Dicas de livros: dezembro de 2016

No último “Dicas de Livros” de 2016, um especial  sobre Teoria da História e Historiografia.

Os livros destacados a seguir trazem reflexões sobre a escrita da História, sua inserção no campo dos conhecimentos científicos e discussões metodológicas, além de nomes e contribuições teóricas de importantes historiadores. Indicados para todos os interessados em pensar e discutir a História, podem ser especialmente úteis aos estudantes de graduação ou iniciantes nos estudos históricos.

Reflexões sobre a História | Jacques Le Goff | Edições 70 | 2009 | 98 pp.

Nossa primeira dica deste especial “Teoria da História e Historiografia” é a obra “Reflexões sobre a história”, de Jacques Le Goff. O livro, lançado em 2009 pela editora portuguesa “Edições 70”, faz parte da coleção “Lugar da História” e é a transcrição, na íntegra, de uma entrevista que Francesco Maiello, professor da École des Hautes Études, em Paris, na França, fez com Jacques Le Goff no final dos anos 1980, um dos grandes vultos da historiografia europeia. Na conversa, são abordadas as relações entre a historiografia e as Ciências Humanas em geral, o tempo histórico, a relação entre acontecimento e mudança histórica, a Nova História, a Idade Média e a função do inconsciente e do recalcamento na História, entre outros temas. O primeiro capítulo, intitulado “A História, o historiador e os mass media” é um dos mais interessantes do livro. Nele, indagado pelo entrevistador sobre o lugar do historiador na sociedade e seu papel junto ao grande público, Le Goff é categórico: “De fato, estou cada vez mais convencido de que a História não poderá manter uma qualquer função no âmbito da ciência e da sociedade se os historiadores não souberem pôr-se em dia no que se refere aos novos meios de comunicação de massa”. Para saber mais sobre o livro, clique aqui. Você pode adquirir esse livro através do site da editora Almedina. Se você é do Rio de Janeiro, recomendamos a loja física da Almedina, que fica na Rua Bittencourt da Silva, n. 12, ao lado da estação carioca do metrô. A Almedina é parceira do Café História.

A Busca da História –| John Tosh | Editora Vozes | 2011 | 336 pp.

Nossa segunda dica é o livro “A Busca da História – objetivos, métodos e as tendências no estudo da história moderna”, de John Tosh, professor de História da Roehampton University, na Inglaterra, e membro da Sociedade Real de História, autor de vários estudos no campo da historiografia. Publicado em 2011 pela Editora Vozes, o livro é, nas palavras do próprio autor, uma introdução à História produzida pelos historiadores, isto é, a História que produzimos nas universidades. Como todo bom livro de introdução, este “A Busca da História” se preocupa com a aprendizagem dos alunos de graduação, público para o qual, em grande medida, ele é altamente recomendado. Neste sentido, a obra conta com uma linguagem objetiva e sofisticada, abordando múltiplos pontos de vista do campo historiográfico. Além disso, o livro conta com diversas fotos, caixas de textos adicionais e um glossário quase página a página, que ajudam a situar o leitor em um amplo campo de conceitos e expressões típicas da área de Teoria da História e Historiografia. São 11 capítulos ao todo, que passam por discussões de temas como consciência histórica, História Social, memória, fontes, escrita da História, teoria social, História Cultural, gênero, História Pós-Colonial, oralidade, entre outros. “O alcance dos estudos históricos é hoje em dia tão amplo que não tem sido fácil determinar o preciso alcance deste livro; mas, sem alguns limites mais ou menos arbitrários, um trabalho introdutório desta envergadura perderia sua consciência. Eu, portanto, não direi nada sobre a ciência da história ou história ambiental, e há somente algumas referências à história do corpo e à história do consumo. Em geral eu limitei minha escolha àqueles temas que são amplamente estudados pelos estudantes de hoje” – sublinha o autor. Quer saber mais sobre o livro? Clique aqui.

A Constituição da História como ciência | Julio Bentivoglio e Marcos Antônio Lopes (Orgs.) | Editora Vozes | 2013 | 318 pp.

