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Os livros de história que chegaram à nossa redação – agosto de 2025

Os livros de história que chegaram à nossa redação - agosto de 2025 2

Conheça os livros que recebemos em agosto.

Os livros recebidos neste mês trazem uma variedade de temas que cruzam diferentes temporalidades e espaços. Da história da Guerra do Paraguai às reflexões sobre o nazismo, o Holocausto e o exílio no Brasil, passando pelos conflitos regenciais no Maranhão e pelas tensões entre Igreja e modernização, cada obra abre novas perspectivas para pensar a política, a sociedade e a cultura. Em comum, está o esforço de compreender experiências históricas complexas a partir de múltiplos ângulos.

Além das pesquisas de história propriamente ditas, a lista inclui reflexões de fôlego sobre filosofia e historiografia, como os estudos sobre a obra de Paul Ricoeur e a análise da expansão ocidental feita por Marcos Del Roio. Trata-se, portanto, de um conjunto de livros que dialoga tanto com o público especializado quanto com quem busca ampliar seus horizontes sobre o passado e suas interpretações.

Guerra do Paraguai, de Vitor Izecksohn (Editora Contexto)
Travada nos confins da América do Sul, a Guerra do Paraguai foi um conflito cujos níveis de violência impressionaram os contemporâneos e ainda hoje chocam quem procura estudá-la. Importantes ingredientes da matança foram os ódios político, cultural e racial. Mas o confronto bélico foi também um espelho das contradições que moldaram a região no século XIX, como a tensão entre centralização e federalismo, a modernização autoritária e as resistências locais, a soberania popular e a realpolitik internacional. A brutalidade da guerra, marcada por sacrifícios humanos e devastação econômica, refletiu não apenas a ferocidade dos combates, mas também as profundas divisões sociais e políticas que permeavam as sociedades platinas na época, com efeitos que se fazem sentir ainda hoje.

É esse mundo que o historiador Vitor Izecksohn revisita nesta obra, em que analisa o maior conflito armado da América do Sul no século XIX. O autor destaca os impactos sociais, políticos e culturais para os países envolvidos, apresentando uma narrativa acessível e fundamentada em pesquisa rigorosa. O resultado é um convite à reflexão sobre a Guerra do Paraguai como parte essencial da formação da América Latina — um passado que podemos não apreciar, mas que é imprescindível conhecer.

O império universal e seus antípodas: a ocidentalização do mundo (e sua crise), de Marcos Del Roio (Boitempo Editorial)
Marcos Del Roio investiga a longa trajetória da expansão do Ocidente, discutindo as promessas e contradições do que chama de “império universal”. Em O império universal e seus antípodas, o professor oferece um panorama abrangente da história moderna, examinando os processos de globalização e dominação, assim como as resistências e crises que marcaram esse movimento. Ao acompanhar a formação, o desenvolvimento, a transformação e o declínio de impérios e sistemas mundiais, o autor mostra como o Ocidente construiu sua centralidade ao longo de centenas de anos e, em contrapartida, produziu a imagem de um Oriente negativo, inferior e desprovido de identidade — pronto para ser conquistado e salvo.

A Setembrada: o levante de tropa e povo do Maranhão (1831-1832), de Yuri Zhivago Alhadef Sampaio Mateus (Editora da UFMA)
Yuri Zhivago Sampaio Mateus analisa a Setembrada, levante ocorrido no Maranhão no início do período regencial, pouco explorado pela historiografia brasileira. Ao destacar as tensões entre tropas, elites locais e camadas populares, o autor mostra como o movimento expressou as disputas políticas e sociais do Brasil pós-independência. Diferente da tradição que privilegiava heróis da elite e a liderança de José Cândido de Moraes e Silva, o livro adota a história “vista de baixo” para evidenciar o protagonismo popular, revelando uma cultura política marcada por lutas de cidadania que dialogam com a construção da ordem imperial e ainda ressoam no presente.

Diálogo, modernização e conflito: uma biografia de Dom Carlos Gouveia Coelho, de Grimaldo Carneiro Zachariades (Editora EDUFBA)
Grimaldo Carneiro Zachariades apresenta a trajetória de Dom Carlos Gouveia Coelho, bispo cuja vida foi marcada por intensas transformações políticas, sociais e religiosas no Brasil. O livro destaca sua atuação em meio a processos de modernização e aos conflitos de sua época, compondo um retrato que dialoga com a história da Igreja Católica e suas tensões internas.

Refugiados, políticas e exclusão: histórias do nazismo, Holocausto e exílio no Brasil, organizado por Christiane Focacci, Pedro Felipe Muñoz e Mauricio Parada (Ed. Fiocruz)Parada.

O livro reúne estudos sobre a experiência de refugiados do nazismo que encontraram no Brasil um espaço de sobrevivência e reconstrução de vidas, abordando políticas de acolhimento e exclusão, os desafios da integração e os impactos desses deslocamentos forçados nas ciências, na cultura e nas instituições brasileiras. Resultado da chamada pública Coletâneas Temas Inovadores da Editora Fiocruz, a obra reúne pesquisadores do Brasil e do exterior em uma análise crítica, interdisciplinar e transnacional, que articula memória, trauma, políticas de exclusão e o avanço do autoritarismo, conectando as experiências do passado às urgências do presente. Mais do que reconstruir trajetórias individuais e coletivas, o volume propõe uma reflexão atualizada sobre saúde pública, direitos sociais e cidadania, destacando o papel do SUS no acolhimento contemporâneo de migrantes e oferecendo ferramentas críticas para compreender as vivências dos refugiados do nazismo exilados no Brasil e para enriquecer os estudos globais sobre o Holocausto, mobilidade humana e violência.

Sentido, existência e linguagem: a filosofia da história de Paul Ricoeur, de Breno Mendes (Editora Finotraço)
Nesta obra, Breno Mendes analisa a filosofia da história de Paul Ricoeur, explorando desde suas origens fenomenológico-existenciais na década de 1940 até o giro linguístico-hermenêutico e a tematização da narrativa, identidade e memória. O livro discute como Ricoeur articula linguagem, temporalidade e narrativa histórica, oferecendo uma reflexão sobre a produção de sentido entre experiência, linguagem e verdade em oposição ao dogmatismo, ao niilismo e à experiência do mal. A filosofia da história aparece, assim, como um trabalho de elaboração em torno da temporalidade, da existência, da objetividade e do perdão difícil, iluminando tanto o pensamento francês contemporâneo quanto os vínculos entre filosofia e historiografia.

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Vale lembrar que estes livros foram enviados ao Café História por autores e editoras. Nós não os lemos, mas divulgamos os lançamentos para que nossos leitores conheçam a diversidade de obras que estão sendo publicadas no campo da História e das ciências humanas.

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