Combater o racismo estrutural em sala de aula ainda é um dos principais desafios de professores e professoras da educação básica no Brasil. Pensando em superar essas barreiras, a pesquisadora Hellen Pabline Leal Conceição criou o caderno de atividades chamado “Pensamentos Feministas Negros nas Aulas de História: possibilidades para uma educação antirracistas”, para aplicação em turmas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.
O material é resultado da dissertação “Sejamos todas/os professoras/es antirracistas: ensino de história e interlocuções dos pensamentos feministas negros para os anos iniciais do ensino fundamental”, defendida por Hellenem em 2024, no Mestrado Profissional em Ensino de História da Universidade Estadual do Piauí. A dissertação e o caderno podem ser acessados aqui.
“É possível perceber como o movimento pedagógico feminista negro pode ser um importante lugar que engloba orientações e considerações articuladas, como base teórica para o nosso fazer como educadoras/educadores e comunidade escolar, sendo um desses articuladores pensar em nós como coletivo”.
A pesquisa está dividida em quatro capítulos. No primeiro deles, a pesquisadora apresenta uma reflexão teórico-metodológica sobre o tema, abordando autoras como bell hooks, Lélia Gonzalez, Eliane Cavalleiro e Kabengele Munanga. O capítulo seguinte é dedicado à relação entre o ensino de história, as relações étnico-raciais e o currículo escolar. Na terceira parte, são exploradas as atividades didáticas desenvolvidas pela pesquisadora na Escola Municipal Professora Cristina Evangelista, localizada no bairro Três Andares, na cidade de Teresina-PI, com estudantes do quinto ano do ensino fundamental. E, por fim, é apresentado o caderno de atividades desenvolvido a partir dessas experiências.
“A partir disso, o presente trabalho se propõe a refletir e interferir no imaginário racista, ao evidenciar a presença e participação das pessoas negras em diversos contextos históricos da humanidade”, explica.
Didática a serviço do antirracismo
Antes de elaborar o caderno de atividades, Hellen propôs uma série de atividades com alunos do 5º ano. Uma delas, “Personalidades Negras que Marcaram a História”, contou com sessões de leituras, apresentações de teatro, dinâmicas em sala de aula e a confecção de bonecas Abayomi – palavra Iorubá que significa “meu presente” ou “aquele que traz alegria”.
“A Abayomi é uma boneca confeccionada de forma artesanal com sobras de panos reaproveitadas, feita apenas nós, sem o uso de cola ou costura, portanto, de fácil manuseio por estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental. Símbolo de resistência, tradição, poder feminino, representatividade negra e da própria discussão de identidade, foi adotada a confecção das bonecas Abayomi, tendo como referência o trabalho desenvolvido por Lena Martins”, contextualiza.

Já o caderno de atividades traz provocações sobre a presença de pensadores e pensadoras negras na produção científica, explicações conceituais sobre o tema e biografias de autoras feministas negras, além de propostas de jogos que trazem reflexões antirracistas. “O material de intervenção dialoga com pensamentos feministas negros para pensar o antirracismo em sala de aula, possibilidades de atividades, ferramentas conceituais que ampliem os sentidos para as construções e silenciamentos de outros corpos em nossas narrativas históricas e a importância de trabalhar nos anos iniciais do ensino fundamental a identificação de crianças negras no ambiente escolar”, conclui.