Historiador analisa declaração de Bolsonaro sobre o Holocausto

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Em evento recente realizado no Rio de Janeiro, presidente brasileiro disse sobre o Holocausto: “podemos perdoar, mas não esquecer”.

Bruno Leal | Agência Café História

O historiador Michel Gherman, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IH-UFRJ), comentou neste último sábado, 13 de abril, a mais recente declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre o Holocausto.

Comentário é um vídeo de 11 minutos publicado no perfil do Facebook da organização Brasil-Israel, para quem ele colabora regularmente – veja o vídeo abaixo ou clique aqui para ver a publicação no Facebook.

Durante um encontro com pastores evangélicos, no Rio de Janeiro, na última quinta-feira, o Presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), relembrou a visita que ele fez ao Yad Vashem, o Museu do Holocausto, em Jerusalém, quando esteve no país para uma visita diplomática ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

“Fui, mais uma vez, no Museu do Holocausto. Nós podemos perdoar, mas não podemos esquecer. E é minha essa frase. Quem esquece seu passado está condenado a não ter futuro. Se não quer repetir a história, que não foi boa, vamos evitar com ações e com atos para que ela realmente não se repita daquela forma”, disse o presidente.

Michel Gherman destaca o excesso de citações de Bolsonaro ao Holocausto e ao Nazismo em apenas três meses de governo. O historiador sublinha ainda incoerências, relação com o negacionismo histórico e lembra que Bolsonaro já fazia referências do tipo antes mesmo das eleições, como no caso de uma entrevista ao programa CQC, quando o então deputado federal disse admitir Hitler como um “grande general”.

Declarações foram criticadas também em Israel

Conforme noticiou o jornal O Globo neste sábado, o presidente israelense, Reuven Rivlin, e o Yad Vashem, criticaram Bolsonaro, que já havia sido criticado antes por suas controversas declarações sobre outros assuntos.

“Nunca vamos perdoar e nunca vamos esquecer. (…) Os líderes políticos são responsáveis por moldar o futuro. Historiadores descrevem o passado e pesquisam o que aconteceu. Nenhum deve entrar no território do outro ”, disse Rivlin no Twitter.

O Yad Vashem, também discordou dos comentários de Bolsonaro. “Não concordamos com a afirmação do presidente brasileiro de que o Holocausto pode ser perdoado”, disse o centro, segundo relatos da mídia israelense.

O historiador Michel Gherman já comentou declarações de Bolsonaro em outras situações. Em 2018, Bolsonaro visitou um clube judaico no Rio de Janeiro e fez comentários ofensivos a comunidades quilombolas. De acordo com o historiador na época, “porque as pessoas teimam em não entender as relações entre racismo e Holocausto? Elas acham que ele se restringe ao antissemitismo”.

Como citar esta notícia

CARVALHO, Bruno Leal Pastor de. Historiador analisa declaração de Bolsonaro sobre o Holocausto (notícia). In: Café História – História feita com cliques. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/historiador-analisa-declaracao-de-bolsonaro-holocausto/. Publicado em: 14 abr. 2019.

Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social (UFRJ, 2015). Foi professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Tem pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas e justiça no pós-guerra, com especial ênfase no destino dos criminosos nazistas. Foi cocoordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos e Árabes da UFRJ, o NIEJ entre 2011 e 2018. É membro da Rede Brasileira de História Pública e da Associação das Humanidades Digitais.

5 Comments

  1. É INACREDITÁVEL O QUE DIZ ESSA PESSOA, TENTANDO MINIMIZAR O ASSASSÍNIO DE MILHÕES DE JUDEUS, COMUNISTAS, SOCIALISTAS, CIGANOS, RELIGIOSOS E MAIS UMA MIRÍADE DE OUTRAS, PELO NAZIFASCISMO ALEMÃO, ITALIANO E DE OUTRAS NAÇÕES, INCLUSIVE DO BRASIL. SE ESTÁ SE PASSANDO POR UM GRANDE CRISTÃO, HÁ SÉRIAS DÚVIDAS A ESSE RESPEITO, ATÉ PELA SUA FORMAÇÃO E PELA MANEIRA COM QUE ASCENDEU À PRESIDÊNCIA, NADA CATÓLICA.

  2. Não acredito que o presidente estivesse se referindo aos politicos da Alemanha nazista, quando falou em perdão. É óbvio que se referia à Alemanha, ao seu povo.
    Ele articula muito mal suas idéias, isso é fato, e nós temos que aprender a trabalhar com isso, se não quisermos ficar chocados ou fazendo interpretações errôneas sobre suas falas, o tempo todo. O que ele precisa é de uma acessoria mais atuante, quanto a seus pronunciamentos, e de preferência buscar ficar mais calado, e deixar a história e assuntos polêmicos de lado.

    • “Acessoria” ou assessoria deve ter quantas queira; José Sarney tinha uma equipe de mais de cem jornalistas cuidando disso, e fica claro que o bozo os tenha em mesmo ou maior número. O que não se deve, isto sim, é se deixar enganar por um trolha que mal sabe daquilo que fala, e muito menos do que tenta escrever; como dizia a canção carnavalesca: “… saltou de paraquedas, caiu na letro ‘o’ o o o oh!!!” Acidente de percurso!!!

  3. Os israelenses praticam, na atualidade, crimes contra a humanidade em relação à população palestina. Não tem moral para condenar ninguém, nem mesmo os alemães durante a segunda guerra. Receberam o que mereciam, como disse o pai do presidente Kennedy, na época, embaixador americano na Inglaterra.

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