Goebbels e Hitler não tinham diante de si uma tábula rasa. Há anos vinha ocorrendo na sociedade alemã a sedimentação de racismos, preconceitos e intolerâncias, de modo que Goebbels e Hitler mais mobilizaram do que plantaram. Ambos souberam energizar elementos que estavam profundamente enraizados na cultura alemã, e que o contexto de crise política e econômica no final dos anos 1930 apenas deixou mais aparente. A República de Weimar e mesmo os governos antes dela não tiveram instituições democráticas fortes o suficientes para coibir esses elementos no momento em que eles se manifestavam pela primeira vez. Da mesma forma é importante dizer que muitos se levantaram contra o autoritarismo nazista na esfera cultural, quase todos pagando um preço muito alto nas mãos do aparato policial do Reich.

Referências Bibliográficas

ADORNO, Theodor W. Indústria cultural e sociedade. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

EVANS, Richard J. A chegada do Terceiro Reich. Rio de Janeiro: Editora Planeta do Brasil, 2013.

MOSSE, George Lachmann. Nazi culture: Intellectual, cultural and social life in the Third Reich. Univ of Wisconsin Press, 2003.

KATER, Michael H. et al. The twisted muse: Musicians and their music in the Third Reich. Oxford University Press on Demand, 1997.

KERSHAW, Ian. Hitler: um perfil do poder. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.

PANDOLFI, Dulce. Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1999.

PEREIRA, Wagner Pinheiro. O poder das imagens: cinema e política nos governos de Adolph Hitler e de Franklin D. Roosevelt (1933-1945). Rio de Janeiro: Alameda, 2012.

Bruno Leal Pastor de Carvalho é fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social (UFRJ, 2015). Mestre em Memória Social (UNIRIO, 2009), Especialista em História Contemporânea (PUCRS, 2010), Graduado em História (UERJ, 2006) e Comunicação Social (UFRJ, 2006). Foi professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra, com especial ênfase no destino dos criminosos nazistas. Foi cocoordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos e Árabes da UFRJ, o NIEJ entre 2011 e 2018. É membro da Rede Brasileira de História Pública e da Associação das Humanidades Digitais.

Como citar este artigo

CARVALHO, Bruno Leal Pastor de. O controle da cultura e da arte na Alemanha Nazista (Artigo). In: Café História – história feita com cliques. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/o-controle-da-cultura-e-da-arte-na-alemanha-nazista/. Publicado em: 21 jan. 2020. ISSN: 2674-5917.

4 Comentário

  1. Na “crista” dos últimos ocorridos, artigo necessário e indispensável para compreender como os fascismos se retroalimentam ao longo do tempo utilizando ferramentas similares.

  2. Texto muito bom e atual, Bruno.
    Parabéns!
    Uma sugestão de correção: “Minha vida” está no lugar de “Minha luta” na tradução da obra de Hitler.

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