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“Só ter acesso à internet não garante que esses jovens saibam pesquisar na web”, diz pesquisadora sobre uso das redes nas aulas de história

“Só ter acesso à internet não garante que esses jovens saibam pesquisar na web”, diz pesquisadora sobre uso das redes nas aulas de história 2

"Esse mundo virtual, tornou-se em um espaço não só de acesso à informação, mas também concentrando diversas formas de comunicação e relacionamentos", reflete Maritsa. Bruno Peres/Agência Brasil.

O Brasil é um dos países mais conectados do mundo. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, 93,6% das casas do país tinham acesso à internet, o que representa 74,9 milhões de domicílios conectados. O percentual de residências com internet que usavam banda larga móvel passou de 83,3% para 84,3%, entre 2023 e 2024. Já o percentual de casas com banda larga fixa aumentou de 86,9% para 88,9% no mesmo período.

A ampliação da conectividade no país levanta o questionamento sobre como o acesso à internet tem sido utilizado para fins pedagógicos. Esse foi o tema da dissertação “Historiopédia: Ensino de História e pesquisa na internet”, defendida em 2022, pela pesquisadora Maritsa Gonçalves Rieth, no Mestrado Profissional em Ensino de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A pesquisa pode ser acessada aqui.

Professora de História do Ensino Básico em uma escola particular de um bairro nobre de Porto Alegre (RS), Maritsa buscou compreender como os estudantes utilizam a internet para consultar informações sobre história. “Nesse período, durante nossos encontros, pude perceber que, o fato de estarem com a tecnologia ao seu dispor, não pressupunha que fizessem o melhor uso dela nas diferentes propostas de nossas aulas, principalmente àquelas que diziam respeito à pesquisa em história. Essa constatação em particular vai ao encontro da crítica feita a um termo comumente utilizado para caracterizar as juventudes do século XXI, os chamados nativos digitais, ou seja, só ter acesso à internet não garante que esses jovens saibam pesquisar na web”, reflete.

A pesquisa está dividida em quatro partes. Na primeira parte, a pesquisadora aborda as tecnologias digitais de informação e de comunicação no campo do Ensino de História, além de contextualizar os principais conceitos de historiografia escolar digital, civic online reasoning e letramento digital. O capítulo seguinte está centrado na discussão sobre a “onipresença” da internet no cotidiano das pessoas e no papel que a educação tem de preparar docentes e estudantes para serem capazes de problematizar os conteúdos encontrados na rede. O penúltimo capítulo é dedicado às reflexões a respeito das práticas pedagógicas nas aulas de História. Por fim, a pesquisadora apresenta a enciclopédia virtual criada em conjunto com os estudantes.

Conectividade em tempo integral

A pesquisa foi realizada com estudantes do 9° ano do Ensino Fundamental – Anos Finais e visou identificar os critérios utilizados e os caminhos percorridos pelos alunos em busca de informações confiáveis de história na internet. “A pesquisa revelou que, ao realizar buscas na internet nas aulas de História, os estudantes preocupam-se mais com critérios de confiabilidade da informação que dizem respeito ao próprio portal consultado, não havendo um cuidado maior em compreender a autoria e o propósito do material em si”, explica.

De acordo com Maritsa, nessa fase dos estudos, os estudantes fazem uso constante de computadores durante as aulas de todas as disciplinas do currículo escolar, além de estarem conectados à internet em todos os ambientes da escola. “Esse mundo virtual, tornou-se um espaço não só de acesso à informação, mas também concentrando diversas formas de comunicação e relacionamentos. Contudo, para se ter acesso ao que esse mundo contempla, faz-se necessário o desenvolvimento de habilidades específicas para o uso consciente desse espaço”, aponta.

A pesquisa resultou na criação de uma enciclopédia virtual intitulada “Historiopédia”, tendo como temática central “a Década de 20: o Brasil dos ‘anos loucos’”, seguindo a lógica de funcionamento da Wikipédia. O acesso ao site é restrito à comunidade escolar. “A construção desse percurso de estudo foi realizada em diálogo com as análises das produções dos estudantes, que foram baseadas em autores que pensam a Educação Midiática como uma potente aliada do Ensino de História”, afirma.

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