Anpuh cria comissão para examinar novo horizonte profissional dos historiadores

A regulamentação da profissão não impedirá qualquer pessoa de fazer pesquisas históricas. Michal Jarmoluk.
A regulamentação da profissão não impedirá qualquer pessoa de fazer pesquisas históricas. Michal Jarmoluk.

Entidade afirmou que não há previsão para a criação de qualquer conselho profissional e diz que em nenhuma hipótese cumprirá esse papel.  

Bruno Leal | Agência Café História

A Associação Nacional de História (Anpuh) anunciou nesta quarta-feira, em suas redes sociais, a formação de uma comissão especial para acompanhar questões referentes a regulamentação da profissão de historiador. O anúncio é feito um dia após a regulamentação profissional ser promulgada pelo presidente da República no Diário Oficial da União, não por livre-iniciativa, mas por força de uma decisão de senadores e deputados, que derrubaram o veto de Bolsonaro ao projeto de lei.  

A “Comissão de Acompanhamento da Regulamentação” é coordenada pelo atual Secretário-geral da Anpuh e ex-presidente da entidade, Benito Schmidt, e os seguintes membros: Rodrigo Patto Sá Motta (ex-presidente da Anpuh), membros do grupo de mobilização parlamentar da Anpuh: Lara de Castro (presidenta Anpuh-AP), Adalberto Paz (2º tesoureiro da Anpuh), Wagner Geminiano (grupo de curadoria de redes da Anpuh), Fábio Faversani (grupo de curadoria de redes da Anpuh) e Ricardo Castro (presidente da Anpuh-RJ).

No comunicado, a organização fez questão de desmentir boatos quanto a formação de um conselho profissional neste momento:

 – Preliminarmente, então, esclarecemos a toda nossa comunidade que não procede a ideia de que será formado um Conselho junto ao qual seria necessário se registrar com o pagamento de taxas (como o Crea, CRM e tantos outros) nem uma Ordem Profissional com taxas e prova de admissão (como a OAB). Não há previsão na Lei para isso e em nenhuma hipótese a Anpuh passará a cumprir um desses papéis, como tem circulado em redes sociais. A Lei prevê que o registro será feito junto à “autoridade trabalhista competente”, que hoje está alocada na Secretária do Trabalho, junto ao Ministério da Economia. Estamos dando início a uma aproximação com esse órgão do Estado para debater os detalhes práticos da implementação da Lei e estaremos atentos ao seu eventual descumprimento, que reclamará iniciativas tanto junto ao Executivo, quanto junto, nos casos em que isso for necessário, ao Ministério Público do Trabalho”- diz o comunicado.

Como citar esta notícia

CARVALHO, Bruno Leal Pastor de. Anpuh cria comissão para examinar novo horizonte profissional dos historiadores(Notícia). In: Café História. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/anpuh-cria-comissao-apos-regulamentacao/. Publicado em: 19 ago. 2020. ISSN: 2674-5917.

5 Comentário

  1. E os historiadores que praticam a pesquisa histórica de forma independente e publicam os resultados de suas pesquisas? Para se ser historiador se terá que ser funcionário da iniciativa privada ou do establishment? Qu conecpção de “historiador” é esta? Soldados da história militante, não são historiadores. Como bem está dito em “Combates pela História”, nem todos os que se dizem “historiadores” merecem tão honroso título.

    • A regulamentação está direcionada para a garantia de formação específica para a atuação enquanto historiador. Ou seja, a garantia de quadros realmente qualificados. Isso não limita as pesquisas por conta própria.
      Além disso, não sei se entendi bem o que quer dizer com “história militante”, mas não existe história neutra ideologicamente. Existe sim pesquisa teórica e metodologicamente competente, e é aí que entra a regulamentação: permitir que apenas pessoas qualificada nessas ferramentas de desenvolvimento de pesquisa possam atuar enquanto historiadores no desenvolvimento de políticas públicas, nas escolas, em projeto que envolvam o campo histórico, etc.

  2. Espero que nenhum prodissional liberal tenha sua liberdade de pesquisa e publicação cerceada por conta desta lei q ninguém sabe porque veio e pra onde vai.

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