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Após carta de preso, Biblioteca Nacional doa 1,5 mil livros a cadeia em Resende, no Rio de Janeiro

Após carta de preso, Biblioteca Nacional doa 1,5 mil livros a cadeia em Resende, no Rio de Janeiro 2

Iniciativa ajuna na recuperação social dos detentos. Foto: Jason Leung nas, via Unplash.

Uma carta escrita por um preso da Cadeia Pública Inspetor Luís Fernandes Bandeira Duarte, localizada no distrito de Bulhões, em Resende (RJ), desencadeou uma ação concreta que promete impactar profundamente a rotina de centenas de apenados. O pedido, que apelava por dignidade, acesso à cultura e à educação por meio da leitura, mobilizou a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) e a Fundação Biblioteca Nacional, que doarão cerca de 1,5 mil livros para a sala de leitura da unidade.

A entrega ocorreu na última terça-feira (25). A SEAP fpoiresponsável pela logística do transporte das caixas de livros até a unidade. A expectativa é de que os exemplares sirvam não apenas como instrumentos para remição de pena — como prevê o programa oficial — mas como sementes de formação crítica, entretenimento e reconstrução da identidade dos internos.

O presidente da Biblioteca Nacional, o acadêmico e escritor Marco Lucchesi, conhecido por seu engajamento com causas ligadas ao sistema prisional, ficou profundamente tocado pela carta.

Além dos títulos recomendados pelo Programa de Remição de Pena pela Leitura, a seleção vai muito além disso: contempla obras de diversas áreas do saber, valorizando o direito à formação crítica, ao entretenimento e à reconstrução da identidade dos presos.

Um exemplo emblemático do poder transformador da leitura em ambientes de privação de liberdade é a trajetória de Fábio Sagat. Ex-detento, ele se tornou escritor após cumprir sua pena e hoje percorre o país dando palestras em unidades prisionais, falando sobre educação, superação e como os livros mudaram sua vida.

A doação representa mais do que a entrega de 1,5 mil volumes. É um gesto institucional de valorização da palavra e de reconhecimento da leitura como um direito fundamental. Para o sistema prisional, trata-se de uma ação simbólica e prática de ressocialização. Para quem está atrás das grades, pode ser o início de uma mudança real.

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