Brasil Profundo e Teoria Social: os livros de História mais procurados em junho na UnB

Obras de Boris Fausto e Sérgio Buarque de Holanda lideram as buscas em um mês marcado pelo retorno aos clássicos da formação nacional e reflexões teóricas.
10 de julho de 2026
Brasil Profundo e Teoria Social: os livros de História mais procurados em junho na UnB 1
Foto meramente ilustrativa feita com IA.

O mês de junho de 2026 consolidou uma tendência de “retorno às bases” entre os leitores de História na Universidade de Brasília. O relatório de empréstimos do sistema Pergamum indica que, após um semestre de forte interesse em temas contemporâneos, a comunidade acadêmica voltou sua atenção para as grandes interpretações do Brasil e para a teoria historiográfica.

O grande destaque do mês foi o historiador Boris Fausto, cuja obra “História concisa do Brasil” registrou 5 empréstimos, alcançando a 21ª posição no ranking geral da biblioteca. A permanência de Fausto no topo reforça sua importância como síntese referencial para a compreensão da trajetória política e social do país.

Os Clássicos da Formação Nacional

Logo em seguida, um bloco de obras fundamentais obteve 4 empréstimos cada, refletindo um interesse equilibrado por diferentes perspectivas da história brasileira e geral. O clássico “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, e a obra “Formação econômica do Brasil”, de Celso Furtado, figuraram entre as mais procuradas, dividindo espaço com o manual de Edward McNall Burns, “História da civilização ocidental”.

A presença de Frantz Fanon com “Pele negra, máscaras brancas” no mesmo patamar de circulação demonstra que os debates sobre colonialidade e raça continuam a permear transversalmente os estudos históricos na instituição.

Teoria da História e Perspectivas Globais

O levantamento de junho aponta também para uma forte demanda por obras de reflexão sobre o ofício do historiador. Títulos como “A história escrita”, organizado por Jurandir Malerba, e a instigante obra de Ivan Jablonka, “A história é uma literatura contemporânea”, registraram 3 retiradas cada. No campo da história internacional, o clássico de Eric Hobsbawm, “A era das revoluções”, e a coletânea sobre a “Época moderna” organizada por André de Melo Araújo mantiveram a tradição de buscas por grandes processos de transformação global.

Fechando os destaques, a obra de David Graeber e David Wengrow, “O despertar de tudo”, reafirma o interesse por novas abordagens sobre as origens das estruturas sociais humanas.

Esta matéria é fruto de uma parceria entre o portal Café História e a Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/UnB). O levantamento utiliza os dados extraídos do relatório oficial do sistema Pergamum sobre os títulos mais procurados na instituição durante o mês de junho de 2026. Por meio dessa colaboração, busca-se dar visibilidade às obras de História que compõem o acervo bibliográfico da UnB e às dinâmicas de leitura de sua comunidade.

Top 10 de História – Junho de 2026

Abaixo, a tabela com os dados de circulação de junho prontos para o seu box de edição:

Título Autor Empréstimos Pos. História Pos. Geral
História concisa do Brasil Boris Fausto 5 21º
Raízes do Brasil Sérgio Buarque de Holanda 4 22º
História da civilização ocidental Edward McNall Burns 4 22º
Formação econômica do Brasil Celso Furtado 4 22º
A história escrita Jurandir Malerba (org.) 3 23º
A história é uma literatura contemporânea Ivan Jablonka 3 23º
A era das revoluções Eric Hobsbawm 3 23º
A época moderna André de Melo Araújo (org.) 3 23º
O despertar de tudo David Graeber & David Wengrow 2 24º
O Brasil Imperial Keila Grinberg & Ricardo Salles 2 10º 24º

Informações complementares: No ranking geral da biblioteca em junho de 2026, as obras de Ciências Exatas continuam em destaque, com manuais de Química (Atkins & Jones) e Cálculo (Boldrini) figurando nas primeiras posições.

Bruno Leal

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas, justiça no pós-guerra e as duas guerras mundiais. Autor de "Quero fazer mestrado em história" (2022) e "O homem dos pedalinhos"(2021).

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