Nossa seleção especial “Teoria da História e Historiografia” também traz importantes contribuições brasileiras. Recomendamos bastante o livro “A Constituição da História como ciência – de Ranke a Braudel”, organizado pelos historiadores Julio Bentivoglio e Marcos Antônio Lopes. Publicado em 2013 pela Editora Vozes, o livro possui dez capítulos dedicados a dez historiadores oitocentistas e do século XX, responsáveis pela institucionalização da história no campo das ciências modernas. São os historiadores contemplados: Leopold von Ranke, Jules Michelet, Jacob Burckhardt, Henri Pirenne, Benedetto Croce, Johan Huizinga, Lucien Febvre, Marc Bloch, Arnold Tonybee e Fernand Braudel. De acordo com Marco Antonio Lopes, “em comum, todos os autores-temas aqui tratados são expoentes de alta visibilidade formando, por assim dizer, o círculo de ferro da historiografia ocidental. Com efeito, suas perspectivas teóricas e suas técnicas de investigação oxigenaram o pensamento histórico, vitalizando-o”. O livro é indicado principalmente para estudantes de graduação que buscam se orientar na produção historiográfica dos dois últimos séculos. Renovada, a perspectiva historiográfica adotada pelos autores do livro propõe releituras de diversos historiadores e seus trabalhos. É o caso do capítulo dedicado a Ranke (1795-1886), assinado por Estevão Martins e Pedro Caldas, que ajudam a desfazer os mitos em torno do historiador alemão como um positivista frio e ingênuo, um radical e fervoroso defensor da neutralidade na escrita da História. Martins e Caldas, deste modo, propõem colaborar com a crítica ao que Sérgio da Mata chamou de “mito historiográfico”. Para saber mais informações sobre o livro, clique aqui.

Afirmação da História como ciência no século XX | Julio Bentivoglio e Alexandre de Sá Avelar (Orgs.) | Editora Vozes | 2016 | 167 pp.

Nossa quarta dica também é produção brasileira. A Editora Vozes lançou neste ano de 2016 o livro “Afirmação da História como ciência no século XX – de Arlette Farge a Robert Mandrou”, organizado pelos historiadores Julio Bentivoglio e Alexandre de Sá Avelar. A obra é uma continuação do volume “Constituição da História como ciência”, publicado pela mesma editora. O livro reúne análises pontuais sobre a obra de dez historiadores contemporâneos cujo impacto na historiografia é notável. São esses historiadores: Arlette Garge, Christopher Hill, Edward Palmer Thompson, Hans-Ulrich Gumbrecht, Hayden White, Jörn Rüsen, Michel de Certeau, Moses Finley, Reinhart Koselleck e Robert Mandrou. Como o livro da dica anterior, este também é muito recomendado para estudantes de graduação, principalmente para aqueles que estão dando os primeiros passos no campo da Teoria e da Historiografia. Os autores traçam não só uma rápida biografia dos historiadores e historiadoras selecionados, como também comentam os aspectos mais importantes de suas principais obras. De acordo com Avelar, “a obra em tela procura diagnosticar um momento de consolidação da História como ciência, notadamente em suas expressões francesa, alemã, inglesa, norte-americana e alemã (sic), tal como se apresentou na segunda metade do século XX, que pode ser aquilatada nas realizações metodológicas alcançadas. Ao mesmo tempo ela explora os desafios lançados a este campo, sobretudo, por meio do pós-estruturalismo e do revisionismo surgido depois da Segunda Guerra que colocaram a história face a face com os limites da representação narrativa do passado impondo aos historiadores novas reflexões sobre as possibilidades do campo”. Para saber mais, clique aqui.

Como se escreve a História | Paul Veyne | Edições 70 | 2016 | 406 pp.

Nossa quinta e última dica é o clássico de Paul Veyne, “Como se escreve a História”, outro título, como o primeiro desta pequena lista, que faz parte da coleção “Lugar da História”, da editora portuguesa Edições 70. O livro foi publicado originalmente em 1971 e logo provocou celeuma na comunidade historiográfica ao propor que a escrita da História deveria ser pensada como a produção de uma trama narrativa. Em certo momento da obra, Veyne diz: “Os historiadores relatam acontecimentos verdadeiros que tem o homem como ator; a história é um romance verdadeiro”. E isso dois anos antes da publicação do famoso estudo de Hayden White, “A Metahistória”, que consolidaria o tratamento da historiografia como uma produção textual como outra qualquer. “Como se escreve a História” (um título bastante ambicioso e até mesmo arrogante) se tornou uma das mais importantes contribuições para o debate teórico e historiográfico no século XX, quer concordemos ou não com Veyne. Esta edição, em particular, lançada em 2008, traz ainda um ensaio inédito de Veyne intitulado “Foucault revoluciona a história”. Polêmico, Veyne dispara seu cartão de visitas logo na introdução: “a história não é uma ciência e não tem muito a esperar das ciências; não explica e não tem método; mais ainda, a história, da qual se fala muito desde há dois séculos, não existe”. Quer conferir você mesmo? Clique aqui para saber mais sobre o livro. E vale a pena lembrar: se você é do Rio de Janeiro, recomendamos a loja física da Almedina, que fica na Rua Bittencourt da Silva, n. 12, ao lado da estação carioca do metrô. A livraria é uma grande parceira do Café História.

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