CPDOC/FGV recebe arquivo pessoal da primeira mulher a se eleger deputada federal no Brasil

Material de Carlota Pereira de Queiróz (1892-1982) foi recebido esta semana pela instituição carioca, que em breve deve disponibilizá-lo para consulta dos pesquisadores.

Carlota figura como única mulher nas reuniões da Assembleia. A foto integra o arquivo pessoal da médica e política, agora em posse do CPDOC/FGV.

O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas, com sede no Rio de Janeiro, recebeu esta semana o arquivo pessoal de Carlota Pereira de Queiróz (1892-1982). O anúncio foi feito pelo Diretor do CPDOC/FGV, o professor Celso Castro, em sua conta no Linkedin.

Graduada pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1926, Carlota foi pioneira nos estudos sobre o tratamento do câncer no Brasil. Em 1933, elegeu-se deputada para a Assembleia Nacional Constituinte. Na Comissão de Saúde e Educação, criou projetos no campo da alfabetização e da assistência social.

Em 1934, a médica ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e foi eleita pelo Partido Constitucionalista de São Paulo, exercendo seu mandato até 1937, quando foi decretado o Estado Novo. Durante a ditadura de Getúlio Vargas, Carlota manteve-se atuante na política e engajou-se na luta pela redemocratização do país.

Em 1942, ela foi eleita membro da Academia Nacional de Medicina e, em 1950, fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas, da qual foi presidente. Em 1964, apoiou o golpe civil-militar que derrubou João Goulart.

Carlota Pereira de Queiróz morreu em 1982, aos 90 anos. Seu nome inspirou a criação, na Câmara dos Deputados, do Diploma Mulher Cidadã Carlota Pereira de Queirós, instituído pela Resolução Nº 3, de 2003.

Arquivo

De acordo com Celso Casto, o arquivo de Carlota é formado por 30 caixas de documentos textuais, impressos, fotográficos e audiovisuais, e inclui registros sobre sua participação na Constituinte, contendo álbuns em que Carlota figura como única mulher nas reuniões da Assembleia. O material traz também diversos documentos sobre sua atuação ao lado de feministas importantes como Bertha Lutz e outras integrantes da Federação pelo Progresso Feminino – embora Carlota jamais tenha se declarado feminista.

“O arquivo também é composto por documentos que refletem o seu gosto por literatura e sua aproximação da geração de intelectuais modernistas da Semana de Arte Moderna de 1922. Carlota era amiga de Anita Malfatti, de quem era vizinha; colaborou na Revista Nova (1931), dirigida por Mário de Andrade e Paulo Prado; e participou de viagens com Olívia Guedes Penteado, uma das mais importantes mecenas do modernismo. O arquivo de Carlota passa a integrar acervo de arquivos de mulheres do CPDOC e a dialogar com arquivos de outras pioneiras como Almerinda Farias Gama, uma das primeiras mulheres negras a atuar na política no Brasil do início do século XX”, escreve Castro.

Com informações de Celso Castro e CPDOC/FGV

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra.

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