Departamento de História da PUC-Rio anuncia disciplina em homenagem a Ricardo Benzaquen

Historiador e antropólogo, Benzaquen faleceu em fevereiro de 2017.

Por Bruno Leal | Agência Café História

O Departamento de História da PUC-Rio anunciou uma disciplina especial em sua pós-graduação em homenagem ao professor Ricardo Augusto Benzaquen de Araújo (1952-2017). Nela, serão discutidos textos seminais em História da Cultura que fizeram parte do imenso repertório teórico-historiográfico regularmente mobilizado pelo professor e que contribuíram, ao longo de décadas, para a formação de seus alunos. As aulas, ministradas por ex-alunos e orientandos de Benzaquen, estão divididas em três módulos temático-cronológicos. Para conferir na íntegra a ementa, os textos e os professores, clique aqui.

Ricardo Benzaquen de Araújo na FLIP. Foto: Ricardo Gaspar Fonte: Paraty.com.br
Ricardo Benzaquen de Araújo na FLIP. Foto: Ricardo Gaspar Fonte: Paraty.com.br

Falecido no dia 1º de fevereiro de 2017, Ricardo Benzaquen foi um dos historiadores-antropólogos brasileiros mais importantes de sua geração. Professor da PUC-Rio por muitos anos, Benzaquen contribuiu sobretudo para o campo da Teoria da História, tendo publicado diversos trabalhos sobre Gilberto Freyre. Seu livro “Guerra e Paz: Casa-grande & Senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30”, publicado em 1994, renovou a leitura de Freyre no meio acadêmico. Em entrevista ao Jornal Opção, em abril deste ano, o jovem historiador Gustavo Mesquita, doutorando em História (USP) e vencedor 6º Concurso de Ensaios sobre Gilberto Freyre, com sua dissertação de mestrado apresentada na Universidade Federal de Goiás (UFG), resumiu da seguinte forma a “obra-prima” de Benzaquen:

– [“Guerra e Paz”] repensou não só o lamarckismo e a hybris na visão do sociólogo sobre a sociedade colonial, como apontou de maneira pioneira algumas consequências de “Casa-grande & Senzala” para a ideia que os homens de 1930 faziam sobre nossa mestiçagem. O país havia se livrado do flagelo da ditadura militar e encontrava-se numa democracia em crescimento na primeira metade dos anos 90. O livro, nesse contexto, permitiu uma grande mudança no eixo de reflexão dos pesquisadores e estimulou a renovação historiográfica. As novas perguntas passaram a ser mais diversas, contemplando desde as origens do estilo original e da forma ensaística do sociólogo, aos efeitos políticos de suas ideias para a construção nacional.

Professor erudito e articulado, Benzaquen também é autor do livro “Totalitarismo e Revolução – O Integralismo de Plínio Salgado” (Ed. Zahar, 1988). Escreveu sobre diversos outros assuntos além de sua conhecida obra sobre Gilberto Freyre, como futebol, Joaquim Nabuco, entre outros. No campo da divulgação da história, fez parte do conselho editorial da Revista de História da Biblioteca Nacional

Em fevereiro, a notícia de seu falecimento foi lamentada por diversos alunos, ex-alunos, colegas de trabalho e instituições de pesquisa. Em nota publicada no site da Biblioteca Nacional, Maria Eduarda Marques, diretora do Centro de Cooperação e Difusão da Biblioteca Nacional e ex-aluna de Ricardo Benzaquen, sublinhou: “o professor é uma referência na área da Teoria de História no Rio de Janeiro, responsável pela formação de uma geração de alunos nos departamentos de História da PUC-Rio e do IUPERJ”. No jornal O Globo, Fred Coelho escreveu: “Quando um professor e pensador morre, só quem esteve perto dele sabe o que um país perde. E, na última semana, um dos grandes de sua geração se foi”. Foram várias as mensagens-homenagens também nas redes sociais e manifestações de reconhecimento vindas de diversas publicações acadêmicas, como a da revista “História, Ciências , Saúde – Manguinhos”, da Fiocruz.

 

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