O historiador italiano Carlo Ginzburg, um dos mais influentes intelectuais do século XX e fundador da micro-história, morreu nesta quarta-feira (17), em Bolonha, na Itália, aos 87 anos. A informação foi divulgada por veículos da imprensa italiana. Autor de obras que transformaram profundamente a pesquisa histórica, Ginzburg dedicou sua carreira ao estudo das culturas populares, da Inquisição e das formas de perseguição aos grupos marginalizados na Europa moderna.
Nascido em Turim, em 15 de abril de 1939, Ginzburg cresceu em uma família marcada pelo engajamento intelectual e político. Filho da escritora Natalia Ginzburg e do jornalista e professor Leone Ginzburg, opositor do fascismo morto sob tortura em uma prisão italiana durante a Segunda Guerra Mundial, o historiador frequentemente relacionava sua atenção aos perseguidos e excluídos a essa experiência familiar precoce de violência política.
Sua projeção internacional começou com a publicação de obras como Os Andarilhos do Bem (1966) e, sobretudo, O Queijo e os Vermes (1976), estudo que reconstruiu a visão de mundo de um moleiro do século XVI a partir de registros inquisitoriais. A partir da análise minuciosa de indivíduos aparentemente anônimos, Ginzburg demonstrou como casos singulares podiam revelar aspectos mais amplos da sociedade, inaugurando uma abordagem que ficaria conhecida como micro-história.
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Ao longo de sua trajetória, Ginzburg também refletiu sobre os métodos da pesquisa histórica. Em textos como “Mitos, emblemas, sinais”, defendeu a importância dos detalhes, vestígios e indícios para a reconstrução do passado. Seus trabalhos dialogaram com áreas como a literatura, a antropologia e a história da arte, contribuindo para renovar as fronteiras da disciplina histórica e influenciando gerações de pesquisadores em todo o mundo.
Até os últimos anos de vida, o historiador permaneceu ativo no debate intelectual, publicando livros e participando de discussões sobre memória, verdade e interpretação histórica. Sua obra, traduzida para dezenas de idiomas, consolidou-se como referência indispensável para os estudos históricos contemporâneos. Com sua morte, a historiografia perde um de seus mais criativos e respeitados representantes.
Com informações de Le Monde.
