Noel Nutels: o médico sanitarista que denunciou o genocídio dos povos indígenas do Brasil

Entre as décadas de 1940 e 1970, Noel Nutels percorreu o interior do Brasil atendendo populações até então bastante ignoradas pelo poder público. Personagem da saúde pública brasileira, notabilizou-se por rejeitar a naturalização do genocídio dos povos indígenas no Brasil.

Por Cristiane d’Avila Lyra Almeida

“A essa hora alguém está matando um índio. É a cobiça da terra, é a cobiça do subsolo, é a cobiça das riquezas naturais. É um vício de estrutura econômica. Enquanto terra for mercadoria e objeto de especulação vai se matar índio. A quem interessa o crime?”.

A provocação foi feita pelo médico sanitarista Noel Nutels (1913-1973) em depoimento à CPI do Índio, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em dezembro de 1968.[1]

Nutels é um personagem da saúde pública brasileira que notabilizou-se por rechaçar a naturalização do genocídio dos povos indígenas no Brasil. Judeu expulso de sua terra pela violência dos pogroms [2] russos, Nutels, nascido na Ucrânia, negou-se a “fazer a América”, expressão em geral usada para se referir aos imigrantes europeus que desejavam fazer fortuna nos trópicos, no início do século XX. Preferiu engajar-se na causa social pela medicina. A saúde indígena foi a sua escolha, com destaque para a prevenção da tuberculose entre os povos originários do país, do Mato Grosso à Amazônia. Pelo feito, o escritor Orígenes Lessa romanceou a vida do médico e deu à obra o título que poderia nomear o alter-ego de Nutels: “O índio cor-de-rosa”. [3]

O objetivo deste artigo é explicar quem foi Noel Nutels e porque seu trabalho é importante para se pensar a situação dos povos indígenas no Brasil contemporâneo.

Intérpretes do Brasil

Como aponta Moacyr Scliar, a opção de Nutels pela saúde pública é resultado de uma paixão que, no Brasil, manifesta-se com intensidade a partir do século XIX, como resultado da emergência de um Estado mais centralizador e atuante. A necessidade de controlar os problemas de saúde que comprometiam a mão de obra, a produção e o comércio, tão comum ao período, fez de Nutels um profissional engajado socialmente.

“Saúde pública é uma vivência, é um modo de ser. O sanitarista é uma pessoa diferente”[4], completa Scliar no livro organizado pelos pesquisadores da COC Nísia Trindade Lima e Gilberto Hochman sobre “médicos intérpretes” do Brasil. Os literatos, historiadores, artistas, antropólogos e sociólogos, afinal, não foram os únicos a produzirem interpretações sobre o país. Listado entre aqueles profissionais da medicina “pouco conhecidos do público acadêmico mais amplo e não reconhecidos como parte do pensamento social brasileiro” (2015, p. XIII), Nutels foi um desses intérpretes. Foi homem de ação, daqueles médicos que vão a campo.

Decerto, tal qual Nutels, médicos como Belisário Penna (1868-1939), Carlos Chagas (1879-1934), Sergio Arouca (1941-2003) e Nise da Silveira (1905-1999), entre tantos outros, “fizeram, cada um a seu modo, diagnósticos sobre a sociedade e apresentaram propostas de intervenção. Não apenas interpretaram, mas, sobretudo, participaram da construção simbólica e material da sociedade brasileira”. [5]

Sua atuação, conforme aponta o pesquisador da COC Carlos Henrique Paiva, está intimamente relacionada a essa ideologia de salvação e construção nacional pela saúde pública, fruto do movimento sanitário da Primeira República (1889-1930). “O voto do jovem médico era a favor da inovação, queria despir-se do ranço parasitário das antigas oligarquias para se vincular a uma nova tradição, mais moderna, ligada à construção, pelas ideias, propostas e sua aplicação, à invenção de um país.”[6]

Entre as décadas de 1940 e 1970, Noel Nutels percorreu o interior do Brasil atendendo populações indígenas, sertanejas e ribeirinhas. Grande parte dessas expedições foi filmada por ele em 34 filmes de 16 mm. O material bruto, doado por sua filha à Cinemateca Brasileira, desde a década de 1990 está disponível para consulta no Departamento de Arquivo e Documentação (DAD/COC). No arquivo da COC também está preservado o único registro em áudio da voz de Nutels, transcrito pelos pesquisadores do departamento. Trata-se do depoimento dele à Câmara dos Deputados em Brasília, durante à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos índios, em dezembro de 1968.

