Rei da Inglaterra tentou conter fofocas sobre o governo no século XVII

Em 1672, o Rei Carlos II publicou uma “proclamação real” para tentar frear a onda de “conversas licenciosas” sobre assuntos do governo e do Estado. A medida ameaçava duramente os seus súditos.

Não é de hoje que as fofocas e as notícias falsas correm soltas e ligeiras. Em 1672, elas já eram tão recorrentes nos cafés da Inglaterra, que chegaram a incomodar o Rei Carlos II (1630-1685), que publicou naquele ano uma proclamação real a fim de conter o fenômeno. O documento foi publicado no dia 12 de junho e visava coibir a divulgação de notícias falsas, calúnias e “conversas licenciosas” sobre assuntos de Estado e governo.

Esse curioso documento (veja abaixo) foi divulgado nesta quarta pelo Arquivo do Parlamento Britânico em sua conta no Twitter. Nele, Carlos II promete ser rigoroso contra os difamadores de sua gestão, ameaçando com medidas duras qualquer pessoa que viesse a utilizar “discursos ousados ​​ou ilegais desta natureza”, fosse nas coffee-houses ou em qualquer outra reunião no Reino, pública ou privada. Ainda segundo o documento, “Sua Majestade está decidida a Suprimir este tipo ilegal e indisciplinado de Discurso com uma punição mais estrita e exemplar de todos os infratores, como será descoberto a seguir”.

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“Deus salve o Rei”….das fofocas. Documento foi publicado no Twitter do Arquivo do Parlamento Britânico.

Os cafés ingleses no século XVII haviam se tornado um grande espaço de sociabilidade. Neles, as pessoas discutiam livremente sobre assuntos de natureza política e social, criticavam o governo e debochavam da sociedade de corte, não raro com noticías falsas e fofocas, que tornavam a vida um pouco menos sufocante. As fofocas circulavam tanto nos cafés que eles passaram a ser conhecidos como “Penny Universities”, por causa do custo de admissão no local: um centavo (um penny).

A medida de Carlos II, vale dizer, não surtiu muito efeito. As fofocas continuaram circulando e divertindo os frequentadores dos cafés ingleses.  

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra.

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