Cursos livres na internet: opção de formação continuada

Cursos livres e gratuitos na internet são uma ótima oportunidade para estudantes e profissionais veteranos que desejam se aperfeiçoar.

É cada vez maior a oferta de cursos livres na internet voltados para o grande público, especialmente estudantes universitários. Estamos falando aqui de uma tendência. O ensino a distância vem ganhando grande força, inclusive nas universidades dos Estados Unidos, que oferecem cada vez mais disciplinas que podem ser cursadas remotamente. Foi, aliás, nessas universidades, muitas das quais de excelência, que surgiram plataformas educacionais a distância hoje mundialmente reconhecidas, como o edX e o Coursera. O primeiro, por exemplo, é fruto da iniciativa conjunta do Massachussets Institute of Technology, Harvard University, Berkeley University, The University of Texas System, The University of Adelaide e TU Delft. São os chamados “Cursos Online Aberto e Massivo (ou, no original, em inglês, Massive Open Online Course – MOOC), isto é, cursos abertos ofertados por meio de ambientes virtuais de aprendizagem, ferramentas da Web 2.0 ou redes sociais.

O que esperar de um curso livre na internet?

Cursos livres e gratuitos na internet oferecem vários atrativos. Primeiro, eles já se encontram prontos e disponíveis para download: apostilas, artigos, vídeos, conferências, exercícios. Tudo isso pode fazer parte do material de um curso livre na internet. Em segundo lugar, mas não menos importante, são flexíveis. O aluno pode ajustar os conteúdos segundo sua agenda e seu próprio ritmo de estudo. Ao contrário da sala de aula convencional, os cursos livres na internet podem ser feitos em horários diversos. O aluno está no comando de sua própria aprendizagem.

Representantes do Coursera fecham acordo com Unicamp e USP. Fonte: Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UNICAMP.

Estudantes de cursos livres, no entanto, devem saber que há também dificuldades a serem enfrentadas. Nem todos os cursos do gênero, por exemplo, possuem tutores, fundamentais para a articulação dos conteúdos e do debate entre os estudantes. Muitos não estão disponíveis em língua portuguesa ou somente oferecem certificados depois do pagamento de uma taxa.

Isa Lopes, ex-professora do curso de pedagogia da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e atualmente no Instituto Coca-Cola Brasil, falou com o Café História sobre o tema. Ela explica como os cursos livres podem ajudar na formação de professores e estudantes:

Cursos livres, a meu ver, completam uma falta de conhecimento imediata. Algo que preciso aprender rapidamente e que não é de meu interesse ou necessário uma diplomação ou título. Muitas vezes não há oferta de curso presencial onde a pessoa reside, daí supre esse fato do professor ou aluno não poder estar fisicamente presente no curso todo o tempo, e melhorar sua formação ou aprender algo que é essencial para seu melhor desempenho profissional ou acadêmico.

Lopes também dá ótimas dicas sobre como reconhecer um bom curso livre:

Eu começaria pelos professores que elaboraram o curso, buscar o currículo deles e se possuem publicações na internet. Em segundo lugar eu olharia para a bibliografia recomendada. Se os títulos são atuais com o que se discute sobre o tema do curso que vou fazer. Entendo que se busco um curso é provável que eu tenha algum conhecimento prévio sobre o tema. Assim, quando vejo a bibliografia de referência me aproximo da linha conceitual que guiará as atividades do curso. Outra coisa é perguntar mesmo para amigos, entrar em redes de EaD (há tantas hoje) e cruzar informações que validam ou criticam o curso que estou buscando. Cursos como SENAC, FGV, por exemplo, que tem cursos livres, costumam ser boas referências porque tem história e tradição no mercado educacional.

E completa:

É preciso foco! Reservar religiosamente horário para estudo, de modo semelhante quando tenho que estudar sozinho para uma prova ou trabalho de uma educação presencial.Tem que interagir com a proposta, “cutucar” tutor, trocar com colegas. Mas tudo isso depende do modelo do curso. A Melhor forma, a meu ver, não difere do que necessitamos para estudar regularmente, é preciso, é óbvio ter a tecnologia solicitada pelo curso e cumprir os prazos indicados.

O que há de bom na praça virtual?

O Café História fez uma busca, analisou conteúdos e apresenta, abaixo, uma síntese de cinco bons cursos livres e disponíveis, hoje, gratuitamente, na internet. Quatro deles são em inglês (a maior parte dos bons cursos livres na internet estão nesta língua) e um em português. Confira:

1) Introduction to Anciente Greek History, da Open Yale. O curso foi ministrado em 2007 pelo professor Donald Kagan e busca traçar o desenvolvimento da civilização grega na área política, intelectual e criativa, da Era do Bronze ao Período Clássico.

2) History of Anthropological Thought, da Berkeley University. O Curso é composto por 18 aulas em aúdio, ministradas pela professora Rosemary Joyce. O objetivo, como o próprio nome do curso já diz, é discutir a história do pensamento antropológico, bem como as interfaces entre história e antropologia.

3) New York City – A Social History, oferecido pela New York University. O curso é, na verdade, um vídeo cuja duração ultrapassa uma hora. Ele é dado por Daniel Walkwitz, professor de História e de Análise Social e Cultural da NYU.

4) World War and Society in the 20th Century: World War II, da Harvard University Extension School. O curso, dado por Charles S.Maier, exploraa temática da guerra através de filmes, fontes primárias e interpretações acadêmicas.Oferece vídeos e áudios.

5) Alemão. Sim, um curso online de alemão. O curso é oferecido pela Deutsche Welle (DW-World.de), uma das maiores expoentes da cultura alemão no exterior. O curso pode ser feito no próprio site, com o auxílio de textos e vários materiais interativos. Bastante didático, o curso é uma experiência cativante.


Bruno Leal Pastor de Carvalho – doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É professor do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense. Pesquisa os seguintes temas: criminosos nazistas, mídias sociais e divulgação de história. É fundador e editor do Café História. Atualmente, é pós-doutorando em História Social pela UFRJ.

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