A pesquisadora do DAD e autora de dissertação de mestrado sobre Nutels, Stella Oswaldo Cruz Penido, telecinou e fez a descrição dos filmes do sanitarista. Segundo ela, “há um movimento que perpassa, do ponto de vista formal, o conjunto da obra. Os filmes são independentes uns dos outros, cada um tem o seu tempo interno, e a ordem de sua posição não é o que determina a obra. Existe lentidão em seu ritmo e lirismo em suas panorâmicas, o que transmite uma força imagética suplementar que também decorre das distâncias que Noel percorre para debelar a tuberculose.”[7]

Recentemente, as imagens telecinadas de 18 destes filmes e o áudio de Nutels foram reunidos no documentário “O índio cor-de-rosa contra a fera invisível: a peleja de Noel Nutels”. O vídeo foi um dos vencedores do concurso do Selo Fiocruz Vídeo 2019.

O médico cinegrafista

A atuação de Nutels junto às populações indígenas começou em 1949, quando ele foi nomeado médico da Expedição Roncador-Xingu (da Serra do Roncador, Mato Grosso, ao rio Xingu, que se estende do Mato Grosso ao Pará). Organizada no governo de Getúlio Vargas em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, ela tinha como principal objetivo desbravar o interior e preencher os vazios do país, ligando-o de norte a sul.

Organizada pela Coordenação da Mobilização Econômica (uma espécie de ministério), ligada administrativamente à Fundação Brasil Central (FBC)[8], a expedição abriu 1.500 quilômetros de trilhas, construiu 19 campos de pouso, instalou três bases operacionais e fixou mais de 40 núcleos de povoamento.[9] Da expedição resultou, em 1946, a criação do Parque Indígena do Xingu, oficializada em 1961.

Noel Nutels
Noel Nutels. Foto: www.noelnutels.com.br

O projeto de interiorização do desenvolvimento, denominado “Marcha para o Oeste”, pretendia criar novas vias de comunicação, abrir campos de pouso e fixar núcleos populacionais. Em 1949, os irmãos Villas-Bôas passaram a liderar a expedição e estabeleceram contato amistoso com os povos indígenas, debilitados por epidemias e pela alta mortalidade infantil. Médico da expedição a partir daquele ano, Nutels, bastante impactado pela experiência decidiu, em 1951, especializar-se na luta contra a tuberculose. “Nascia o Nutels tisiologista”[10].

A entrada dele no Serviço Nacional de Tuberculose (SNT) do Ministério da Saúde promoveu a ideia de se criar um serviço aéreo de atendimento médico às populações do interior do país. Desta iniciativa nasceu, em 1956, o Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas (SUSA), com o objetivo de realizar levantamentos cadastrais, testes tuberculínicos, raio X, vacinações, extração de dentes e campanhas educativas para profilaxia da tuberculose e outras doenças[11] das populações indígenas e rurais. Nutels foi diretor do SUSA desta data até 1973, quando faleceu.

Segundo Paiva, para conquistar a adesão da população rural às propostas do SUSA, principalmente no combate à tuberculose, Nutels chegou a financiar a edição de um livreto de cordel intitulado “A fera invisível ou o triste fim de uma trapezista que sofria do pulmão”, escrito pelo pernambucano João José da Silva. O autor recebeu do próprio médico instruções sobre a doença, que acometia principalmente os mais pobres. O cordel era acompanhado de shows de música para atrair a população.

“Em linguagem popular e acessível, homens, mulheres e crianças do campo vislumbraram a possibilidade de compreender um pouco mais como se dava o contágio e o tratamento do mal-dos-peitos. Práticas como essas demonstram que Nutels era o tipo de profissional que não agia habitualmente via medidas impostas de ‘cima’ em nome de uma certa autoridade científica ou governamental, mas procurava atingir por ‘dentro’, utilizando-se das tradições e da cultura local como estratégia para o estabelecimento de contato entre os saberes erudito e popular, relação social vital para a debelação ou o controle das doenças não só do interior, pode-se dizer. Aqui, um grande instrumento foi a compreensão do processo de saneamento como também uma questão de educação sanitária.” [12]

Em dezembro de 1968, durante a CPI do Índio, realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília, Nutels foi um dos principais depoentes. Na ocasião, ele denunciou a cobiça do homem branco, responsável por levar a morte às populações indígenas do país:

“Recentemente, um industrial paulista comprou terras no Mato Grosso. Acho justo que ele compre, não acho justo que o Estado venda. Lá vivia um último grupo vivendo em condições tribais. A princípio ele achou interessante que houvesse índios vivendo na terra dele. Mas aos poucos foi difícil manter uma tribo primitiva com uma empresa comercial que visa ao lucro. Pra fazer pasto, criar boi e tocar fogo no Cerrado. O Xavante vivia do Cerrado. Como começou a faltar o alimento deles, que viviam da caça, começaram a matar bois. Pois bem, esses índios foram retirados e transportados para uma missão religiosa. No primeiro mês morreram 90 de sarampo. Qual a solução? A solução é que se controle essa voracidade, essa cobiça sem limites, e que a vida humana seja respeitada”.  

