Nos últimos anos, muitas didáticas foram criadas para aproximar estudantes dos conteúdos escolares. Uma dessas iniciativas é a gamificação. Mas você sabe o que isso quer dizer? A gamificação é a aplicação da lógica dos jogos no contexto educacional, sendo utilizada como uma estratégia de ensino em sala de aula, contendo competição saudável e cooperação entre as equipes.
A proposta é uma das grandes tendências atuais para a educação do século XXI, objetivando dinamizar o processo de ensino-aprendizagem com aulas lúdicas e momentos de descontração para aliviar as tensões e corroborar no aprendizado discente. “O mais relevante da gamificação é que o docente veja a estratégia como um combustível da aprendizagem. Para tal intuito, ele deve relacionar os conteúdos a missões e desafios que provoquem os alunos a se movimentarem o necessário para amplificar o aprofundamento nos assuntos”, afirma a pesquisadora Teresa Helena Mendonça Correa Garcia Penna.
De acordo com ela, a gamificação pode explorar qualidades cognitivas, sociais, culturais e motivacionais do aluno, podendo auxiliar na motivação dos indivíduos, fazendo com que eles percebam diretamente o impacto do aprendizado. A pesquisadora criou um e-book, direcionado para educadores e educadoras da Educação Básica sobre o tema. O material é resultado da dissertação “Ensino de História e Direitos Humanos: a construção da aprendizagem histórica através da gamificação”, defendida por Teresa, em 2022, no Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal do Maranhão. A dissertação e o e-book podem ser acessados aqui.
O e-book foi formulado a partir de uma sequência didática feita com alunos da 3ª série do Ensino Médio da Escola Adventista da Cohab (CAC), localizada no bairro da Cohab em São Luís-MA. Também foi elaborado um jogo analógico – RPG – em que os alunos, além de discutirem conteúdos sobre a Segunda Guerra Mundial, abordaram temas relacionados aos direitos humanos, entre eles a intolerância religiosa.
“Ao que se refere ao cotidiano escolar, um dos grandes desafios enfrentados pelo profissional de História para levar a temática dos direitos humanos ao seu dia a dia é justamente estabelecer padrões conceituais sólidos por meio dos quais possa optar por essa ou aquela estratégia didática”, reflete.
Direitos Humanos e gamificação
A pesquisa está dividida em três capítulos. O primeiro aborda a relação entre o Ensino de História e os Direitos Humanos, os objetivos e definições da Educação em Direitos Humanos (EDH) e seu campo normativo. O segundo capítulo debate a gamificação como metodologia ativa no processo de ensino-aprendizagem, os tipos de gamificação, as diferenças entre games e gamificação e algumas estratégias de aplicação da gamificação na educação e nas aulas de História. O capítulo final apresenta a sequência didática e a elaboração e aplicação de um jogo de RPG, que deram origem ao e-book.
“Escolhemos como método de conscientização sobre os direitos humanos o uso da gamificação, resultando, desta maneira, na busca pelo conhecimento mais instigante e levando, através do recorte da Segunda Guerra Mundial, o Holocausto, o aluno a refletir sobre as violações grotescas desses direitos e as causas pelas quais eles foram declarados universalmente pela ONU, em 1948. Portanto, gamificar a Segunda Guerra Mundial foi uma tarefa prazerosa, pois os alunos puderam vislumbrar os acontecimentos de forma imersa através do jogo: conceitos e ações de totalitarismo, violência, intolerância religiosa, racial, política, econômica, sexismo”, detalha.
Segundo a pesquisadora, além de apresentar os resultados obtidos com a pesquisa, o e-book tem o objetivo de apontar questões relevantes sobre a temática e aprofundar o debate na sala de aula e o uso de tecnologias, aplicando a gamificação como recurso metodológico.
“Ao contrário dos jogos usados para fins educacionais e corporativos, a gamificação não é um método que deva ser aplicado pontualmente. Tal metodologia apresenta melhores resultados quando usufruída como estratégia contínua, motivando constantemente o aluno e coletando dados para seu aperfeiçoamento”, conclui.
