Um estudo recém-publicado por pesquisadores do setor de pesquisa da Microsoft aponta que os historiadores estão entre os profissionais mais expostos ao impacto da IA. Na classificação elaborada pela empresa, eles aparecem como a segunda profissão mais suscetível à realização de tarefas por sistemas generativos, atrás apenas de intérpretes e tradutores.
Working with AI: Measuring the Occupational Implications of Generative AI foi publicado em versão preprint, isto é, ainda não revisado por pares, e pode ser baixada gratuitamente aqui. O estudo analisou 200 mil conversas anônimas de usuários com o Bing Copilot, ferramenta de IA generativa da Microsoft, e cruzou as tarefas mais solicitadas com as atividades desempenhadas em diferentes ocupações. O objetivo foi calcular um “índice de aplicabilidade da IA” para cada profissão, indicando até que ponto a tecnologia já é capaz de executar funções centrais daquele trabalho.
No caso dos historiadores, a sobreposição é alta: levantamento de informações, produção de textos, ensino e aconselhamento são tarefas que os usuários mais pedem ao Copilot e que também estruturam o ofício histórico. O estudo foi divulgado e comentado no X por Carlos Fenollosa, professor de inteligência artificial da Universitat Politècnica de Catalunya (UPC). Na última quinta-feira, Fenollosa ressaltou, contudo, a importância de interpretar os dados com cautela:
“Eu arriscaria a dizer que este estudo é um retrato do momento atual, julho de 2025. Ele reflete principalmente as tarefas que lhe são solicitadas a realizar HOJE, não outras das quais é capaz ou poderá ser capaz no futuro. Portanto, cuidado com as interpretações: isso não significa que a IA substituirá essas tarefas (isso depende de outros fatores), mas sim que ela é capaz de realizar as tarefas necessárias.”
Além disso, o estudo da Microsoft não leva em conta a complexidade dessas práticas profissionais nem o caráter contextual e interpretativo que molda ofícios como o da História. A inteligência artificial pode reproduzir tarefas de escrita, síntese e busca de informações, mas continua longe de captar as idiossincrasias, sensibilidades e nuances que só a experiência humana permite identificar. Elementos como a crítica das fontes, a compreensão de contextos culturais e a interpretação subjetiva de acontecimentos continuam a depender de habilidades que a máquina não é capaz de substituir – ainda.
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