Noel Nutels
Noel Nutels. Foto: www.noelnutels.com.br

Noel Nutels foi tão conhecido e tão importante na defesa dos povos indígenas, que o poeta Carlos Drummond lhe rendeu uma homenagem em forma de poema. Nutels que, juntamente com os irmãos Villas-Bôas, o Marechal Rondon e o antropólogo Darcy Ribeiro, entre outros, idealizou e tornou possível a criação do Parque Indígena do Xingu. O poema se chama “Entre Noel e os índios” e tem os seguintes versos.  

 Entre Noel e os índios 
  
 Em Vila Rosali Noel Nutels repousa 
 do desamor alheio aos índios 
 e de seu próprio amor maior aos índios. 
 Como se os bastos bigodes perguntassem: 
  
 Valeu a pena? 
 Valeu a pena gritar em várias línguas 
 e conferências e entrevistas e países 
 que a civilização às vezes é assassina? 
 Valeu, valeu a pena 
 criar unidades sanitárias aéreas 
 para salvar os remanescentes 
 das vítimas de posseiros, madeireiros, traficantes 
 burocratas et reliqua, 
 que tiram a felicidade aos simples 
 e em troca lhes atiram de presente 
 o samburá de espelhos, canivetes, 
 tuberculose e sífilis? 
 Noel baixa de helicóptero 
 e vê a fome à beira d’agua trêmula de peixes. 
 Homens esquecidos do arco-e-flecha 
 deixam-se consumir em nome 
 da integração que desintegra 
 a raiz do ser e do viver. 
 “Vocês têm obrigação de usar calça 
 camisa paletó sapato e lenço, 
 enquanto no Leblon nos despedimos 
 de toda convenção, e viva a natureza...” 
 Noel, tu o disseste: 
 A civilização que sacrifica 
 povos e culturas antiquíssimas 
 é uma farsa amoral. 
  
 O Parque maravilha do Xingu 
 rasgado e oferecido 
 ao galope das máquinas, 
 não o quiseste assim e protestante 
 como se fosse coisa tua, e era 
 pois onde um único índio cisma 
 e acende fogo e dança 
 a dança milenar extra-Conservatório 
 e desenha seu momento de existir 
 longe da Bolsa, da favela e do napalm, 
 aí estavas tu, teu riso companheiro, 
 teus medicamentos, 
 tua branca alegria de viver 
 a vida universal. 
 Valeu? Valeu a pena 
 teu cerne ucraniano 
 fundir-se em meiga argila brasileira 
 para melhor sentires 
 o primitivo apelo da terra 
 moldura natural de homens xavantes 
 e kreen-akarores 
 lar aberto de bororos 
 carajás e kaingangs 
 hoje tão infelizes 
 pela compulsão da felicidade programada. 
 Valeu, Noel, a pena 
 seguir a traça de Rondon 
 e de Nimuendaju, 
 mãos dadas com Orlando e Claudio Vilas-Boas 
 sob o olhar de Darcy Ribeiro, 
 e voar e baixar e assistir e prover 
 e alertar e verberar 
 para que fique ao menos no espaço 
 este signo de amor compreensivo e ardente 
 que foi a tua vida sertaneja, 
 a tua vida iluminada, 
 e tua generosa decepção. 

 (Drummond apud Borges, 2014, pp. 3-4-5) 
Notas

1 “O filme “Índios, memória de uma CPI” é um média-metragem de 32 minutos de duração que utiliza o material cinematográfico que documentou a histórica Comissão Parlamentar de Inquérito, realizada pela Câmara dos Deputados em 1968 e que investigou a situação dos povos indígenas. A CPI do Índio, como na ocasião ficou conhecida essa iniciativa da Câmara Federal, foi a primeira Comissão de Inquérito (CPI) que saiu do prédio do Congresso para fazer suas investigações in loco. Inicialmente foram pensadas cinco viagens para regiões onde mais se agudizavam os conflitos entre índios e as frentes pioneiras. A CPI foi interrompida pelo AI-5, vários dos seus membros foram cassados. O filme também sofreu as consequências da brutalidade política: os negativos e o som me foram tomados. Estava adiada a primeira tentativa do cinema brasileiro em colocar a questão do índio como problema social e político, antes toda a cinematografia indígena era etnográfica”. Penna, 2013. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=qlayUPFEIBI

2 Termo atribuído à perseguição deliberada a um grupo étnico ou religioso e a seu ambiente, aprovado ou tolerado pelas autoridades locais. Em geral refere-se a ataques em massa a judeus na Europa, mas pode ser atribuído a outras etnias.

