Dicas de livros: agosto de 2015

Declínio e queda do Império Otomano | Alan Palmer | Editora Globo | 2013 | 317 pp.

Quando falamos em livros, nunca é demais retomar um clássico. É o caso de “Declínio e queda do Império Otomano”, do historiador britânico Alan Palmer. O livro foi lançado pela primeira vez em 1992, em Londres, e em 2013 ganhou uma tradução super interessante para o português, editada e publicada no Brasil pela editora Globo. O Império Otomano durou seis séculos, reuniu uma população de 15 milhões de pessoas e sucumbiu ao final da Primeira Guerra Mundial. Apoiado em uma extensa pesquisa, o livro de Palmer conta a história deste Império, de sua formação ao seu declínio. Mas para além dos números, o historiador deseja com isso discutir a influência que este Império teve ao longo de séculos em regiões como o Oriente Médio, a Europa e a África. Não é possível pensar a história moderna ou contemporânea sem passar por essa influência. “Planejei este livro principalmente como um trabalho de narrativa histórica que refletisse a forma altamente pessoal da autocracia estabelecida no Império Otomano”. Uma das principais questões de Palmer é: como um Império tão forte foi perdendo o seu poder? Para isso, Palmer escreve 16 capítulos, começando no século XIV (“A Maré Alta do Islã”) até o pós-Primeira Guerra Mundial (“Soberania e sultanato) . Para saber mais informações sobre o livro – inclusive como adquiri-lo – clique aqui. Educado na Bancroft’s School, em Londres, Palmer foi por 19 anos professor de história da Highgate School antes de se tornar escritor em tempo integral.

 
O fim do Terceiro Reich | Ian Kershaw| Companhia Das Letras | 2014 | 596 pp.

No ano em que se comemora os 70 anos do final da Segunda Guerra Mundial, o mercado editorial brasileiro parece pequeno para um grande número de obras sobre o gênero. A qualidade dessas obras varia bastante. Mas há uma unanimidade: “O fim do terceiro Reich – A destruição da Alemanha de Hitler, 1944-1945”, do historiador britânico Ian Kershaw, lançado recentemente pela Companhia Das Letras. Como se explica a sobrevida do Estado nazista quando estava evidente que não havia chance de vitória? Por que o Exército alemão concordou em lutar se o abismo era certo? Por que a sociedade alemã permaneceu fiel ao regime a ponto de tolerar o extermínio dos poucos que se insurgiam contra a luta inútil? Essas são algumas perguntas que o autor – autor de uma das mais celebradas biografias de Hitler – encara em sua obra. Fugindo de explicações fáceis, procura demonstrar que a autoridade carismática do Führer, a ambição de sua “corte” e a perseverança das Forças Armadas são os ingredientes principais dessa autoaniquilação sem par na história ocidental. O livro é dividido em nove capítulos, que vão desde os primeiros momentos do colapso do regime nazista até a sua liquidação. Trata-se de uma leitura fundamental para se compreender o espólio que o regime nazista deixaria para o mundo e o reflexo de um sistema de morte e opressão em seu momento de agonia. Para ler mais a respeito, inclusive um trecho do livro, clique aqui.

A sexualização do crime no Brasil | Alessandra de Andrade Rinaldi | Mauad X | 2015 | 222 pp.

Um trabalho que combina tradição historiográfica com tradição sociológica. Assim poderia ser definido o livro “A sexualização do crime no Brasil – um estudo sobre a criminalidade feminina no contexto de relações amorosas [1890-1940], da professora ajudante em antropologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Alessandra de Andrade Rinaldi. O livro, lançado recentemente pela editora Mauad X (em parceria com a FAPERJ), discute a responsabilidade do criminosos nas décadas depois do Primeiro Código Penal (1890), refletindo uma controvérsia bastante conhecida da historiografia entre a Escola Clássica do Direito e a nova Escola Positivista do Direito. A transgressão delituosa é livremente escolhida? É questão de saúde pública? Para isso, a autora faz uma análise bastante interessante dos debates e processos da época, passando por temas que vão desde o uso de medicamentos, a repressão criminal e o comportamento das mulheres acusadas de crimes passionais. Chama a atenção, ainda falando das fontes primárias, as revistas científicas, os anais de congressos e livros que circulavam nos campos médio-psiquiátricos, médico-legal e jurídico brasileiro do momento. Como Rinaldi trabalha com mulheres, a questão de gênero também se encontra sempre presente. No total, foram pesquisados 44 processos, sete referentes a homicídios, nova a tentativa de homicídio, 15 a lesões corporais e 13 a lesões corporais com agressões mútuas. Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

Luta pela terra no contestado | Mariana Baggio Annibelli | Prismas | 2015 | 189 pp.

