Historiadoras e historiadores lançam manifesto por indicação de mulher negra ao STF

Documento defende que a próxima vaga na Suprema Corte seja ocupada, pela primeira vez, por uma mulher negra. Café História apoia e subscreve o texto.
21 de outubro de 2025
Historiadoras e historiadores lançam manifesto por indicação de mulher negra ao STF 1
Foto oficial do STF, com a formação atual completa, e o procurador-geral da República Paulo Gonet. Uma mulher e nenhuma mulher negra. Foto: Fellipe Sampaio/STF

O Projeto de Extensão da Universidade de Brasília, “Memória e Ditadura Militar nas Escolas Públicas do DF”, publicou nesta terça-feira (21), no Café História (ver abaixo), um manifesto público defendendo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indique uma mulher negra para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, ocorrida na última sexta-feira.

O manifesto é assinado por cinco membros do projeto: as professoras do Departamento de História da UnB, Ana Flávia Magalhães Pinto e Mariléa de Almeida, o professor Mateus Gamba Torres, do mesmo departamento, Keilla Vila Flor Santos, professora da educação básica no DF e egressa da UnB, e Nathanael Martins Pereira, doutorando do PPGHIS/UnB. O Café História apoia e subscreve o pedido.

O manifesto destaca a histórica sub-representação de mulheres no STF e a ausência completa de mulheres negras na mais alta corte do país. Desde sua fundação, em 1891, o STF teve 172 ministros, dos quais apenas três foram mulheres brancas: Ellen Gracie (indicada por FHC, deixou a Corte em 2011), Rosa Weber (indicada por Dilma Rousseff, aposentada em 2023) e Cármen Lúcia (indicada por Lula, ainda em exercício até 2029). Segundo cálculo recente publicado pelo Nexo Jornal, isso representa apenas 1,7% de presença feminina, contra 98,3% de homens, a maioria esmagadora brancos, o que revela uma profunda desigualdade estrutural.

Confira, a seguir, o manifesto, na íntegra:

Bruno Leal

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas, justiça no pós-guerra e as duas guerras mundiais. Autor de "Quero fazer mestrado em história" (2022) e "O homem dos pedalinhos"(2021).

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