Dicas de livros: junho de 2016

O Continente das Trevas | Mark Mazower | Edições 70 | 2014 | 561 pp.

Nos últimos anos, o século XX, sobretudo o período do pós-guerra, com ênfase na questão da recuperação econômica e social da Europa, tem recebido a atenção de muitos historiadores e suscitado obras de grande relevância historiográfica, caso de “Era dos Extremos” (Cia das Letras), de Eric Hobsbawm, e de “Pós-Guerra” (Ed. Objetiva), de Tony Judt. “O Continente das Trevas”, de Mark Mazower, que chega ao Brasil pela Edições 70/Almedina, pode ser incluído dentro deste seleto grupo. Formado em Oxford (1988), especialista em história da Europa e história internacional, Mazower desconstrói em sua obra o mito de uma Europa refúgio da democracia e elabora uma visão menos otimista, em que os totalitarismos surgem como uma ameaça constante. Para o autor, precisamos desconfiar das narrativas que enxergam a Europa simplesmente como uma unidade histórica autoconsciente de sua identidade democrática. “É como se uma das respostas às lutas sangrentas deste século consistisse em negar o seu caráter fratricida: um dos lados é visto como defensor da verdadeira Europa – l’Europa européene, na expressão admirável de Gonzague de Reynold -, enquanto os outros são considerados usurpadores ou bárbaros”. Reflexão esta, como se pode notar, mais do que pertinente e atual tendo em vista todos as tensões vividas pelo “velho continente” diante da massa desprotegida e desesperada de refugiados que tentam recomeçar ali suas vidas. O livro de Mazower é dividido em 11 capítulos. Ele começa com a ascensão e queda das democracias e termina com derrocada com o comunismo. Destaque para o capítulo 9, “A democracia transformada: a Europa Ocidental, 1950-1975”, momento em que a Europa viveu o seu esplendor econômico, tempos em que o nazi-fascismo quis se apresentar como um “passado que passou”, algo que não se confirmou logo em seguida. Se você mora no Rio de Janeiro e deseja adquirir o livro, sugerimos a livraria “Almedina Camões”, Rua Bittencourt da Silva, nº 12 Loja C – Centro. Para saber mais sobre a livraria, como telefones, e-mail ou acervo, bastante interessante em história, clique aqui. Agora, se você reside fora do Rio de Janeiro, saiba como comprar o livro de Mazower clicando aqui.

Adolf Hitler – Volume 1: os anos de ascensão 1889-1939 | Volker Ullrich | Amarilys | 2016 | 976 pp.

“Nenhum objeto histórico foi mais bem pesquisado em todos os seus ângulos e ramificações do que esse: a literatura sobre o assunto é tão vasta que atualmente enche bibliotecas inteiras”. É o que diz o historiador alemão Volker Ullrich sobre Hitler e o nacional-socialismo. Isso não impediu Ullrich, no entanto, de escrever mais uma bibliografia sobre Hitler, “Adolf Hitler – Volume 1: os anos de ascensão 1889-1939”, que acaba de ser publicado no Brasil pela editora Amarilys. Além de bem cuidada esteticamente, esta edição tem um fôlego e tanto: são 976 páginas, das quais mais de 200 são de notas, o que demonstra a preocupação da editora brasileira também com o aspecto acadêmico. Além disso, a obra apoia-se em vários documentos inéditos, característica que demonstra que ainda temos muito o que discutir e descobrir sobre esses dois objetos de estudo intimamente relacionados. Ullrich produziu uma obra muito bem escrita e que equilibra o contexto histórico dos nacionalismos da Europa nas primeiras décadas do século XX com a trajetória individual de Hitler, suas ideias, experiências e personalidade. Neste primeiro volume (mais outro está previsto), a leitura encontra-se dividia em 21 capítulos, que vão dos primeiros anos da vida de Führer até às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Afastando-se de teses que pintam Hitler co-mo “monstro” – o que transfere sua análise para além do mundo em que este se criou e atuou – o autor prefere ressaltar os aspectos fundamentalmente humanos de sua figura e governo. Porém, diz o autor, “mostrar Hitler como um ser humano não significa despertar simpatias por ele, ou mesmo minimizar seus crimes”. “Adolf Hitler – Volume 1: os anos de ascensão 1889-1939” é um livro notável: bem escrito, organizado e que propõe novas reflexões sobre o fenômeno nazista. Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

Ateliê do Pensamento Social | Bernardo Buarque de Hollanda, João Marcelo Ehlert Maia e Cláudio Costa Pinheiro | FGV Editora | 2016 | 173 pp.

A FGV Editora acaba de lançar “Ateliê do Pensamento Social – métodos e modos de leitura com textos literários”, fruto da terceira edição do Ateliê do Pensamento social, da Fundação Getúlio Vargas, que reuniu, por sua vez, diversos convidados internacionais e docentes de universidades brasileiras. O encontro teve por objetivo promover um debate de viés transnacional, com questões, vertentes e um elenco de autores menos usuais. O livro é organizado por Bernardo Buarque de Hollanda, João Marcelo Ehlert Maia e Cláudio Costa Pinheiro, e voltou-se para a relação mais geral entre literatura, história e ciências sociais. O interesse específico incidiu na narrativa de textos literários e na historiografia das práticas de leitura, tal como desenvolvida nas últimas décadas por sociólogos, antropólogos e historiadores. O livro é composto por quatro capítulos escritos pelos seguintes autores, na seguinte ordem de aparição: Roger Chartier, Berthold ZIlly, Roberto González Echevarría e Marco Antonio de Moraes. Segundo Bernardo Buarque de Hollanda, “ao pôr em relevo as fronteiras narrativas histórica e literária, ao tensionar a dade literatura-ciências sociais, ao refletir sobre os limites da intencionalidade do autor vis-a-vis a estética da recepção do leitor e ao recolocar a querela em torno do par texto-contexto, os quatro ensaios aqui reunidos convidam os leitores a explorar a imaginação literária que se irradiou em escala intercontinental, da Península Ibérica à América Latina, e desta àquela, desde os tempos coloniais até a contemporaneidade”. Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

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