Livro conta a vida em uma prisão durante doze anos da ditadura no Uruguai

"Memórias do Calabouço", publicado no Brasil pela editora "Rua do Sabão", conta a história que inspirou o filme "Uma noite de 12 anos". Narrativa fala sobre a repressão durante a ditadura militar no Uruguai.

Fotografia do centro de detenção durante a ditadura militar no Uruguai. Foto: Wikipedia.

Pepe Mujica, Mauricio Rosencof e Eleutério Fernández Huidobro não eram
prisioneiros: eles eram reféns da ditadura cívico militar que tomou o poder
no Uruguai em 1973. Se as famílias fizessem denúncias no exterior, se os
companheiros Tupamaros atentassem contra os militares, se um resgate fosse tentado, os três reféns seriam executados.

A comida era pouca, às vezes nenhuma. O frio intenso. Quando queriam ir ao banheiro, eram amarrados, encapuzados, e habitualmente espancados no trajeto. De tão precárias as condições, apegaram-se ao capuz, o mesmo que os vendava, e o utilizavam de travesseiro, de coberta, mantinham-no limpo, da forma como era possível em condições tão insalubres.

Comunicar-se era definitivamente proibido. Ainda assim, batendo os dedos
contra a parede, num código morse improvisado, conversavam, lutavam,
militavam, jogavam xadrez. Finalmente libertados, em 1985, Mauricio
Rosencof, o Russo, e Eleutério Fernández Huidobro, o Nhato, colocam-se
diante de um gravador para narrar todo o vivido naqueles 12 anos. Pepe
Mujica, futuro presidente do Uruguai, editou o livro. Eduardo Galeano
escreveu o prefácio. Assim, publica-se a primeira edição de “Memórias
do Calabouço”.

Livro conta a vida em uma prisão durante doze anos da ditadura no Uruguai 1
Título: “Memórias do Calabouço” | Autor: Mauricio Rosencof e Eleuterio Fernandez Huidobro | Acabamento: brochura | Formato: 14 x 21 cm | Páginas: 308 pp. | ISBN: 978-65-991786-0-3 | Preço: R$ 55,00 | Editora: Rua do Sabão

A obra recebeu o Prêmio Bartolomé Hidalgo na categoria Testemunhos. Em 2018, Netflix lançou uma adaptação do livro, “Uma noite de 12 anos”. O
filme é dirigido por Álvaro Brechner e estrelado por Antonio de la Torre, Chino Darin e Alfonso Tort.

Sobre os autores

Maurício Rosencof é jornalista, romancista, poeta e dramaturgo. Vive em Montevidéu. Nos anos 1960, foi um líder do Movimento de Libertação Nacional (Tupamaros). Nascido em uma família judia polonesa, em 1931 o nazismo forçou seu pai a imigrar para o Uruguai. Um ano depois, vieram a esposa e o primeiro filho. Em 1933, nasceu Mauricio, que viveu a maior parte da infância no bairro de Palermo. Fundador da União da Juventude Comunista e líder do Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros (MLN-T), em 1972 foi preso e torturado com José Pepe Mujica e Eleuterio Fernández Huidobro. Após o golpe de 1973, ele foi declarado “refém” junto com outros oito presidiários. A permanência neste estado significava morte imediata se algum ato externo ameaçasse a segurança das Forças Armadas. Depois de doze anos de prisão, ele foi libertado em 1985, quando a lei de anistia foi promulgada.

Eleuterio Fernández Huidobro, conhecido como “El Ñato”, foi um político,
jornalista, escritor e guerrilheiro uruguaio. Foi Ministro da Defesa
Nacional durante a presidência de José Mujica e a segunda presidência de
Tabaré Vázquez. Nascido em Montevidéu, filho de imigrantes espanhóis, foi
um dos fundadores e principais dirigentes do Movimento de Libertação
Nacional – Tupamaros na década de 1960. Feito prisioneiro em 8 de outubro
de 1969, fugiu da prisão de Punta Carretas junto com outros 110 presos em
setembro de 1971. Foi novamente preso em 1972 e passou 12 anos na prisão
durante a ditadura cívico-militar. Foi libertado em 1985.

Kulturális

A Kulturális é uma empresa de comunicação e marketing com foco no mercado editorial e no cultural. Esporadicamente, a Kulturális publica no Café História novidades no campo da literatura de fição e da não-ficcão.

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