Documentário conta a história do empresário que virou inimigo da ditadura

"Mario Wallace Simonsen, entre a memória e a história” examina a vida de um dos maiores empreendedores nacionais, destruído pela ditadura militar.

O cineasta Ricardo Pinto e Silva. Foto: divulgação.

Neto de ingleses, Mario Wallace Simonsen (1909-1965) foi um dos maiores e mais importantes empresários brasileiros do século XX. Dono de um conglomerado de mais de 30 empresas, destacando-se a companhia aérea Panair do Brasil, a Televisão Excelsior, a Comal, maior exportadora de café do país, e a Wasim, trading company, foi atingido em cheio pelo golpe civil-militar de 1964 e pela ditadura militar que veio em seguida. Essa história, ainda desconhecida por muitos, é contada no documentário recém-lançado “Mario Wallace Simonsen, entre a memória e a história”, dirigido por Ricardo Pinto e Silva.

Com 110 minutos, a produção, que traz depoimentos e imagens de arquivo nunca antes vistos, acaba de ser lançada nas plataformas NOW, Looke, VivoPlay e OiPlay. Em junho, entrará também na grade do Canal Brasil.

“Tivemos o zelo e a responsabilidade de realizar uma pesquisa documental profunda e de ouvir os diversos lados”, destaca o cineasta. “O objetivo do filme é contribuir com o restabelecimento da verdade histórica sobre Simonsen, que foi difamado e intencionalmente apagado, e perpetuá-la para as atuais e próximas gerações”.

O documentário narra as origens de Simonsen, mostrando como ele construiu seu conglomerado de mais de 30 firmas, e também as investidas que derrubaram o empresário, logo após o Golpe de 1964. Gigantes como a Panair e Comal foram simplesmente proibidas de funcionar e fechadas, sem aviso prévio ou direito de defesa. Com o patrimônio pessoal sequestrado, Simonsen faleceu, aos 56 anos – ele acabara de sofrer o trauma da morte da esposa e havia se autoexilado em Orgevall, na França.

Pesquisa

Entre as fontes mais importantes consta a filha do personagem, Marylou Simonsen, que nunca havia falado sobre esse assunto com profundidade. “Eu e meus irmãos sofremos bastante quando tudo aconteceu. Na época, era muito jovem e fiquei revoltada. Mas, com o passar dos anos, percebi que nutrir aquele tipo de sentimento ia contra tudo o que meu pai me ensinou. A semente que ele nos transmitiu foi a do amor e, principalmente, o amor pelo Brasil”, diz Marylou. “Ele merecia esse reconhecimento. Eu sou muito grata a todos que participaram desse documentário. Além de fazer justiça ao meu pai, o filme serve também de alerta para que algo como aquilo nunca mais aconteça com ninguém”.

Para materializar o projeto, Pinto e Silva recrutou uma equipe especialista. O jornalista Daniel Leb Sasaki, autor do livro “Pouso forçado”, sobre a destruição da Panair, realizou as pesquisas, preparou as entrevistas e contribuiu no roteiro, ao lado do diretor. A fotografia é de M Teriya R, com quem o cineasta já trabalhara em outro longa, ficcional. A música original ficou a cargo de Ricardo Severo, que possui vasta experiência, tanto no audiovisual como no teatro.

Com informações e texto da Assessoria de Imprensa

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra.

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