Tropas de bicicleta indianas em um cruzamento na estrada Fricourt-Mametz, Somme, França. Foto: John Warwick Brooke .

Livro examina como 1ª Guerra Mundial afetou combatentes indianos e chineses

Calcula-se que mais de 140 mil combatentes indianos e chineses tenham participado de batalhas da Primeira Guerra Mundial.

A centenária historiografia da Primeira Guerra Mundial não dá sinais de esgotamento. Pelo menos é o que sugere o mais novo lançamento do historiador Dominiek Dendooven, o livro Asia in Flanders field – Indians and Chinese on the Western Front, 1914-1920 (“Ásia nos campos de Flandres – Indianos e chineses no Front Ocidental, 1914-1920”), que chegará às livrarias inglesas no dia 30 de janeiro de 2022, publicado pela editora Pen & Sword Military.

Na pesquisa para o livro, Dendooven examinou como combatentes indianos e chineses foram afetados por batalhas do chamado Front Ocidental, e como esta experiência mudou as suas respectivas sociedades. Para isso, o historiador baseou-se em muitas fontes originais e até então desconhecidas. São documentos escritos em francês, alemão, flamengo e chinês, além de fotografias, canções e artes de trincheira.

Calcula-se que mais de 140 mil combatentes indianos e chineses tenham participado de batalhas da Primeira Guerra Mundial, um dos maiores contingentes dos então territórios coloniais dos impérios britânico e francês.

De acordo com Dendooven, muitos indianos e chineses que estiveram nessas batalhas na Bélgica e na França entraram em contato, pela primeira vez, com o “outro europeu”. Eram homens jovens, sem muita instrução e que não tinham, em sua maioria, a chance de conhecer outros países. A guerra, neste sentido, foi uma experiência ambígua: apresentou-lhe não só o horror das batalhas, mas também os confrontou com hábitos, tradições, arquiteturas, culturas diferentes, com as quais souberam aprender.

Livro examina como 1ª Guerra Mundial afetou combatentes indianos e chineses 1

Asia in Flanders field mostra que esses combatentes enfrentaram racismo e xenofobia dentro e fora de seus comandos militares, mas que, por outro lado, também viveram relações sociais humanas comoventes e duradouras. Essas experiências foram fundamentais para que movimentos nacionalistas e anti-imperialistas se sentissem, ao fim da guerra, mais conscientes e fortes.

Os “campos de Flanders” a que se refere o autor no título do livro são as batalhas que ocorreram em áreas que abrangem as províncias belgas de Flandres Ocidental e Flandres Oriental, bem como o departamento francês de Nord-Pas-de-Calais, parte do qual compõe a área conhecida como Flandres francesa. Algumas das mais importantes e violentas lutas da Primeira Guerra Mundial ocorreram nessas regiões da Bélgica, como a Segunda Batalha de Ypres, travada entre 22 de abril e 25 de maio de 1915, onde ocorreu pela primeira vez uso de gás venenoso pela Alemanha na Frente Ocidental.

Dominiek Dendooven

Dominiek Dendooven é historiador, especialista em Primeira Guerra Mundial. Ele é curador e pesquisador do Flanders Fields Museum e professor associado e pesquisador da Universidade de Antuérpia e da Universidade de Louvain. É autor com mais de dez publicações em inglês e francês. Asia in Flanders field terá um evento de lançamento no dia 16 de dezembro, no Museu do Exército Nacional, em Londres, e, infelizmente, não tem qualquer indicativo de tradução para língua portuguesa.  

Com informações do Asia in Flanders Fields

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra.

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