Dicas de livros: setembro de 2014

Tróstki | Bertrand Patenaude | Zahar | 2014 | 403 pp.

A Editora Zahar acaba de publicar “Tróstki: exílio e assassinato de um revolucionário”, de Bertrand M. Patenaude, professor da Universidade de Stanford. O livro é uma biografia de Leon Trotsky, um dos mais importantes intelectuais marxistas e figura chave da Revolução Bolchevique. A biografia de Patenaude tem como perspectiva o exilio final de Tróstki, no México, entre 1937 e 1940, ano em que foi assassinado. Baseado em uma extensão pesquisa original, a obra tem um ritmo de cinema, cuja narrativa combina a história dos últimos anos de Tróstki, quando este escrevia uma biografia sobre Stalin e artigos sobre a Segunda Guerra Mundial, com flashbacks de seus tempos de jovem revolucionário, organizador e chefe do temido Exército Vermelho, até ser proscrito da URSS de Stálin, marcado para morrer pela policia secreta do regime. No fim, o ódio (e a insegurança) que o Kremlin tinha por Tróstki era tanta que nem os dez seguranças particulares que faziam a escolta de Tróstki em sua casa no México, foram capazes de impedir seu assassinato. “Impossível parar de ler. Uma biografia fascinante e de tirar o fôlego”, sublinha o Financial Times. Clique aqui para saber mais.

18 Dias | Matias Spektor | Objetiva | 2014 | 288 pp.

O pesquisador Matias Spektor, professor adjunto de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, tem publicado interessantes pesquisas sobre Política Externa brasileira nos últimos anos. Depois dos elogiados “Kissinger e o Brasil” (2009) e “Azeredo da Silveira: um depoimento” (2010), Spektor acaba de publicar, pela Editora Objetiva, “18 dias: quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush”. O livro se baseia em documentos inéditos e entrevistas exclusivas com dezenas de indivíduos que participaram das relações entre o Brasil e os Estados Unidos durante a transição presidencial de 2002. No final daquele ano, Lula havia sido eleito para presidente da República com uma grande margem de votos. A eleição de mais um governo de esquerda da América Latina deixou Bush e Washington em alerta vermelho. Depois de Hugo Chávez e Evo Morales, perderia os Estados Unidos a influência no continente? Evitando desgastar as relações com o poderoso aliado do norte, PSDB e PT, apesar das tensões entre os partidos, uniram esforços para fazer a transição democrática na presidência e acalmar Bush e a capital americana. Clique aqui para saber mais.

1964 | Civilização Brasileira | 2014 | 420 pp.

Ainda dentro do contexto dos 50 anos do golpe civil-militar de 1964, os historiadores Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes, ambos da Universidade Federal Fluminense, lançaram há pouco pela Civilização Brasileira “1964”. O livro explora os anos que antecederam o golpe de 31 de março. Rejeitando uma história teleológica, que ao saber de antemão o que aconteceu acaba apostando em explicações simplistas (“o golpe foi inevitável”), os autores discutem as opções que os atores históricos tinham na época. “1964” passa pelos acontecimentos mais marcantes do início dos anos 1960: do avanço das esquerdas a negociação política pela posse de Jango, do plebiscito sobre o parlamentarismo ao Comício da Central do Brasil. Tudo isso culminando com o golpe que viria inaugurar um regime autoritário que governaria o país por mais de 20 anos. Uma característica importante do livro é que ele pode ser lido tanto pelos iniciados no assunto quanto pelo grande público em busca de uma leitura mais didática do assunto. O livro recorre-se a muita documentação, testemunhos e boxes explicativos. Por isso, pode ser uma boa pedida para quem está procurando uma boa introdução ao tema. Para conferir mais sobre o livro, clique aqui.

A Guerra é Nossa | Contexto | 2013 | 169 pp.

A Guerra do Paraguai (1864-1870) completa 150 anos de seu início em 2014. Para lembrar o conflito e estimular o debate sobre a sua história, fomos buscar um livro lançado em 2013 pela Editora Contexto: “A Guerra é Nossa”, de Alfredo da Mota Menezes. O livro de Menezes, que foi professor titular na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), é mais um livro – dentre vários da chamada Nova História da Guerra do Paraguai – que vem desconstruir uma leitura bastante famosa ainda hoje de que a maior guerra da História da América Latina foi um produto do imperialismo britânico na região do Cone Sul, imagem esta construída durante o governo nacionalista de Alfredo Stroessner (1954-1989) e também por uma historiografia marxista bastante forte nas décadas de 1960 e 1970. Para Menezes, o conflito não foi provocado pela Guerra e sim fatores regionais. Para demonstrar sua teses, o autor se debruça sobre atas, anais, trocas de correspondências e periódicos. Em outras palavras, a guerra foi nossa. Para conferir mais informações sobre o livro – boa sugestão para marinheiros de primeira viagem, entre alunos e professores, – clique aqui.

Quando a guerra é um negócio | Primas | 2014 | 340 pp.

Acaba de ser publicado “Quando a guerra é um negócio: F. D. Roosevelt, Iniciativa Privada e relações interamericanas durante a II Guerra Mundial”, da historiadora Érica G. Daniel Monteiro. O livro, que é uma versão da tese de doutorado defendida por Monteiro no PPGHIS/UFRJ, analisa os contatos estabelecidos entre o Estado e a iniciativa privada norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial, buscando compreender a atuação do setor empresarial e dos veículos de comunicação de massa na veiculação da chamada Política de Boa Vizinhança. Baseada em uma pesquisa documental de fôlego livro defende que a “Política da Boa Vizinhança” condensou o projeto do Estado americano aos imperativos privados, mas que esta relação não se deu de forma coercitiva, mas frutos de acordos, conquistas e negociações. Segundo a autoria, o vínculo entre diplomacia e negócio foi essencial para o processo de expansão da hegemonia norte-americana sobre a América Latina, bem como para a consolidação das empresas americanas nos mercados latino-americanos no período do pós-guerra. Clique aqui.

Trem para estação Varsóvia | PUCRS/AGE | 2014 | 200 pp.

Em abril de 2012, o Instituto de Estudos Latino Americanos da Universidade Livre de Berlim inaugurou a Cátedra de professores visitantes “Sérgio Buarque de Holanda”, que tem por função fomentar e ampliar o intercâmbio científico entre aquela universidade e o Brasil. O historiador Jurandir Malerba, professor da PUCRS, foi convidado para inaugurar a Cátedra. Durante o ano de 2012, Malerba deu muitas aulas e palestras sobre História do Brasil. Da experiência na capital alemã, no entanto, surgiu algo não planejado: um livro de crônicas sobre Berlim, “Trem para estação Varsóvia”, publicado este ano pela EdiPUCS/AGE. Malerba, que se mudou com a família para Berlim, fez uma imersão no cotidiano berlinense, para além dos clichês que por tantas vezes dão o tom aos relatos de quem passa pela cidade. Da universidade em que lecionou a escola dos filhos, do transporte público aos momentos de lazer, do sistema de saúde aos lugares de memória. Tudo isso compõe o relato (olhar) historiador de Malerba. A edição, vale destacar, é uma atração à parte: capa dura, ilustrado e com papel couchê levemente envernizado. Para saber mais informações sobre o livro, inclusive, como adquiri-lo, clique aqui.

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