Uma carta escrita por um preso da Cadeia Pública Inspetor Luís Fernandes Bandeira Duarte, localizada no distrito de Bulhões, em Resende (RJ), desencadeou uma ação concreta que promete impactar profundamente a rotina de centenas de apenados. O pedido, que apelava por dignidade, acesso à cultura e à educação por meio da leitura, mobilizou a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) e a Fundação Biblioteca Nacional, que doarão cerca de 1,5 mil livros para a sala de leitura da unidade.
A entrega ocorreu na última terça-feira (25). A SEAP fpoiresponsável pela logística do transporte das caixas de livros até a unidade. A expectativa é de que os exemplares sirvam não apenas como instrumentos para remição de pena — como prevê o programa oficial — mas como sementes de formação crítica, entretenimento e reconstrução da identidade dos internos.
O presidente da Biblioteca Nacional, o acadêmico e escritor Marco Lucchesi, conhecido por seu engajamento com causas ligadas ao sistema prisional, ficou profundamente tocado pela carta.
Além dos títulos recomendados pelo Programa de Remição de Pena pela Leitura, a seleção vai muito além disso: contempla obras de diversas áreas do saber, valorizando o direito à formação crítica, ao entretenimento e à reconstrução da identidade dos presos.

Um exemplo emblemático do poder transformador da leitura em ambientes de privação de liberdade é a trajetória de Fábio Sagat. Ex-detento, ele se tornou escritor após cumprir sua pena e hoje percorre o país dando palestras em unidades prisionais, falando sobre educação, superação e como os livros mudaram sua vida.
A doação representa mais do que a entrega de 1,5 mil volumes. É um gesto institucional de valorização da palavra e de reconhecimento da leitura como um direito fundamental. Para o sistema prisional, trata-se de uma ação simbólica e prática de ressocialização. Para quem está atrás das grades, pode ser o início de uma mudança real.