Vala comum da Primeira Guerra é encontrada durante escavações em clube de golfe na Bélgica

Escavações em antigo campo de batalha em Ieper revelam dezenas de restos mortais, objetos pessoais de soldados e até um clarim usado em cerimônias militares. Especialistas tratam achado como um dos mais simbólicos dos últimos anos.
15 de maio de 2026
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“Esta é a terceira e provavelmente última fase das escavações”, afirma Bert Heyvaert, arqueólogo e gestor do sítio arqueológico no Monument Group. Foto: VRT News

Uma vala comum da Primeira Guerra Mundial foi descoberta durante obras de expansão em um clube de golfe na cidade de Ieper, na Bélgica, uma das regiões mais marcadas pelos combates do conflito. Arqueólogos encontraram restos mortais em uma antiga trincheira, além de diversos objetos pessoais pertencentes aos soldados enterrados no local. Entre os itens recuperados está um clarim, instrumento tradicionalmente associado à execução do toque militar conhecido como “Last Post”, homenagem feita aos combatentes mortos em guerra.

As escavações ocorrem desde setembro no clube De Palingbeek, situado em uma área que durante a guerra concentrava linhas de frente alemãs, britânicas e francesas. Segundo os responsáveis pelo projeto, a região preserva uma enorme quantidade de vestígios do conflito. O arqueólogo Bert Heyvaert, coordenador das pesquisas, afirmou que esta provavelmente será a última etapa das investigações no terreno e destacou a importância histórica do local devido à diversidade de estruturas militares e restos humanos encontrados.

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Até agora, os pesquisadores identificaram restos mortais em cerca de cem pontos diferentes da área escavada. A hipótese é de que muitos corpos tenham sido colocados improvisadamente em trincheiras abandonadas durante os combates, formando uma grande sepultura coletiva. Para os especialistas, esse tipo de descoberta é raro em projetos arqueológicos contemporâneos ligados à Primeira Guerra Mundial, especialmente em um estado de preservação tão significativo.

O número exato de vítimas ainda será confirmado por análises laboratoriais. Devido à dimensão da descoberta e ao custo elevado do trabalho forense, uma equipe internacional de especialistas foi mobilizada com apoio da Commonwealth War Graves Commission, organização responsável por cemitérios militares britânicos. Após a identificação possível dos restos mortais, os soldados deverão receber um sepultamento oficial e digno, mais de um século após o fim da guerra.

Informações de VRT News.

Bruno Leal

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas, justiça no pós-guerra e as duas guerras mundiais. Autor de "Quero fazer mestrado em história" (2022) e "O homem dos pedalinhos"(2021).

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