3 “O índio cor-de-rosa”, romance biográfico em que Orígenes Lessa (1903-1986) reconstrói a trajetória de Nutels.

4 Scliar, 2015, p.529.

5  Lima, Hochman, 2015, p.XXIV.

6  Paiva, 2003, p.828-829.

7 Penido, 1997, p.38.

8 “A Fundação Brasil Central (FBC), que teve origem na Expedição Roncador-Xingu, inicialmente comandada por João Alberto Lins de Barros (ministro da Coordenação de Mobilização Econômica e ex-tenente da Coluna Prestes), foi um órgão, criado em 1943, com o objetivo de “desbravar e colonizar as zonas compreendidas nos altos rios Araguaia, Xingu e no Brasil Central e Ocidental”, região alvo da chamada “Marcha para Oeste”, programa de colonização e ocupação de fronteiras impulsionado pelo então presidente Getúlio Vargas nos primeiros anos do Estado Novo. Essa iniciativa fundou as cidades de Aragarças, em Goiás, e Nova Xavantina, no Mato Grosso; assumiu a administração da Estrada de Ferro Tocantins; firmou convênios com outros órgãos para mobilização de trabalhadores do norte do país; construiu usinas de cana, estradas, campos de pouso, redes de comunicação; e adquiriu entrepostos comerciais”. “As ideias que fazem o Estado andar: a Fundação Brasil Central e a imaginação territorial brasileira”. Disponível em https://bit.ly/2SdyWAe.

10 Paiva, 2003.

11 Brito, 2011, p.41.

12 Paiva, 2003, p.843.

Referências Bibliográficas

BORGES, Amanda Aparecida de Almeida. “Carlos Drummond de Andrade looking for Noel Nutels”. Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG. Belo Horizonte, v. 8, n. 15, maio 2014. ISSN: 1982-3053.

BRITO, Carolina Arouca Gomes de. “Medicina e antropologia: atenção à saúde no Serviço de Proteção aos Índios (1942-1956)”. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Rio de janeiro, 2011.

CASA DE OSWALDO CRUZ/FIOCRUZ. DEPARTAMENTO DE ARQUIVO E DOCUMENTAÇÃO. Arquivo Sonoro. “Depoimento de Noel Nutels à Câmara dos Deputados em Brasília/DF, 1968”.

_______________________________. “Documentos audiovisuais”. Relatório da Sala de Consulta. Rio de Janeiro, 2015.

COSTA. Dina Czeresnia. “Política Indigenista e assitência à saúde Noel Nutels e o Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas”. Cadernos de Saúde Pública, RJ, 4 (3): 388-401, out/dez, 1987.

HOCHMAN, LIMA (Orgs.). Médicos e intérpretes do Brasil. São Paulo: Hucitec, 2015.

PAIVA, C. H. A.: “A saúde pública em tempos de burocratização: o caso do médico Noel Nutels”. História, Ciências, Saúde. Manguinhos, vol. 10(3): 827-51, set.-dez. 2003.

PENNA, Hermano. “Índios, memória de uma CPI (de 1968 até 1998). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=qlayUPFEIBI

PENIDO, Stella Oswaldo Cruz. “Noel Nutels, um cinema de alteridade”. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1997.

SCLIAR, Moacyr. “Noel Nutels: o sanitarista heterodoxo”. Em: Médicos e Intérpretes do Brasil. São Paulo: Hucitec, 2015, pp 324-551.

Cristiane d’Avila é jornalista, doutora em Letras pela PUC-Rio, Tecnologista em Saúde Pública da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), onde atua no Departamento de Arquivo e Documentação. Mestre em Comunicação Social e Especialista em Comunicação e Imagem pela PUC-Rio. É organizadora do livro “Cartas de João do Rio a João de Barros e Carlos Malheiro Dias”, publicado pela Funarte em 2013, e autora do livro “João do Rio a caminho da Atlântida”, publicado em 2015 com apoio da Faperj. Colabora mensalmente com o Café História com textos sobre História das Ciências e da Saúde.

Como citar este artigo

D’AVILA, Cristiane. Noel Nutels: o médico sanitarista que denunciou o genocídio dos povos indígenas do Brasil (Artigo). In: Café História – história feita com cliques. Publicado em 23 de dezembro de 2019. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/noel-nutels-indigenas-genocidio

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