A editora Prismas acabou de lançar o livro “Luta pela terra no Contestado”, da advogada e geógrafa Mariana Baggio Annibelli. O livro é o resultado da pesquisa de sua mestrado, realizada entre 2007 e 2009, na PUCOR, em Direito Econômico e Social. O trabalho visa abordar histórica, jurídica e geograficamente o processo de ocupação e de luta pela terra no território do Contestado, que abrange porções dos Estados do Paraná e de Santa Catarina, considerando seus aspectos sociais e culturais. A ocupação do território do Contestado ocorreu de forma conturbada, ao longo do final do século XIX e no decorrer do século XX; foi marcada por diversos litígios e conflitos de luta pela terra, já que o panorama histórico-jurídico da época corroborava para que inúmeros abusos fossem cometidos por parte dos grupos dominantes política e economicamente, em detrimento população local, representada pelos caboclos posseiros e indígenas das etnias guarani, kaigang e xocleng. Dos inúmeros conflitos de luta pela terra que se desenrolaram ao longo desse período histórico (internacionais, especialmente assinalados pela questão fronteiriça entre Brasil e Argentina, também conhecida como Questão de Palmas; litígios estaduais, palco de reivindicações entre os Estados do Paraná e de Santa Catarina; litígios entre empresas privadas, grandes proprietários e posseiros, que desbravaram aquelas terras e nelas deixaram cicatrizes) e, recentemente, assinalada pela luta pela terra pelos atingidos por barragens, resulta na atual formação territorial local, marcada pelo predomínio de pequenas propriedades rurais, que se utilizam do trabalho camponês, pela presença de povos indígenas em territórios demarcados, ou não e, também, por ciganos e quilombolas e espoliados do campo, que convivem lado a lado com grandes latifúndios pertencentes às empresas e famílias de maior prestígio e poder durante a ocupação desse território. Para saber mais, clique aqui.

Dimensões e fronteiras do Estado brasileiro no oitocentos | José Murilo de Carvalho e Lúcia Maria Bastos P. Neves (Org.) | EdUERJ | 2014 | 375 pp.

A EdUERJ lançou recentemente “Dimensões e fronteiras do Estado brasileiro nos Oitocentos”, organizado por José Murilo de Carvalho e Lucia Maria Bastos P. Carvalho. O livro reune temas, abordagens, temporalidades distintas, que fazem a riqueza deste trabalho. O livro está dividido em três partes. A primeira delas, intitulada Política, Justiça e Instituições, analisa a dimensão política e institucional do Estado, explorando estudos sobre as práticas da cidadania, que caracterizam socialmente as pessoas envolvidas com o poder organizado na forma de Estado-nação; o papel da imprensa como motivadora da dinâmica dos espaços públicos, sobretudo no Rio de Janeiro; e a questão jurídica militar, no âmbito legislativo e institucional do Estado português, e de seus reflexos no mundo luso-brasileiro. Na segunda parte, Escravidão e Economia, a relação dentre Estado, negócios e a escravidão é revista. São analisadas a cultura jurídica e a política do Império Português; nos estudos da escravidão, encontra-se a análise do comércio de escravos entre Brasil e Daomé; dois ensaios sobre as relações da escravidão com políticas sociais, acumulação de capital e poder. Outro trabalho investiga o período pós-abolição e a ação dos libertos no novo Estado republicano. Na ultima parte do livro, Cultura, História e Imprensa, o leitor encontrará estudos que englobam as dimensões simbólicas do Estado oitocentista. A análise das linguagens representativas do Estado Imperial, o emaranhado da política no Brasil oitocentista; e o papel da imprensa abolicionista. Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

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